A pandemia deixou números alarmantes sobre a saúde mental. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), estima-se que ocorra um suicídio a cada 40 segundos no mundo; cerca de 1 em cada 5 crianças e adolescentes são diagnosticados com transtorno mental; as pessoas com perturbações mentais graves morrem 10 a 20 anos mais cedo do que a população em geral; e a depressão é um dos principais transtornos que atinge o mundo, sendo uma das mais importantes causas de incapacidade.
Com estes dados como premissa, a IntraMed dialogou em uma entrevista exclusiva com o Dr. Juan Genaro Ayala, médico psiquiatra com “30 anos de serviço à comunidade”, sobre o presente e os desafios de sua especialidade.
O Dr. também é Professor Titular das Cadeiras de Neuroanatomia, Psiquiatria, Psicologia Jurídica e Medicina Legal, com cargos de responsabilidade administrativa como Diretor do Curso de Pós-Graduação em Psiquiatria da Universidade Central do Equador; e Diretor do Centro de Atendimento Ambulatorial Especializado San Lázaro.
| Como é a situação epidemiológica atual na América Latina? Quais são as patologias mais prevalentes em torna da saúde mental? |
Com dados atualizados em 2022 (Estatísticas INEN), entre as patologias mais frequentes no Equador, temos:
1. Transtornos neuróticos, secundários a situações estressantes e somatoformes, num percentual de 30,51%
2. Transtornos de humor, em percentual de 15,22%
3. Distúrbios do desenvolvimento psicológico, num percentual de 11,97%
4. Transtorno do desenvolvimento psicológico, num percentual de 9,41%
5. Transtornos mentais de causa orgânica, incluindo transtornos sintomáticos 8,45%
6. Transtornos mentais e comportamentais, decorrentes do uso de substâncias psicotrópicas, 5,93%
7. Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes 5,12%
No Brasil, de 2020 até 2024, houve um crescimento anual de 12% a 15% nos atendimentos de saúde devido a transtornos mentais. De acordo com dados do relatório global anual “Estado Mental do Mundo de 2022” da OMS, o país tem o pior terceiro índice de saúde mental do mundo. Atualmente, tem o maior número de pessoas ansiosas, com 9,3% da população com o diagnóstico.
| Por que você acha que os sintomas psicóticos, depressivos e ansiosos aumentaram após a pandemia? Como você descreve o papel dos psiquiatras nesse sentido? |
A pandemia foi um tsunami que afetou toda a população mundial, provocando uma série de alterações pessoais e comportamentais em toda a sociedade, reforçadas pelo confinamento obrigatório, pela ansiedade, pela depressão, pelo consumo de álcool e drogas, e ainda pelo agravamento da violência doméstica.
Foi neste espaço que os psiquiatras em geral, e a Associação Equatoriana de Psiquiatria em particular, conduziram processos de ajuda direta aos pacientes envolvidos nestas patologias; Assim como também entraram em um processo de capacitação e auxílio aos profissionais de saúde com palestras e conferências, além de apoio motivacional.
| De que modo as condições e os estilos de vida influenciam nas doenças que você assiste? |
Todas as doenças mentais, se não contarem com a ajuda e o empenho do agregado familiar, ou de pessoas próximas do paciente, estão sujeitas a agravar-se, uma vez que não cumprem as disposições do seu médico assistente. Consequentemente, é imprescindível que para o tratamento adequado e ideal do paciente atuem em conjunto: o paciente que toma a medicação, os familiares que os levam às consultas médicas agendadas e o médico especialista que lhes dá a medicação mais adequada de acordo com sua necessidade.
| Quais você acha que são os principais resultados que se esperam da terapia com Quetiapina, nos quadros psicóticos e depressivos? |
Por ser um medicamento atípico, é um dos melhores em sua especialidade para ser utilizado pelo paciente. A prescrição de Quetiapina é obrigatória nos quadros psicóticos e depressivos, nos transtornos de personalidade e no retardo mental, com excelentes resultados. Posso atestar isso, devido à estabilidade que meus pacientes experimentam quando recebem este medicamento.
| O que sugeriria a um novo médico que quer se formar na especialidade Psiquiatria? |
O maior conselho que daria é que tenha amor e dom de servir a comunidade, pois considero que esta especialidade trata apenas do contato direto com o paciente, a família e a sociedade. É a coisa mais linda que um ser humano que ama sua profissão como a de Psiquiatra pode vivenciar.
Mensagem do Dr. Ayala Yépez aos leitores da IntraMed:
Caros colegas das diferentes especialidades a nível nacional e internacional, quero enviar a cada um de vós uma mensagem de paz, de amor, de diálogo, de respeito pelos critérios dos outros, porque só assim conseguiremos que todos os profissionais imersos na saúde, em particular na saúde mental, trabalhemos juntos pelas pessoas mais negligenciadas e esquecidas, como os doentes mentais.