| Introdução |
A atenção ao processo de envelhecimento e aos fatores contribuintes está aumentando devido à expansão da população idosa. Várias medidas alternativas foram desenvolvidas para medir esse progresso. Entre as usadas, a idade biológica avaliada usando a idade fenotípica é amplamente utilizada, entretanto, há uma discrepância entre elas baseada diversos fatores como estilo de vida e adversidades na infância.
A terapia hormonal (TH) fornece estrogênio e é um foco principal no que diz respeito à saúde das mulheres, uma população que experimenta a menopausa. No entanto, existem preocupações sobre os efeitos desse tratamento na saúde pois os resultados dos estudos são divergentes.
Por isso, Liu e Li (2024) investigaram a associação entre o uso de TH e as diferenças entre a idade fenotípica e biológica em mulheres na pós-menopausa, considerando também o possível papel modificador do nível socioeconômico (SES).
| Métodos |
Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo, baseado na população, que incluiu mulheres pós-menopáusicas registradas no UK Biobank. Um inquérito basal sobre o uso de TH e biomarcadores de envelhecimento biológico foi conduzido de março de 2006 a outubro de 2010. Os dados foram analisados em dezembro de 2023.
A idade biológica foi calculada por meio de modelagem de risco proporcional, utilizando a idade fenotípica das participantes e nove biomarcadores obtidos de amostras biológicas das participantes. Os indicadores de nível socioeconômico incluíram educação, ocupação, renda e o Índice de Privação de Townsend (mede o acesso a necessidades básicas). A mortalidade por todas as causas e por causa específica também foi avaliada.
As covariáveis incluíram características sociodemográficas, estilos de vida e doenças crônicas importantes. Histórico de ooforectomia e histerectomia bilateral também foram considerados na análise.
| Resultados |
Entre as 117.763 mulheres pós-menopáusicas (idade média de 60,2 anos), 40,3% haviam utilizado TH. A idade fenotípica média foi de 52,1 anos. As que haviam recebido o tratamento tinham menor nível de escolaridade, renda anual mais baixa, maior exposição à nicotina, comorbidades mais prevalentes e maiores proporções de ooforectomia e histerectomia bilaterais do que o grupo controle.
O uso prévio de TH foi associado 0,17 anos a menos de diferença de envelhecimento em relação ao controle. Essa menor discrepância foi mais evidente naquelas que iniciaram a terapia aos 55 anos ou mais e nas que a utilizaram por quatro a oito anos. A associação entre TH e menor discrepância de envelhecimento foi mais evidente em mulheres com baixo SES, com interações significativas para a educação. Foi também mais forte naquelas com baixos níveis de atividade física e as que tinham hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes e doença renal crônica.
A discrepância de envelhecimento fenotípico mediou 12,7% do menor risco de mortalidade por todas as causas com o uso histórico de terapia hormonal. A associação também explicou 19,3% da ligação não significativa com a mortalidade cardiovascular e 8,3% com a relacionada ao câncer.
| Conclusão |
Liu e Li (2024) demonstraram que mulheres pós-menopáusicas com histórico de TH apresentavam idade biológica inferior àquelas sem histórico desse tratamento, especialmente as de baixo nível socioeconômico. A discrepância na idade biológica explicou parte da associação entre o uso de TH e redução da mortalidade, sugerindo que a promoção da terapia hormonal em mulheres pós-menopáusicas pode ser crucial para um envelhecimento saudável.