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/ Publicado el 6 de enero de 2026

Eficácia e segurança

Qual o melhor regime antibiótico para tratar endometrite crônica?

Estudo clínico randomizado comparou a eficácia e a segurança da doxiciclina isolada com a combinação de levofloxacino e tinidazol em pacientes com endometrite crônica.

Autor/a: Liu, Y. et al.

Fuente: Am J Obstet Gynecol. 2025 Aug 5:S0002-9378(25)00525-3. Doxycycline vs levofloxacin combined with tinidazole for treating chronic endometritis: a randomized controlled trial

A endometrite crônica (EC) é uma inflamação persistente do endométrio, geralmente de origem infecciosa, caracterizada histologicamente pela presença de plasmócitos no estroma endometrial. Embora muitas vezes assintomática, essa condição pode se manifestar com sinais inespecíficos, como sangramento uterino anormal, dor pélvica ou leucorreia.

A taxa de cura espontânea é extreamente baixa, e a doxiciclina isolada ou a combinação de levofloxacino e tinidazol são os dois esquemas antibióticos mais amplamente utilizados para o tratamento. No entanto, atualmente não há consenso sobre o regime ideal e as diretrizes atuais baseiam-se em evidências limitadas, sem recomendações padronizadas para escolha do antibiótico.

Diante disso, o estudo de Liu e colaboradores (2025) teve como objetivo avaliar a eficácia e a segurança da doxiciclina isolada e da combinação de levofloxacino com tinidazol como terapias antibióticas para EC.

No ensaio clínico randomizado paralelo, 160 pacientes com diagnóstico de EC confirmado por CD138 foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: 79 no grupo tratamento, que recebeu levofloxacino combinado com tinidazol, e 81 no grupo controle, que recebeu apenas doxiciclina. Foram realizadas histeroscopias repetidas e biópsias endometriais durante o primeiro período proliferativo menstrual após a terapia antibiótica para avaliar a resolução da endometrite crônica. A taxa de cura após um ciclo, baseada na conversão da expressão de CD138 de positiva para negativa, e a incidência de reações adversas foram comparadas entre os grupos.

Após um ciclo de terapia antibiótica, não houve diferença na taxa de cura da endometrite crônica entre os grupos, com taxas de 84,8% vs. 77,8% e P=.255. Na análise de subgrupos baseada na gravidade da endometrite crônica, não houve diferenças entre os grupos, independentemente de ser leve ou grave. Na análise por intenção de tratar (n=172), as taxas de cura foram 77,9% e 73,3% nos grupos tratamento e controle, respectivamente, também sem diferença entre os grupos. Na análise de segurança, a incidência de reações adversas foi significativamente maior no grupo que recebeu levofloxacino combinado com tinidazol, atingindo 11,6%, em comparação a 2,3% no grupo tratado apenas com doxiciclina.

Em conclusão, os dois esquemas terapêuticos antibióticos foram eficazes e seguros para tratar a endometrite crônica. Apesar da ausência de diferença estatisticamente significativa nas taxas de cura entre os grupos, a doxiciclina isolada é recomendada como tratamento de primeira linha devido à menor incidência de reações adversas, oferecendo eficácia semelhante com melhor perfil de tolerabilidade e contribuindo para uma abordagem mais segura no manejo da EC.