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/ Publicado el 1 de marzo de 2026

Saúde

SUS amplia diretrizes para tratamento da fibromialgia com foco multidisciplinar

Medidas incluem atividade física e suporte psicológico

Autor/a: Alice Rodrigues

Fuente: Agência Brasil Novas diretrizes ampliam o tratamento de fibromialgia pelo SUSv

O Ministério da Saúde anunciou, neste mês, novas diretrizes para ampliar o cuidado de pacientes com fibromialgia no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa prevê maior qualificação de profissionais, padronização da abordagem clínica e expansão das modalidades terapêuticas disponíveis na rede pública.

A fibromialgia é uma síndrome que afeta entre 2,5% e 5% da população brasileira, caracterizada por dor generalizada e persistente, sem evidências de lesões ou processos inflamatórios. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), José Eduardo Martinez, a condição envolve um conjunto complexo de sintomas.

“É uma dor difusa, quase sempre acompanhada de fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas”, explicou o reumatologista em entrevista ao Tarde Nacional – Amazônia, da Rádio Nacional.


Sintomas e desafios no diagnóstico

A doença decorre de uma alteração na sensibilidade dos neurônios associados à percepção da dor, que passam a responder de forma exagerada a estímulos. Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • Dor crônica e difusa
  • Fadiga intensa
  • Formigamentos em extremidades
  • Distúrbios do sono, como insônia e apneia
  • Sensibilidade ao toque e a estímulos ambientais
  • Alterações de humor, como ansiedade e depressão
  • Dificuldades de memória e concentração

O diagnóstico, segundo Martinez, continua sendo exclusivamente clínico, baseado no relato dos sintomas e na avaliação física. Não há exames laboratoriais específicos para identificação da síndrome. O especialista reforçou que é essencial descartar outras condições que podem causar dor musculoesquelética, como artrose.

A orientação é que pacientes procurem atendimento com reumatologistas ou nas unidades básicas de saúde, que podem realizar o primeiro acolhimento e encaminhamento necessário.


Reconhecimento legal e novos direitos

Em julho de 2025, a sanção da Lei 15.176/2025 classificou a fibromialgia como deficiência, ampliando o acesso a benefícios e políticas públicas. Entre os direitos previstos estão:

  • Cotas em concursos públicos e processos seletivos
  • Isenção de IPI, ICMS e IOF para aquisição de veículos adaptados
  • Possibilidade de concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez
  • Acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), mediante critérios socioeconômicos
  • Pensão por morte em casos de incapacidade comprovada

Novas medidas no SUS

As diretrizes anunciadas pelo Ministério da Saúde estabelecem um modelo de cuidado multidisciplinar, com participação de fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e médicos. A proposta inclui:

  • Capacitação de profissionais da rede
  • Expansão do acesso à fisioterapia e reabilitação
  • Inclusão de apoio psicológico e terapias integradas
  • Incentivo à prática regular de atividade física, comprovadamente benéfica para manejo da dor e melhora funcional

A Sociedade Brasileira de Reumatologia destacou que intervenções não farmacológicas têm eficácia relevante no controle dos sintomas, sendo complementares ao uso de medicamentos voltados à regulação da percepção dolorosa.

Martinez reforçou ainda a importância de integração entre os profissionais envolvidos: “Pacientes com ansiedade ou depressão precisam de acompanhamento especializado. É fundamental que psiquiatras, psicólogos e reumatologistas mantenham comunicação para evitar conflitos terapêuticos e otimizar o tratamento.”

As novas diretrizes representam um avanço importante na assistência às pessoas com fibromialgia, reforçando a necessidade de abordagem integral e contínua para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.