Um estudo clínico com a terapia celular CAR-T Cell demonstrou taxa de resposta de 87,5% em pacientes com linfoma não Hodgkin refratário, que não haviam respondido a tratamentos prévios como quimioterapia, radioterapia e transplante. A pesquisa foi conduzida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com o Instituto Butantan e o Ministério da Saúde, que investiu R$ 100 milhões no projeto. Os resultados, ainda preliminares, foram apresentados recentemente pela pasta.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os achados são promissores e a Anvisa já classificou a terapia como inovação, o que pode acelerar sua avaliação regulatória. O estudo segue em andamento, com recrutamento contínuo e necessidade de acompanhamento dos pacientes por pelo menos um ano. A conclusão das análises e eventual registro devem ocorrer em cerca de 18 meses.
Atualmente, terapias CAR-T disponíveis na rede privada custam em torno de R$ 2,5 milhões. A expectativa do governo é incorporar o tratamento ao SUS de forma gratuita, com redução de custos por produção nacional. A fábrica em Ribeirão Preto terá capacidade para até mil terapias.
O estudo também incluiu pacientes infantojuvenis, especialmente com leucemia linfoide aguda. Embora mais de 90% respondam à quimioterapia, a CAR-T surge como alternativa para casos refratários. Para linfoma, o recrutamento ocorre em adultos.
O governo anunciou ainda R$ 180 milhões para a segunda fase do programa Genomas Brasil, ampliando a rede de pesquisa e diagnóstico. O sequenciamento de exoma já está sendo incorporado ao SUS, permitindo diagnóstico precoce de doenças raras, reduzindo o tempo médio de sete anos para cerca de seis meses.
A recente atualização da legislação de pesquisa clínica também acelerou aprovações no país, aumentando em 30% a participação do Brasil em estudos internacionais em 2025.