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Publicado el 14 de junio de 2026

Dermatite alérgica de contato

Redução da sensibilização ao cromo na dermatite alérgica de contato

Uma análise retrospectiva em ambulatório de alergia dermatológica no período de 2010 a 2024 no Brasil.

Autor/a: Hafner, M. F. S. et al.

Fuente: An Bras Dermatol. 2025;100:501227.

Entre os agentes mais envolvidos na dermatite alérgica de contato (DAC) estão os metais, especialmente o cromo (Cr), presente no cimento, couro, produtos de limpeza e cosméticos. O bicromato de potássio (BP) é o composto utilizado como marcador da sensibilização ao Cr nos testes de contato (TC).

 Estudos anteriores apontaram frequências de sensibilização ao Cr variando entre 12% e 47%, com tendência de redução após regulamentações em países europeus. No Brasil, embora ainda sem legislação específica, observações clínicas sugeriram uma diminuição progressiva dos casos.

Nesse contexto, Hafner e colaboradores (2025) conduziram um estudo retrospectivo de 2010 a 2024, em um ambulatório de alergia dermatológica, com objetivo de analisar a redução da sensibilização ao cromo no país.

Foram incluídos 1.599 pacientes com suspeita de DAC, todos submetidos a TC. Utilizou-se a bateria padrão recomendada pelo Grupo Brasileiro de Estudos em Dermatite de Contato (GBEDC), aplicada na região dorsal dos pacientes. As leituras dos testes foram realizadas em 48 e 96 horas, sendo esta última considerada para a análise dos resultados.

Os participantes foram agrupados em três períodos quinquenais: 2010–2014 (grupo A), 2015–2019 (grupo B) e 2020–2024 (grupo C). Foram analisadas as variáveis gênero, ocupação, localização da dermatose e positividade ao BP, utilizando-se o teste do qui-quadrado para a análise estatística.

Entre os pacientes testados, 6,9% apresentaram positividade ao BP. A frequência nos grupos A, B e C foi de 11,4%, 5,6% e 3,6%, respectivamente, com diferença estatisticamente significante entre os períodos, indicando redução consistente ao longo dos anos.

Embora a maioria dos casos tenha ocorrido em homens, não se observou diferença estatisticamente significante entre os períodos quanto à proporção de gêneros, sugerindo redução uniforme entre homens e mulheres.

 A principal localização da dermatite foi nas mãos (81%) seguida por membros superiores (42%), tronco e cabeça (16% cada), membros inferiores (14%) e pés (10%). Entre os casos com acometimento plantar, oito estavam associados ao uso de calçados de couro, material que pode conter Cr em sua fabricação. A ocupação mais frequentemente associada à positividade do Cr foi a de pedreiro (46%), seguida por domésticos (30,5%), trabalhadores de escritório (11%), mecânicos e aposentados (4,5% cada).

Durante o período analisado, foram atendidos 78 pedreiros, com distribuição decrescente ao longo dos anos. A frequência de testes positivos ao BP entre os pedreiros também apresentou redução significante.

Em síntese, o estudo evidenciou redução consistente na sensibilização ao Cr ao longo dos últimos 15 anos, mesmo na ausência de regulamentações nacionais específicas. A tendência observada pode ser resultado de um conjunto de fatores, incluindo mudanças nos processos industriais, substituição de materiais e maior conscientização de empregadores e trabalhadores sobre os riscos da DAC. Os dados reforçaram a importância de ações preventivas e regulamentações que limitem a presença de alérgenos em materiais de uso profissional e doméstico.


Fonte: Redução da sensibilização ao cromo: análise retrospectiva de 2010 a 2024 em serviço de alergia dermatológica | Anais Brasileiros de Dermatologia (Portuguese)