| Introdução |
A cada ano, cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuros em todo o mundo, sendo essa a principal causa de mortalidade infantil. O parto prematuro é uma síndrome causada por múltiplos fatores etiológicos. O colo uterino curto, definido como a medida do comprimento cervical via ultrassonografia transvaginal ≤25 mm no segundo trimestre de gravidez, é um fator de risco significativo para o parto prematuro espontâneo.
Um estudo de 2012 relatou que a administração de progesterona vaginal foi associada a uma redução significativa no risco de parto prematuro entre <28 semanas e <35 semanas de gestação. No entanto, o estudo OPPTIMUM não encontrou os mesmos resultados, gerando incerteza entre médicos e organizações científicas.
Por essa razão, Romero e colaboradores (2017) realizaram uma metanálise para avaliar a eficácia da progesterona vaginal na redução do risco de parto prematuro e de resultados perinatais adversos em mulheres assintomáticas com gestação única e colo uterino curto (comprimento cervical ≤25 mm).
| Métodos |
Para o estudo, foi realizada uma revisão sistemática e metanálise de dados individuais de pacientes, analisados posteriormente por meio de uma abordagem em duas etapas. O desfecho primário foi o nascimento prematuro antes de 33 semanas de gestação, enquanto os secundários incluíram resultados perinatais adversos e resultados de desenvolvimento neurológico e de saúde aos 2 anos de idade. Foram calculados riscos relativos agrupados (RR) com intervalos de confiança (IC) de 95%. A qualidade das evidências foi avaliada utilizando a metodologia GRADE.
| Resultados |
Foram disponibilizados dados de 974 mulheres (498 designadas para progesterona vaginal e 476 para placebo) com comprimento cervical ≤25 mm, participantes de cinco ensaios de alta qualidade.
A progesterona vaginal foi associada a uma redução significativa no risco de parto prematuro antes de 33 semanas de gestação (RR 0,62, IC 95% 0,47-0,81, P = 0,0006; evidência de alta qualidade). Além disso, diminuiu significativamente o risco de parto prematuro antes de 36, 35, 34, 32, 30 e 28 semanas de gestação, parto prematuro espontâneo antes de 33 e 34 semanas de gestação, síndrome do desconforto respiratório, síndrome neonatal composta por morbidade e mortalidade, peso ao nascer inferior a 1.500 e 2.500 g e admissão em unidade de terapia intensiva neonatal (RR de 0,47 a 0,82; evidência de alta qualidade para todos).
Houve 7 (1,4%) mortes neonatais no grupo da progesterona vaginal e 15 (3,2%) no placebo (RR 0,44, IC 95% 0,18-1,07, P = 0,07; evidência de baixa qualidade). Os eventos adversos maternos, anomalias congênitas e resultados adversos de desenvolvimento neurológico e de saúde aos 2 anos de idade não diferiram entre os grupos.
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Conclusão Durante a revisão sistemática e metanálise, os autores sugeriram que há evidências convincentes de que a progesterona vaginal reduz o risco de parto prematuro e resultados perinatais adversos em pacientes com gestação única e colo curto no segundo trimestre, independentemente da história de parto prematuro espontâneo, sem quaisquer efeitos deletérios demonstráveis no neurodesenvolvimento infantil ou na saúde materna. As descobertas devem tranquilizar os médicos e organizações profissionais/científicas de que a substância é eficaz e segura. |