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Publicado el 18 de marzo de 2024

Do projeto “Fardo das doenças de pele”

Qualidade de vida e estigmatização em pessoas com doenças de pele

Uma avaliação do impacto das doenças dermatológicas mais comuns em pacientes adultos em toda Europa

Autor/a: Gisondi et al. (2023) |

Fuente: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jdv.18917

Introdução

Sabe-se que diversas doenças de pele têm um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes, não apenas aquelas potencialmente fatais, como o melanoma, mas também as crônicas, como psoríase e dermatite atópica. Além de afetar o bem-estar e a vida pessoal cotidiana, essas condições podem levar a consequências psicológicas, como depressão e ansiedade.

Embora tenham sido realizados muitos estudos sobre os diferentes impactos das doenças de pele, a maioria deles teve como participantes pacientes recrutados em hospitais ou centros clínicos, excluindo assim pessoas com doenças de pele que não procuram atendimento médico regular. Por essa razão, Gisondi et al., (2023) conduziram um estudo com o objetivo de avaliar a carga das doenças dermatológicas comuns na qualidade de vida, na vida profissional e na estigmatização de pacientes adultos em toda a Europa.

Métodos

No estudo, foi empregado um inquérito de base populacional em uma amostra representativa da população geral europeia com 18 anos ou mais. Os participantes que relataram ter tido um ou mais problemas ou doenças de pele nos últimos 12 meses foram submetidos ao questionário Dermatology Life Quality Index e responderam perguntas sobre o impacto da sua condição de pele na vida diária e profissional, bem como sobre ansiedade/depressão e estigmatização.

Resultados

A amostra do estudo consistiu em 19.915 indivíduos, dos quais 44,7% eram do sexo masculino. A qualidade de vida mostrou-se especialmente afetada em pessoas com hidradenite supurativa (HS) e doenças sexualmente transmissíveis. Aproximadamente metade dos participantes com acne, alopecia ou urticária crônica, e cerca de 40% daqueles com dermatite atópica (DA), câncer de pele ou psoríase, relataram um impacto moderado a extremamente grande da doença em sua qualidade de vida.

No geral, 88,1% dos participantes consideraram a doença de pele constrangedora em suas vidas pessoais, e 83% relataram o mesmo em suas vidas profissionais. Cerca da metade dos entrevistados mencionou dificuldades para dormir, cansaço e impacto da doença nos cuidados pessoais. Quanto à estigmatização, 14,5% se sentiram rejeitados por outros devido à doença de pele, e 19,2% relataram ter sido olhados com repulsa. Ansiedade e depressão foram frequentemente relatadas por pacientes com todas as doenças de pele.

Discussão

Os autores observaram um impacto significativo de várias doenças de pele na vida das pessoas afetadas. Em geral, cerca de metade dos participantes com pelo menos uma condição dermatológica considerou sua situação bastante ou muito constrangedora em suas vidas pessoais ou profissionais. Ademais, metade desses também relatou ansiedade ou depressão moderada a alta, enquanto 15% a 20% mencionaram sentimentos de estigmatização.

Doenças dermatológicas podem afetar a vida profissional das pessoas. O absenteísmo ou o presenteísmo podem ser resultados diretos da condição clínica e podem influenciar o curso da vida de uma pessoa. Vários participantes do estudo mencionaram ter que mudar sua carreira, recusar ofertas de emprego ou serem rejeitados em empregos desejados devido à sua condição dermatológica.

Uma limitação importante do estudo foi que os dados foram coletados por meio de questionários, o que significa que os diagnósticos foram baseados no relato dos participantes, sem informações adicionais sobre a gravidade das doenças. No entanto, essa abordagem permitiu alcançar pessoas que não se consultam regularmente um dermatologista, fornecendo dados da população geral em vez de uma população selecionada como em outros estudos.

Conclusão

O estudo destacou a carga psicossocial enfrentada por pessoas com doenças de pele e a necessidade de abordar seu impacto na qualidade de vida e na estigmatização no contexto do cuidado aos pacientes. O impacto na vida profissional destacou a importância de intervenções precoces para evitar consequências no curso da vida dos pacientes.