| Introdução |
Atualmente, nos Estados Unidos, 1 em cada 17 adultos apresenta níveis de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) de 189 mg/dL, enquanto 1 em cada 48 adultos apresenta níveis iguais ou superiores a 190 mg/dL, o que implica em riscos significativos para a saúde. Para abordar essa questão, Sayed e colaboradores (2023) realizaram um estudo transversal com o objetivo de comparar a prevalência, a conscientização e o tratamento do LDL-C elevado em adultos americanos nos períodos de 1999-2000 e 2017-2020.
| Métodos |
Neste estudo transversal, os pesquisadores utilizaram dados do National Health and Nutrition Examination Survey para identificar adultos dos EUA (≥ 20 anos) com níveis de LDL-C de 160-189 mg/dL e ≥ 190 mg/dL, entre os ciclos de 1999-2000 a 2017-2020. Os indivíduos foram classificados como "desavisados" se nunca realizaram medições de LDL-C ou foram informados sobre níveis elevados, e como "não tratados" se não utilizavam estatinas, ezetimiba, sequestrantes de ácidos biliares ou inibidores da proproteína convertase subtilisina/kexina tipo 9. A análise das tendências temporais foi realizada por regressão logística, com o ciclo de pesquisa como variável independente. Assim como, a prevalência estratificada por idade, sexo, raça, etnia, nível educacional, índice de pobreza e status de seguro foi comparada usando regressão logística. E, por fim, as análises estatísticas foram conduzidas no R versão 4.2.0, utilizando pesos de pesquisa e considerando um valor de p bicaudal < 0,05.
| Resultados |
Entre 1999 e 2020, 23.667 participantes foram incluídos no estudo, dos quais 1.851 (7,8%) apresentaram níveis de LDL-C entre 160-189 mg/dL e 669 (2,8%) apresentaram níveis de LDL-C ≥ 190 mg/dL. A prevalência ajustada por idade de LDL-C entre 160-189 mg/dL diminuiu de 12,4% (IC 95%, 10,0%-15,3%; representando 21,5 milhões de adultos) em 1999-2000 para 6,1% (IC 95%, 4,8%-7,6%; representando 14,0 milhões) em 2017-2020 (P < 0,001). Para níveis de LDL-C ≥ 190 mg/dL, a prevalência ajustada caiu de 3,8% (IC 95%, 2,8%-5,2%; representando 6,6 milhões) em 1999-2000 para 2,1% (IC 95%, 1,4%-3,0%; representando 4,8 milhões) em 2017-2020 (P = 0,001). Entre os indivíduos com LDL-C entre 160-189 mg/dL, a fração "desavisada e não tratada" caiu de 52,1% (IC 95%, 41,0%-63,0%; representando 11,9 milhões) em 1999-2000 para 42,7% (IC 95%, 33,6%-52,3%; representando 6,1 milhões) em 2017-2020. Para aqueles com LDL-C ≥ 190 mg/dL, essa fração diminuiu de 40,8% (IC 95%, 26,9%-56,3%; representando 3,0 milhões) para 26,8% (IC 95%, 12,6%-48,2%; representando 1,4 milhões). A falta de conhecimento e tratamento foi mais comum em adultos mais jovens, homens, minorias raciais e étnicas, indivíduos com menor nível educacional, menor renda e sem seguro saúde.
| Conclusão |
Embora a prevalência de LDL-C severamente elevado tenha diminuído, 1 em cada 4 indivíduos desconhece a condição e não recebe tratamento, com uma proporção maior observada entre aqueles com LDL-C entre 160 e 189 mg/dL. Isso destaca a necessidade urgente de estratégias para identificar e tratar esses indivíduos, visando melhorar os resultados e reduzir possíveis disparidades. O estudo apresentou algumas limitações, como a inclusão de indivíduos grávidas, o que pode ter influenciado o aumento dos níveis de LDL-C. Assim, são necessárias pesquisas futuras para uma compreensão mais aprofundada da prevalência do LDL-C.