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/ Published on February 13, 2026

Saúde

Seis sintomas depressivos na meia-idade que indicam maior risco de demência, segundo estudo

Revista médica reforçou que a depressão não é uma doença única e que algumas manifestações podem estar mais associadas ao declínio cognitivo

 Uma pesquisa publicada na revista The Lancet Psychiatry identificou seis sintomas depressivos na meia‑idade que podem estar mais fortemente associados ao aumento do risco de demência. O estudo reforçou que a depressão não é uma condição única e homogênea, diferentes manifestações podem ter impactos distintos sobre o declínio cognitivo.
 
Os sintomas destacados pelo estudo foram:
 
- Perda de confiança em si mesmo;
- Dificuldade de concentração;
- Sensação de incapacidade para enfrentar problemas;
- Ausência de afeto pelos outros;
- Nervosismo e tensão persistentes;
- Insatisfação com o próprio desempenho nas tarefas do dia a dia.
 
 De acordo com Fernando Fernandes, psiquiatra do Programa de Transtornos Afetivos do Instituto de Psiquiatria do HC‑FMUSP, a relação entre depressão e demência já é bem estabelecida na literatura científica. A novidade do estudo está em identificar quais sintomas depressivos parecem estar mais ligados ao risco aumentado de declínio cognitivo. Fernandes destacou que, entre os fatores modificáveis associados à demência, a depressão ocupa papel de grande relevância. Um diagnóstico precoce e um tratamento adequado podem reduzir o risco de demência em até 4,4%.
 
 Segundo o especialista, muitos dos sintomas identificados podem ser influenciados por condições comuns no envelhecimento, como: redução da autonomia, que pode comprometer a capacidade de enfrentar problemas e gerar insatisfação com tarefas rotineiras e diminuição do convívio social, que intensifica o distanciamento afetivo e a sensação de isolamento. Fernandes explicou que, embora medidas de proteção sejam necessárias para idosos, manter níveis adequados de autonomia e interação social é essencial para o bem-estar emocional.
 
 Para a promoção da saúde mental e a prevenção da demência nessa faixa etária, a recomendação é buscar avaliação com geriatras ou psiquiatras, que são os profissionais mais indicados para conduzir esses casos. Na impossibilidade, é fundamental procurar a unidade de saúde mais próxima para encaminhamento adequado. Fernandes lembrou ainda que a depressão pode, em muitos casos, simular quadros demenciais, fenômeno conhecido como pseudodemência. Em pessoas idosas, a presença de sintomas cognitivos associados ao humor depressivo pode dificultar o diagnóstico diferencial.
 
 Independentemente da idade, o psiquiatra reforçou a importância de evitar álcool e tabaco, tratar condições como obesidade, diabetes e hipertensão, e manter-se cognitivamente ativo, especialmente por meio da leitura e outras atividades intelectualmente estimulantes. Cuidar desses fatores ao longo da vida contribui para a saúde geral e também ajuda a reduzir o risco de demência.