Inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) e inibidores da dipeptidil peptidase 4 (DPP4) melhoram a hiperglicemia e reduzem o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACEs) entre indivíduos com diabetes tipo 2. No entanto, não foram realizados estudos que abordem se a eficácia desses medicamentos varia com a idade ou o sexo. Por isso, Hanlon e colaboradores (2025) avaliaram se esses fatores estão associados a diferenças na eficácia dos inibidores SGLT2, agonistas GLP-1 e inibidores DPP4.
Para isso, os pesquisadores utilizaram as bases de dados MEDLINE e Embase, além de registros de ensaios clínicos dos EUA e da China, desde o início até novembro de 2022. Em agosto de 2024, a pesquisa foi atualizada para capturar os resultados dos ensaios. No total, dois revisores selecionaram ensaios clínicos randomizados de inibidores SGLT2, agonistas GLP-1 ou inibidores DPP4 versus placebo ou comparador ativo em adultos com diabetes tipo 2.
Tanto os dados individuais de participantes quanto os agregados foram utilizados para estimar interações entre idade e tratamento e entre sexo e tratamento em modelos de meta-regressão em rede de múltiplos níveis.
Dos 601 ensaios elegíveis identificados, 592 com 309.503 participantes relataram Hemoglobina A1c (HbA1c). Eles tiveram uma idade média de 58,9 [DP, 10,8] anos; 42,3% eram mulheres. Ademais, 23 estudos com 168.489 participantes relataram MACEs; idade média, 64,0 [DP, 8,6] anos; 35,3% eram mulheres.
Os dados individuais dos participantes foram obtidos em 103 ensaios. O uso de inibidores SGLT2 (vs placebo) foi associado a menores reduções de HbA1c com o aumento da idade para monoterapia, para terapia dupla e tripla. O uso de agonistas GLP-1 foi associado a maiores reduções de HbA1c com o aumento da idade para monoterapia e para terapia dupla, mas não para a tripla. O uso de inibidores DPP4 foi associado a uma ligeira melhor redução de HbA1c em pessoas mais velhas para terapia dupla, mas não para monoterapia ou tripla. A redução relativa em MACEs com o uso de inibidores SGLT2 foi maior em participantes mais velhos em comparação aos mais jovens por incremento de 30 anos na idade e a redução relativa com o uso de agonistas GLP-1 foi menor em participantes mais velhos em comparação aos mais jovens. Não houve evidências consistentes para interações entre sexo e tratamento com o uso de inibidores SGLT2 e agonistas GLP-1.
Em conclusão, os inibidores SGLT2 e agonistas GLP-1 foram associados a um menor risco de MACEs. A análise das interações entre idade e tratamento sugeriu que o primeiro foi mais cardioprotetor em pessoas mais velhas do que em mais jovens, apesar de reduções menores na HbA1c; o segundo foi mais cardioprotetor em pessoas mais jovens.