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/ Publicado el 27 de abril de 2026

Manejo de dislipidemia

Rosuvastatina vs. atorvastatina: qual melhor escolha no manejo lipídico?

A análise de 26 estudos demonstrou que a rosuvastatina foi consistentemente mais eficaz, promovendo reduções maiores de LDL e triglicerídeos, além de um aumento mais robusto nos níveis de HDL.

Autor/a: Sayehmiri K, Shohani M, Qavam S, Tavan H.

Fuente: Life Sci. 2025 Jun 1;370:123576. doi: 10.1016/j.lfs.2025.123576. Comparing the effectiveness of Rosuvastatin and Atorvastatin on changes in LDL, TG and HDL: A systematic review and meta-analysis

As doenças arteriais coronarianas (DAC) são responsáveis por uma parcela significativa da mortalidade entre pacientes cardiovasculares. Existe uma correlação entre as concentrações lipídicas séricas e a formação de lesões ateroscleróticas. Estima-se que uma redução de 25% nos níveis de colesterol e triglicerídeos possa levar a uma diminuição de até 50% na ocorrência de doenças coronarianas.

O manejo clínico dos lipídios sanguíneos é uma estratégia central para a prevenção da isquemia cardíaca. Enquanto o controle das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) reduz o risco isquêmico, o aumento dos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL) atua como um fator protetor essencial contra a morte cardiovascular. Nos últimos anos, o uso de estatinas, especificamente a atorvastatina e a rosuvastatina, consolidou-se como o principal método farmacológico para gerenciar o perfil lipídico. Estudos indicaram que a atorvastatina reduz o risco de infarto do miocárdio em casos não emergenciais e que o uso de doses elevadas de ambos os fármacos antes de intervenções coronárias percutâneas (ICP) auxilia na redução de infartos periprocedimento.

Apesar da ampla utilização desses medicamentos, observa-se na literatura uma lacuna de estudos de metanálise que definam com precisão a magnitude comparativa da eficácia entre a rosuvastatina e a atorvastatina na redução do LDL e triglicerídeos, bem como no aumento do HDL. Assim, Sayehmiri e colaboradores (2025) realizaram uma metanálise com o objetivo de oferecer uma visão abrangente e clara, integrando dados globais para determinar a eficácia comparativa dessas estatinas em termos de região geográfica, idade, gênero e dosagem terapêutica adequada.

Para o estudo, os autores utilizaram as bases de dados ISI Web of Science, Cochrane Library, PubMed, Scopus e Google Scholar, cobrindo o período de 2003 a 2025. Foram incluídos ensaios clínicos e estudos experimentais que avaliassem diretamente a eficácia da rosuvastatina e da atorvastatina nas alterações dos níveis de LDL, TG e HDL. Foram excluídos aqueles que focassem em tratamento cirúrgico da aterosclerose e relatos de caso. De um total inicial de 120 artigos identificados, após a triagem por duplicatas, inconsistência ou insuficiência de dados, 26 estudos foram selecionados.

A amostra total foi de 26.443 participantes, com uma distribuição geográfica diversificada: 42,3% dos estudos foram realizados na Ásia, 38,46% na Europa, 15,38% nas Américas e 3,84% na África. Todos utilizaram métodos de amostragem randomizada e avaliaram os níveis lipídicos (LDL, HDL e TG) em mg/dl antes e após as intervenções.

Os achados demonstraram uma superioridade consistente da rosuvastatina em todos os parâmetros lipídicos analisados em comparação à atorvastatina. No que tange à redução do LDL-colesterol, a rosuvastatina promoveu uma redução média de 55,66 mg/dl, enquanto a atorvastatina apresentou uma redução de 51,49 mg/dl. A análise pela Diferença de Médias Padronizada (SMD) confirmou essa tendência, com valores de 2,04 para a rosuvastatina contra 1,75 para atorvastatina.

Em relação aos níveis de HDL-colesterol, o efeito protetor também foi mais pronunciado com a rosuvastatina, que gerou uma elevação média de 3,87 mg/dl. Em contrapartida, a atorvastatina apresentou um aumento mais modesto de 1,85 mg/dl. Quanto aos triglicerídeos (TG), a rosuvastatina demonstrou maior eficácia hipotrigliceridêmica, com uma redução média de 31,98 mg/dl, comparada aos 24,76 mg/dl observados no grupo da atorvastatina.

Por fim, a avaliação do viés de publicação, realizada por meio do teste de regressão de Egger e do gráfico de funil de Begg, não indicou efeitos significativos de viés, apresentando uma distribuição simétrica dos dados que reforça a robustez dos resultados encontrados nesta metanálise.

Em conclusão, as evidências indicaram que a rosuvastatina foi mais eficaz que a atorvastatina tanto na redução do perfil lipídico aterogênico quanto na elevação do perfil protetor em diversas populações globais. Esses achados sugeriram que a rosuvastatina oferece uma vantagem clínica relevante na prevenção primária e secundária de doenças coronarianas, permitindo um controle lipídico mais abrangente e rápido para os pacientes.