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/ Published on May 8, 2024

COVID-19

Sequelas pulmonares pós-COVID podem progredir dois anos após a alta hospitalar

Artigo abordou os impactos da doença na fase crônica

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o fim da emergência sanitária da COVID-19, mas muitos pacientes ainda convivem com as consequências pulmonares da doença. É o que apontou o artigo Sequelas Respiratórias Pós-Covid-19 Dois Anos Após Hospitalização: Um Estudo Ambidirecional, publicado na renomada revista científica The Lancet Regional Health Americas.

O conteúdo é baseado na pesquisa coordenada pelo professor Carlos Carvalho, titular da disciplina de Pneumologia da Faculdade de Medicina (FM) da USP. O estudo, inédito na América do Sul, acompanha pacientes da COVID-19 grave que foram internados no HCFMUSP no período da pandemia, com o objetivo de entender os impactos da doença em longo prazo.

Os resultados revelaram que, mesmo após dois anos, mais de 90% dos participantes apresentaram alguma alteração respiratória, muitas delas graves, como sinais de inflamações pulmonares e possíveis progressões para fibrose. Apenas uma pequena porcentagem (2%) teve melhora em comparação com a avaliação de seis a 12 meses, e uma parte significativa (25%) dos pacientes com lesões semelhantes a fibrose experimentou piora nas anormalidades pulmonares.

O levantamento também apontou que o tempo de internação, a ventilação mecânica invasiva e a idade do paciente influenciaram o desenvolvimento de lesões pulmonares semelhantes à fibrose em pacientes pós-COVID-19.

O professor Carvalho destacou a relevância do estudo para a comunidade científica. “O pós-COVID é uma incógnita e ainda estamos aprendendo sobre a fase crônica. Este é o trabalho mais robusto sobre o assunto e os resultados vão contribuir para a construção da literatura sobre a doença”, enfatizou.

“Devido à evolução não homogênea dos pacientes crônicos pós-COVID-19 é essencial manter o monitoramento de longo prazo da sua saúde pulmonar”, escreveram os autores.

Para o professor, entender as consequências da doença ao longo do tempo é fundamental para prever os possíveis impactos para a saúde pública nos próximos anos.