Em média 60 milhões de pessoas no mundo sofrem com psoríase, uma doença inflamatória crônica da pele associada a diversas comorbidades, como síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Seu desenvolvimento envolve fatores genéticos e ambientais, incluindo estresse, sedentarismo e alimentação inadequada.
Estudos indicaram que a dieta mediterrânea, devido às suas propriedades anti-inflamatórias, pode ajudar no manejo da psoríase, mas a adesão a esse padrão alimentar ainda é baixa entre pacientes. Sendo assim, Xu e colaboradores (2025) buscaram analisar a relação entre psoríase e qualidade da dieta, investigando como padrões alimentares podem influenciar a gravidade da doença e suas comorbidades.
Para isso, com a coorte de dados do UK Biobank, indivíduos foram identificados com psoríase por meio de auto-relato e/ou registros médicos e foram comparados a participantes sem a doença. A ingestão alimentar foi avaliada por meio de registros online de 24 horas, realizados a cada 3-4 meses ao longo de um ano. As médias de nutrientes e grupos alimentares foram para determinar a adesão às diretrizes alimentares nacionais e a dieta mediterrânea. Além disso, a qualidade da alimentação foi avaliada pelo Eatwell Score (EWS), um índice baseado nas diretrizes do Eatwell Guide do Reino Unido, que mede o cumprimento das recomendações nutricionais, considerando fatores como ingestão de frutas, vegetais, fibras, gorduras saturadas, sal e açúcar. Por fim, as associações entre a gravidade da psoríase, a presença de comorbidades e os escores de qualidade alimentar foram avaliadas por modelos de regressão ajustados para covariáveis.
O estudo incluiu um total de 123.168 participantes, dos quais 2.613 tinham psoríase (2,1%) e 120.555 foram controles (97,9%), com idade média de 56,5 e 56,2 anos, respectivamente, sendo a proporção de mulheres 49,6% nos indivíduos com a doença e 56,2% no controle. Além disso, os grupos apresentaram escores médios semelhantes de Eatwell Score (EWS), e os indivíduos com psoríase tiveram um índice ligeiramente mais alto de adesão à dieta mediterrânea alternativa. Os participantes com a doença relataram maior consumo de carnes vermelhas e processadas, sódio, açúcares livres e álcool em comparação ao controle. Dentro do grupo com psoríase, não houve diferença significativa na qualidade da dieta entre diferentes graus de severidade clínica, mas os indivíduos com psoríase mais grave tiveram menor probabilidade de atingir as diretrizes de consumo diário de frutas, vegetais e oleaginosas em comparação àqueles sem tratamento. Paralelamente, aqueles com comorbidades apresentaram pior qualidade na dieta, reforçando a importância de recomendações nutricionais específicas para melhorar o manejo da psoríase e suas complicações.
Entre os participantes com psoríase, 81.9% apresentavam ao menos uma comorbidade, sendo que 68.4% tinham doenças cardiometabólicas, como hipertensão, dislipidemia e diabetes tipo 2. Distúrbios mentais afetaram 14.7%, principalmente depressão e ansiedade, enquanto 23.3% tinham algum tipo de câncer. A qualidade da dieta foi inferior entre indivíduos com comorbidades, especialmente no índice alternativo da dieta mediterrânea (aMED), sendo essa relação mais evidente em quem não alterou os hábitos alimentares nos últimos cinco anos. Em casos de artrite psoriásica (PsA), os escores alimentares foram levemente menores, sem associação significativa com a dieta.
Como resultado, quanto melhor a alimentação, menor o risco cardiometabólico. De modo mais específico, um EWS mais alto correlacionou-se com frequência cardíaca, IMC, colesterol total, LDL e triglicerídeos mais baixos, enquanto um maior aMED se relacionou a menores níveis de pressão arterial, colesterol total, HDL e LDL. Além disso, a associação entre menor EWS e presença de comorbidade foi mediada pelo IMC, enquanto a relação com menor aMED foi independente desse fator, sugerindo que estratégias de controle de peso podem ser relevantes para otimizar intervenções nutricionais. Por outro lado, não houve relação significativa entre qualidade da dieta e rigidez arterial, glicose ou HbA1c.
Em síntese, o estudo de Xu e colaboradores (2025) demonstrou que a nutrição desempenha um papel fundamental no manejo da psoríase, especialmente devido à alta prevalência de comorbidades cardiometabólicas nessa população. Estratégias de controle de peso podem melhorar os desfechos de saúde, sobretudo entre aqueles com dietas de baixa qualidade. Embora a adesão à dieta mediterrânea seja ligeiramente maior, desafios alimentares ainda persistem nessa população, impactando sua saúde metabólica. Assim, a inclusão de intervenções nutricionais no cuidado da psoríase pode contribuir para o controle dos sintomas e complicações. No entanto, estudos futuros ainda são necessários para aprofundar o entendimento sobre a relação entre dieta e doença e viabilizar estratégias mais eficazes.