Os alicerces do bem-estar humano são criados antes do nascimento. Infelizmente, muitos bebês passam por dificuldades durante esse período intra-uterino. Como consequência, podem nascer prematuros ou sofrer restrição do crescimento fetal e nascer pequenos para a idade gestacional (PIG). Tanto o nascimento prematuro quanto a restrição do crescimento fetal podem causar baixo peso ao nascer (BPN).
Crianças nascidas prematuras, pequenas para idade gestacional ou com baixo peso ao nascer correm um risco acentuadamente maior de natimorto, morte neonatal e subsequente mortalidade infantil. Além disso, essas condições estão associadas a múltiplas morbidades com consequências adversas a curto e longo prazo para os recém-nascidos, suas famílias e a sociedade em geral, resultando em grande perda de capital humano e econômico. Portanto, a prevenção do parto prematuro e PIG é essencial para a saúde infantil global e o desenvolvimento social.
No entanto, o progresso na prevenção primária tem sido lento, apesar de vários compromissos e metas globais desde 1990. A falta de progresso está relacionada à incapacidade da comunidade global de priorizar intervenções preventivas e abordar todos os recém-nascidos vulneráveis, incluindo aqueles que não têm baixo peso ao nascer. Por isso, pesquisadores do The lancet propuseram uma nova estrutura conceitual para reunir nascimento prematuro, PIG e BPN sob o termo "pequenos recém-nascidos vulneráveis" (small vulnerable newborns, SVN). Esta estrutura pode informar a programação para a prevenção e cuidado dos SVNs e contribuir para mulheres, recém-nascidos, crianças, adultos e sociedades mais saudáveis e prósperos.

Comentários
De acordo um uma série de quatro artigos publicados no The Lancet, oito intervenções comprovadas de baixo custo e facilmente implementáveis para mulheres grávidas em 81 países de baixa e média renda (LMICs) poderiam evitar que um número estimado de 566.000 natimortos e 5,2 milhões de bebês por ano nascessem prematuros.
|
As oito intervenções:
Junto com duas intervenções comprovadas que podem reduzir complicações dos partos prematuros:
|

Essas intervenções têm o potencial de prevenir 476.000 mortes de recém-nascidos. A Série estima o custo de implementação dessas intervenções em US$ 1,1 bilhão em 2030.
Além disso, a análise do The Lancet Series sobre os pequenos recém-nascidos vulneráveis estimou que dos 135 milhões de bebês nascidos vivos em 2020, um em cada quatro (35,3 milhões) nasceu prematuro ou pequeno para a idade gestacional, alguns com baixo peso ao nascer. Esses bebês nasceram em todos os países, sendo a maioria na África subsaariana e no sul da Ásia.
Os autores destacaram que, em todas as regiões, o progresso na redução do nascimento prematuro e baixo peso ao nascer é estagnado e fora de alcance: a Meta Global de Nutrição exige uma redução de 30% no número de bebês com baixo peso ao nascer até 2030 a partir de uma linha de base de 2012, no entanto, a taxa de redução anual estimada é de apenas 0,59%.
Em uma chamada global à ação, a série defende uma melhor qualidade de atendimento para mulheres durante a gravidez e o parto e, especificamente, a ampliação das intervenções na gravidez em 81 países de baixa e média renda, o que, segundo estimativas da série, poderia prevenir aproximadamente 32% das mortes fetais, 20% das mortes de recém-nascidos e 18% de todos os nascimentos de SVN nesses países.
Com mais de 80% dos nascimentos ocorrendo em instituições, os autores enfatizam que também é possível uma melhor coleta e uso de dados, garantindo que cada gravidez seja datada com a idade gestacional precisa e que todos os recém-nascidos, bem como todos os natimortos, sejam pesados e classificados por tipo SVN. Além de ajudar a garantir cuidados de boa qualidade, a Série diz que uma melhor coleta de dados é essencial para informar o progresso e gerar responsabilidade. A contagem de natimortos é importante para capturar a carga total, pois novas análises da série destacam que 74% dos natimortos foram prematuros em um subconjunto de países.

O professor Per Ashorn, da Universidade de Tampere, Finlândia e principal autor da série, disse: “Apesar de vários compromissos e metas globais destinados a reduzir os resultados de SVN desde 1990, um quarto dos bebês no mundo 'nasce muito pequeno' ou 'nasce cedo demais'. A série sugere que já temos o conhecimento para reverter a tendência atual e salvar a vida de mais de 100.000 bebês por ano a um custo de US$ 1,1 bilhão, uma fração do que outros programas de saúde recebem. Precisamos de atores nacionais, com parceiros globais, para priorizar ações, advogar e investir com urgência.”