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/ Publicado el 13 de julio de 2025

Telemedicina

Tecnologias digitais na doença inflamatória intestinal

Revisão de literatura avaliou o impacto clínico de ferramentas digitais na gestão da doença inflamatória intestinal e identificou caminhos para pesquisas futuras.

Autor/a: Gasparetto, M. et al.

Fuente: The Lancet Digital Health, V. 7, I.5, 100843 (2025) Efficacy of digital health technologies in the management of inflammatory bowel disease: an umbrella review

As tecnologias digitais em saúde (DHTs) estão sendo cada vez mais utilizadas na assistência a doenças crônicas, como a doença inflamatória intestinal (DII), oferecendo suporte ao cuidado clínico, ampliando o acesso e promovendo melhores desfechos. Ferramentas como aplicativos móveis, softwares, portais eletrônicos e plataformas de telemedicina têm sido utilizadas para diagnóstico, monitoramento, autocuidado e comunicação entre pacientes e profissionais.

O aumento da prevalência global da DII tem gerado sobrecarga aos sistemas de saúde, devido ao uso crescente de recursos por esses pacientes. Diante disso, a Comissão do The Lancet sobre os custos da doença em países de alta renda identificou uma necessidade urgente de incorporar ferramentas eletrônicas ao cuidado. Embora a adoção das DHTs esteja em expansão, a evidência sobre sua efetividade clínica na DII permanece inconclusiva, com resultados variados entre estudos.

Por isso, a revisão de Gasparetto e colaboradores (2025) buscou avaliar os benefícios e limitações das DHTs na gestão da doença inflamatória intestinal, destacando lacunas de pesquisa e oportunidades para aprimorar um cuidado digital mais centrado no paciente.

Foram incluídas 9 revisões sistemáticas, sendo 5 com meta-análises, que abordaram intervenções digitais como aplicativos móveis, portais eletrônicos, redes sociais, chatbots e ferramentas de monitoramento, comparadas ao cuidado padrão ou intervenções educativas. Os desfechos avaliados incluíram qualidade de vida (QoL), atividade da doença, adesão ao tratamento, uso de recursos de saúde, engajamento do paciente e custo-efetividade.

As meta-análises mostraram alta heterogeneidade nos efeitos sobre QoL. Gordon et al., (2022) não observaram superioridade das DHTs sobre o cuidado padrão, enquanto Kuriakose Kuzhiyanja et al., (2023) e Helsen et al., (2018) identificaram melhora na nesse parâmetro com e-health. Outros estudos relataram benefícios, porém com baixa precisão.

Houve redução nas visitas ambulatoriais e hospitalares em algumas revisões, apesar da heterogeneidade elevada. Além disso, a adesão ao tratamento melhorou em dois estudos.

Houve uma melhora na adesão, no conhecimento do paciente, menor duração de recaídas e menos visita ambulatoriais em pacientes que utilizaram DHTs, de acordo com Elkjaer et al., (2010). Entretanto, outros estudos clínicos randomizados (RCTS) não demonstraram diferenças significativas.

Por fim, Gohil et al., (2022) relataram benefícios na adesão medicamentosa em dois dos três RCTs pediátricos, enquanto Nguyen et al., (2021)  sugeriram a redução no uso de serviços de saúde, sem impacto em QoL, atividade da doença ou adesão com a implementação de DHTs.

No entanto, a maioria dos estudos apresentou alto risco de viés, com baixa ou muito baixa certeza de evidência.

Em conclusão, as DHTs têm demonstrado potencial como complemento ao cuidado clínico em pacientes com doença inflamatória intestinal (DII), especialmente na redução de visitas hospitalares e melhora na adesão ao tratamento e na qualidade de vida. No entanto, não há evidência consistente de benefício sobre atividade da doença ou remissão clínica. Os autores recomendaram que futuras pesquisas adotem intervenções padronizadas, maior duração de seguimento e desfechos clínicos relevantes, considerando as tecnologias digitais como ferramentas úteis para coleta de dados e monitoramento da DII em contextos reais.