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/ Publicado el 10 de julio de 2025

Saúde pública

Prescrição de medicamentos antiobesidade em adolescentes: uma nova tendência?

Análise do aumento no uso de medicamentos para obesidade entre jovens americanos (2018-2023) revelou padrões e disparidades importantes.

Autor/a: Kompaniyets L, Pierce SL, Porter R, et al.

Fuente: MMWR Morb Mortal Wkly Rep, V. 74, Pg. 337- 344, 2025. Prescriptions for Obesity Medications Among Adolescents Aged 12–17 Years with Obesity — United States, 2018–2023

Aproximadamente um em cada cinco adolescentes nos Estados Unidos tem obesidade. Essa doença é crônica que afeta a saúde física, social e emocional de uma criança e aumenta o risco de obesidade adulta, diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) e doenças cardíacas.

Em 2022, a Food and Drug Administration (FDA) expandiu sua aprovação de cápsulas de liberação prolongada de fentermina e topiramato e semaglutida para controle crônico de peso em adultos para incluir adolescentes de 12 a 17 anos. No início de 2023, a Academia Americana de Pediatria (AAP) lançou a Diretriz de Prática Clínica para a Avaliação e Tratamento de Crianças e Adolescentes com Obesidade, que recomendou que os médicos ofereçam medicamentos para obesidade, incluindo agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1s), para adolescentes com idade ≥12 anos com obesidade como um complemento ao tratamento de comportamento e estilo de vida.

Os dados sobre o uso de medicamentos para obesidade entre adolescentes são limitados. Um estudo de 2024 relatou um aumento de 504% (entre meninos) a 588% (entre meninas) no número de GLP-1s dispensados para esse grupo nos EUA durante 2020–2023. Outra análise do mesmo ano descobriu que o lançamento da diretriz da AAP em 2023 foi associado a aumentos nas prescrições de medicamentos entre crianças e adolescentes de 8 a 17 anos que tinham obesidade, mas não tinham DMT2. No entanto, a análise não descreveu os fatores associados à prescrição após o lançamento da diretriz. Por isso, Kompaniyets e colaboradores (2025) realizaram um relatório para avaliar as tendências na prescrição de fármacos antiobesidade entre adolescentes.

Para avaliar as tendencias na proporção de adolescentes americanos com obesidade que receberam medicamentos antiobesidade, os autores avaliaram dados ambulatoriais dos registros eletrônicos de saúde durante 2018-2023. Modelos log-binomiais foram usados para estimar as características dos adolescentes associadas ao recebimento do fármaco em 2023.

Em 2023, entre 93.121 adolescentes com obesidade, 40,9% apresentavam a doença na forma grave, sendo 26,9% de classe 2 e 14,0% de classe 3.

Entre 526.973 adolescentes dos EUA com idades entre 12 e 17 anos com obesidade durante 2018–2023, a porcentagem bruta dos que receberam prescrições de medicamentos antiobesidade foi baixa no geral, aumentando de 0,1% em 2020 para 0,2% em 2022, e então elevando acentuadamente para 0,5% em 2023.

Entre 427 adolescentes com pelo menos uma prescrição de medicamento para obesidade em 2023, 354 (82,9%) tinham obesidade grave, incluindo 31,1% de classe 2 e 51,8% de classe 3.

Em análises ajustadas, os adolescentes tinham maior probabilidade de receber prescrição de medicamentos para obesidade se fossem meninas e com idades entre 15 e 17 anos. Os com a doença de classe 2 tinham maior probabilidade de receber a prescrição em comparação com os de classe 1 e 3.

Quando a análise foi restrita a 12.192 adolescentes negros e 51.900 brancos, os primeiros tiveram 39% menos probabilidade de receber prescrição de medicamentos antiobesidade do que os brancos, apesar de terem 27% mais probabilidade de ter obesidade grave.

Em 2023, 57,1% dos adolescentes com obesidade que receberam prescrição de medicamentos para obesidade receberam uma prescrição de semaglutida, seguido por fentermina ou fentermina-topiramato (37,7%), liraglutida (11,9%) e outros (3,3%).

Em conclusão, os resultados demonstraram que os profissionais de saúde tenderam a prescrever medicamentos a obesidade para adolescentes com a doença grave. Um grau mais alto foi associado ao aumento do risco cardiometabólico, menor qualidade de vida relacionada à saúde e declínios na função física, o que pode ter impulsionado os profissionais a prescrever esses fármacos.