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Publicado el 8 de octubre de 2024

Ensaio clínico randomizado

Suplementação de óleo de peixe durante a gravidez

Estudo sobre o impacto da suplementação de óleo de peixe em crianças cujas mães receberam o suplemento durante a gestação, incluindo avaliação da saúde metabólica

Introdução

A prevalência de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes aumentou significativamente nos últimos 40 anos, e há evidências de que exposições ambientais durante a vida fetal possam desempenhar um papel nesse fenômeno. Uma dessas exposições de interesse é a ingestão de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa n–3 (LCPUFAs) durante a gravidez, principalmente provenientes de peixes gordurosos. Estudos com animais e pesquisas observacionais em humanos têm mostrado associações entre maior consumo de peixes durante a gestação ou concentrações sanguíneas elevadas de LCPUFAs n–3 e um índice de massa corporal (IMC) mais baixo, além de perfis metabólicos mais saudáveis na prole.

Em 2019, Vinding e colaboradores publicaram resultados sobre o crescimento e a composição corporal de crianças aos 6 anos de idade, cujas mães participaram de um ensaio clínico randomizado (ECR) de suplementação com óleo de peixe durante o terceiro trimestre de gravidez. As crianças cujas mães receberam o óleo de peixe apresentaram maior IMC, bem como aumento nas massas de gordura, músculo e osso, mas sem elevação no percentual de gordura corporal. Agora, em 2024, os pesquisadores divulgaram os resultados do acompanhamento dessa coorte de crianças com o objetivo de expandir os achados anteriores. Foram incluídas medições detalhadas de saúde metabólica para avaliar se a intervenção com LCPUFAs n–3 pode ter efeitos adversos a longo prazo.

Métodos

Foram realizadas medições de parâmetros antropométricos, composição corporal por Análise de Impedância Bioelétrica (BIA), pressão arterial em 736 gestantes e seus descendentes. Além disso, as concentrações de triglicerídeos, colesterol, glicose e peptídeo C em amostras de sangue coletadas em jejum foram coletadas. Uma pontuação para síndrome metabólica também foi calculada. Ademais, medidas antropométricas e de composição corporal foram desfechos secundários pré-especificados do estudo.

Resultados

A análise mostrou que as crianças do grupo n-3 LCPUFA apresentaram um IMC médio significativamente maior aos 10 anos em comparação com o grupo controle: 17,4 (DP: 2,44) versus 16,9 (DP: 2,28); P = 0,020. Além disso, houve uma maior probabilidade de sobrepeso nesse grupo (razão de chances: 1,53; IC 95%: 1,01–2,33; P = 0,047). Essa diferença refletiu variações na composição corporal, com aumento da massa magra (0,49 kg; IC 95%: –0,20–1,14; P = 0,17), massa gorda (0,49 kg; IC 95%: –0,03–1,01; P = 0,06) e percentual de gordura (0,74%; IC 95%: –0,01–1,49; P = 0,053) em comparação com o grupo controle. As crianças do grupo n-3 LCPUFA também apresentaram uma pontuação de síndrome metabólica ligeiramente mais elevada em relação ao grupo controle (diferença média: 0,19; IC 95%: –0,02–0,39; P = 0,053).

Conclusão

Em conclusão, as crianças de 10 anos do grupo n-3 LCPUFA apresentaram um aumento no IMC, maior risco de sobrepeso, uma tendência de elevação na porcentagem de gordura corporal e um score de síndrome metabólica mais elevada. Esses resultados sugeriram potenciais efeitos adversos à saúde associados à suplementação de n-3 LCPUFA durante a gravidez, indicando a necessidade de replicação em futuros estudos independentes para uma maior confirmação.