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/ Publicado el 26 de septiembre de 2025

Esportes e Tecnologia

Tecnologia vestível pode ser aliada na recuperação de lesões no joelho em atletas

Ao coletar dados biomecânicos praticamente em tempo real, equipamento auxilia treinadores a avaliar se o indivíduo lesionado está apto a retornar aos treinos

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP-USP), com apoio da FAPESP, chama a atenção para aspectos ainda pouco discutidos dentro do processo de recuperação e traz à tona um alerta: o tempo de reabilitação após a cirurgia pode não ser suficiente para garantir que o atleta esteja de fato pronto para retornar ao campo. Os resultados foram publicados na revista científica Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy.

Segundo os pesquisadores, é essencial que a articulação volte a suportar forças e cargas com eficiência, ou seja, que a função biomecânica do joelho seja plenamente restabelecida – e o trabalho demonstrou que isso nem sempre acontece dentro do prazo. O processo de reabilitação do movimento exige uma reaprendizagem motora complexa, que foi avaliada pelo grupo com mais precisão por meio do uso de tecnologias vestíveis (ou wearable technology, em inglês), dispositivos eletrônicos que são acoplados ao corpo para captar dados biomecânicos em tempo real.

“As lesões no ligamento cruzado têm um impacto enorme no futebol. Quando um atleta sofre esse tipo de lesão, ele fica afastado dos campos por cerca de um ano. Isso gera uma preocupação significativa, especialmente no esporte profissional, pois envolve não só um grande investimento e uma logística complexa do clube para lidar com a ausência do jogador, mas também o aspecto emocional do próprio atleta, que deseja retornar às atividades o quanto antes”, destacou Paulo Roberto Santiago, orientador do estudo.

Teste de corrida com mudança de direção

Para chegar aos resultados, um experimento foi realizado com 26 jogadores da elite do futebol do Catar: dez deles haviam sido submetidos à cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior e os outros 16 formavam o grupo-controle, sem histórico de lesões. Todos os atletas passaram por uma bateria de testes de movimento em campo.

Utilizando sensores de movimento fixados na pelve, coxas, canelas, pés, além de palmilhas com medidores de pressão, os pesquisadores analisaram, com alta precisão, como o corpo dos atletas reagia a movimentos típicos do futebol – entre eles uma mudança abrupta de direção em 90 graus, que exige desaceleração e torque articular (ou seja, o esforço que faz um corpo ou parte dele girar em torno de um ponto de pivô ou eixo, como as articulações do corpo), sendo um dos momentos mais críticos para o joelho.