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/ Publicado el 13 de agosto de 2023

Cardiologia

Registro brasileiro do controle da hipertensão arterial avaliado pelas medidas de consultório e residencial

Dados epidemiológicos nacionais sobre o controle da hipertensão arterial

Introdução

A hipertensão arterial (HA) é uma condição crônica definida por valores persistentemente elevados de pressão arterial (PA) que, se não devidamente controlados, gera repercussões sistêmicas.

A mensuração da PA é imprescindível para o diagnóstico. No entanto, apesar de ser um procedimento simples, podem ocorrer erros durante sua medição, sejam relacionados ao aparelho, à técnica, à influência do ambiente, ao próprio paciente ou, ainda, ao observador. Em torno de 30% dos pacientes apresentam valores de PA mais elevados quando examinados no ambiente de consultório do que em suas residências.

A hipertensão do avental branco (HAB) ocorre quando há elevação pressórica persistente no ambiente assistencial e valor normal fora dele, levando à superestimação dos níveis de PA do paciente e consequente erro no diagnóstico da HA. O oposto da HAB também ocorre, caracterizando a hipertensão mascarada (HM). Para que seja possível diferenciar a HAB da hipertensão sustentada ou, ainda, para que se identifique a presença da HM, é necessário que se faça a medição da PA do paciente fora do ambiente médico. Os métodos atualmente utilizados são a monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) e a monitorização residencial da pressão arterial (MRPA).

O segundo método é o registro da PA realizado durante a vigília pelo paciente ou outra pessoa treinada, através de aparelho automático, por vários dias, fora do ambiente de consultório, com número de medidas e horários previamente determinados. Demonstrou ser a forma diagnóstica que melhor atua na eliminação dos efeitos anteriormente citados, com as vantagens adicionais de apresentar boa reprodutibilidade, boa capacidade prognóstica, avaliação do efeito do tratamento em diferentes períodos do dia, custo relativamente baixo e boa aceitação pelo paciente.

No mundo, admite-se que menos de 15% da população total de hipertensos tenham alcançado a meta pressórica recomendada, e essa taxa é de apenas 35% entre os hipertensos tratados. Como as diretrizes tornaram as metas pressóricas recomendadas mais baixas, há uma tendencia de aumentar o percentual de indivíduos hipertensos não controlados. Por isso, Miranda e colaboradores (2023) realizaram um estudo com objetivo de fornecer dados epidemiológicos sobre o controle da HA nos consultórios em uma amostra de cardiologistas brasileiros, avaliado pela medida de consultório e residencial (MRPA).

Métodos

Tratou-se uma análise transversal realizada em 231 centros particulares de atenção especializada em cardiologia entre junho e dezembro de 2021. A amostra foi constituída por pacientes com diagnóstico médico de HA, atendidos ambulatorialmente, com idade ≥ 18 anos, em tratamento anti-hipertensivo, podendo ou não estar com a PA controlada.

A medida da PA de consultório foi realizada por profissional médico, segundo as recomendações das VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, utilizando-se manguito apropriado em conformidade com as dimensões do braço do indivíduo. A MRPA foi obtida segundo as orientações da IV Diretriz de Monitorização Residencial da Pressão Arterial e da Diretriz Europeia de Hipertensão Arterial. Sendo assim, foram adquiridas duas medidas no primeiro dia, ainda no ambiente do ambulatório, e medidas domiciliares de 4 dias consecutivos, com três medidas pela manhã e três medidas no horário noturno, totalizando 24 medidas.

Considerou-se HA não controlada, com base na medida do consultório, daqueles participantes que tinham PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg, e com base na MRPA ≥ 135 mmHg para PAS e/ou ≥ 85 mmHg para PAD. Utilizou-se os termos HM não controlada (HMNC) para aqueles participantes da pesquisa que tiveram PA controlada no consultório, mas PA domiciliar ou ambulatorial elevada; HAB não controlada (HABN) para aqueles que tiveram a PA elevada no consultório, mas PA residencial ou ambulatorial controlada, e hipertensão sustentada (HS) para aqueles que tiveram a PA não controlada no consultório e ambulatorial.

Resultados

A amostra estudada foi de 2.540 pacientes, sendo 1,9% da região Norte, 18% da região Nordeste, 58,2% da região Sudeste, 13,5% da região Sul, e 8,3% da região Centro-Oeste. Desses, 62% eram do sexo feminino. A idade média foi de 59,7 ± 15,2 anos, e o IMC médio, de 28,6 ± 5,1 kg/m2.

Os valores médios da PA de consultório foram de 133,3 ± 20,4 mmHg e 82,3 ± 13,2 mmHg, e pela MRPA as médias foram de 125,9 ± 16,1 mmHg, e 78,6 ± 9,3 mmHg para PAS e PAD, respectivamente. Sendo assim, houve uma PA mais elevada no consultório quando comparado as medidas domiciliares.

 Além disso, o estudo mostrou uma prevalência de 15% de HABNC e 10% de HMNC. A prevalência foi de 16% e 8,4%, enquanto no sexo masculino foi de 13,5% e 12,5%, respectivamente.

Em relação ao IMC não houve diferença estatística entre os fenótipos de hipertensão, e em relação à faixa etária, os mais idosos apresentaram a maior prevalência de HMNC e o menor controle pressórico.

A taxa de controle da PA no consultório foi 56,3%. Já no domicílio, houve um controle de 61%, enquanto 46,4% tiveram PA controlada no consultório e fora dele.

Figura 1: Registro Nacional do Controle da Hipertensão Arterial Avaliado pela Medida de Consultório e Residencial no Brasil: Registro LHAR. Imagem retirada de Miranda e colaboradores (2023).

A Diretriz Brasileira de Hipertensão 2020 propôs como valores de normalidade para MRPA 130 mmHg para PAS e 80 mmHg para PAD. Observando esse novo ponte de corte, a prevalência de paciente HABNC foi de 7,6%, HC 34,9%, HMNC 21,8% e HS 35,7%.

Conclusão

O controle pressórico nos consultórios em uma amostra de cardiologistas brasileiros foi de 56,3%, levando em consideração a pressão verificada no interior dos consultórios; 61%, quando a PA foi obtida no domicílio; e 46,4% quando o controle foi observado tanto no consultório como no domicílio. A taxa de controle pressórico no domicílio é modificada para 42,4% utilizando-se os novos pontos de corte propostos pela DBHA 2020.