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/ Publicado el 13 de abril de 2026

rMACE

Semaglutida vs. Tirzepatida nos desfechos cardiovasculares

Análise comparou semaglutida e tirzepatida quanto a eventos cardiovasculares maiores em uma população com sobrepeso ou obesidade, ASCVD estabelecida e sem diabetes.

Autor/a: Wilson, L. et al.

Fuente: Diabetes Obes Metab. 2026 Jan 5;28(3):2403–2415.

A doença cardiovascular aterosclerótica (ASCVD), que inclui doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico (AVE) e doença arterial periférica, ainda é responsável pela maior parcela de óbitos por doenças cardiovasculares (DCV). O excesso de peso e a obesidade são fatores de risco independentes para eventos cardiovasculares, mesmo após o ajuste para outros componentes.

A semaglutida injetável 2,4 mg, agonista do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP‑1) inicialmente aprovada para controle de peso, recebeu em 2024 indicação adicional para redução do risco de morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVE não fatal em pacientes com sobrepeso ou obesidade, ASCVD estabelecida e sem diabetes. A nova indicação baseou-se nos resultados do ensaio clínico randomizado SELECT, que demonstrou redução significativa de eventos cardiovasculares maiores (MACE) em comparação ao placebo.

A tirzepatida, co-agonista dos receptores do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP) e GLP‑1, aprovada para diabetes tipo 2 e posteriormente para controle de peso, carece de evidências clínicas que comprovem o benefício cardiovascular em indivíduos sem diabetes. O ensaio SURPASS‑CVOT demonstrou apenas não inferioridade em relação à dulaglutida na população com diabetes tipo 2, sem demonstrar superioridade.

Nesse contexto, o estudo de Wilson e colaboradores (2025) comparou a efetividade real da semaglutida vs.tirzepatida na redução de eventos cardiovasculares em indivíduos com sobrepeso ou obesidade, ASCVD estabelecida e sem diabetes, em uma ampla população segurada dos Estados Unidos.

O estudo utilizou dados do Komodo Research Data para avaliar pacientes com sobrepeso/obesidade e ASCVD, que iniciaram semaglutida ou tirzepatida entre 2022 e 2025.  Os desfechos avaliados foram rMACE‑3 (IM, AVC, mortalidade por todas as causas), rMACE‑5 (rMACE‑3 + revascularização coronariana e hospitalização por insuficiência cardíaca) e MACE tradicionais, que utilizam mortalidade cardiovascular.

Após pareamentos por pontuações de propensão, 10.625 indivíduos permaneceram em cada grupo, com características basais semelhantes. A amostra era majoritariamente composta por pessoas de 55–65 anos, brancas, mulheres, com alta prevalência de hipertensão, dislipidemia e uso de estatinas. O tempo médio de seguimento entre ambos os grupos foi de aproximadamente 8–9 meses.

Na análise por intenção de tratar (ITT), a semaglutida demonstrou menor risco de eventos cardiovasculares em relação à tirzepatida, com reduções de 29% no rMACE‑3 e de 22% no rMACE‑5. As diferenças entre os grupos surgiram precocemente, em menos de 2–3 meses, e persistiram durante todo o seguimento.

Embora componentes individuais dos desfechos não tenham alcançado significância isoladamente, todos mostraram tendência favorável à semaglutida, incluindo menores taxas de infarto, AVE, hospitalização por insuficiência cardíaca, revascularização coronariana e mortalidade por todas as causas.

Para os desfechos MACE tradicionais, o MACE‑3 não alcançou significância estatística, enquanto o MACE‑5 mostrou benefício da semaglutida com redução de 22% no risco; a mortalidade cardiovascular isolada não diferiu entre os grupos.

Na análise per‑protocol, a semaglutida apresentou reduções ainda maiores, com diminuição de 57% no rMACE‑3 e de 43% no rMACE‑5 em comparação com a tirzepatida. Não houve eventos de mortalidade, tornando MACE e rMACE equivalentes nessa análise.

Alguns desfechos individuais também foram significativamente menores com semaglutida, incluindo reduções de 62% no risco de infarto e 66% na hospitalização por insuficiência cardíaca, além de tendências favoráveis para AVE e revascularização coronariana.

Em conclusão, os resultados mostraram que a semaglutida está associada a reduções precoces e significativamente maiores no risco de rMACE‑3, rMACE‑5 e MACE‑5 em comparação com a tirzepatida, entre pacientes com sobrepeso ou obesidade e ASCVD sem diabetes. O estudo reforçou as evidências crescentes de que o benefício cardiovascular da semaglutida é específico da molécula, não podendo ser generalizado para outras classes mais amplas de agonistas de GLP‑1 ou GIP/GLP‑1.


Fonte: Semaglutide and tirzepatide effects on cardiovascular outcomes in people with overweight or obesity in the real world (STEER) - PMC