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/ Publicado el 4 de febrero de 2021

Coorte prospectiva

Risco de fibrilação atrial e estimativa de ingestão de sal

A hipertensão predispõe à fibrilação atrial - um importante fator de risco para AVC isquêmico. 

Autor/a: Wuopio, J., OrhoMelander, M., Ärnlöv, J., & Nowak, C.

Fuente: Estimated salt intake and risk of atrial fibrillation in a prospective communitybased cohort

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum com expressiva relevância clínica, sendo frequentemente associada a doenças estruturais cardíacas, sendo um fator de risco para o tromboembolismo e acidente vascular cerebral isquêmico. O alto consumo de sal está intrinsecamente associado ao risco de hipertensão, que por sua vez,  predispõe à fibrilação atrial. No entanto, estudos clínicos que avaliem os eventos associados envolvidos na associação existente entre a ingestão diária estimada de sal e o risco da fibrilação atrial de início recente ainda são escassos, sem orientações apropriadas sobre o risco de FA usando excreção urinária de sódio a fim de medir a ingestão diária de sal adequada.  

Nesse contexto, um estudo recrutou residentes britânicos (257.545 mulheres e 215.535 homens) de 40-69 anos, durante o período de 2006 a 2010 para que fosse avaliada a ligação entre a excreção urinária de sódio como um marcador para o consumo de sódio na dieta e o risco de novo início de FA. Os participantes foram divididos em quintis específicos de sexo de acordo com a excreção de sódio de 24 horas estimada com base em amostras pontuais com a equação de Kawasaki, excluindo-se os participantes que apresentaram FA basal. O acompanhamento, que durou 10 anos, revelou que o diagnóstico de FA foi confirmado em 2.221 mulheres e 3.751 homens, indicando que tanto a ingestão diária estimada de sódio muito baixa ou muito alta estariam associadas a um risco elevado de desenvolver FA

Até então, esse foi o estudo mais robusto já publicado que avaliasse em uma grande população as associações entre o consumo de sal e FA, usando a excreção urinária de sódio para mensurar a ingestão de sal, ao invés de se basear somente em questionários e autorrelatos dos hábitos alimentares, que podem ser tendenciosos. 

Foram identificadas evidências de uma ligação em forma de U entre o consumo diário estimado de sal e o risco de FA em homens. Uma ligação em forma de J sugestiva entre as mulheres não foi estatisticamente corroborada, no entanto, análises mais robustas precisam ser realizadas. Ademais, de acordo com o estudo, o aumento do risco de FA foi observado em relação ao consumo de sal progressivamente maior acima de um determinado nível fisiológico mínimo.  

  

Imagem: Photo by Emmy Smith on Unsplash