Os antibióticos têm sido revolucionários na história da assistência médica para o tratamento de infecções bacterianas. No entanto, a resistência antimicrobiana (RAM) tem sido reconhecida como uma das maiores ameaças à saúde pública global. Por causa disso, muitas políticas têm sido implementadas para melhorar a prescrição desses fármacos.
A atenção primária na Inglaterra foi responsável por 80,5% de todos os antibióticos prescritos em 2021 e testemunhou uma redução de 17,2% no seu uso entre 2017 e 2021. Nesse período, o National Institute for Health and Care Excellence da Inglaterra disseminou diretrizes para o gerenciamento de antimicrobianos, destacando a necessidade do fármaco frente ao risco de RAM.
Com isso, Fahmi e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar se os antibióticos para infecções comuns na atenção primária foram prescritos de acordo com o prognóstico de um paciente (ou seja, de maneira baseada no risco, com base nos riscos de complicações relacionadas à infecção). Além disso, eles avaliaram como a pandemia da COVID-19 impactou nessas prescrições.
Para isso, eles realizaram um estudo de coorte de infecções comuns e prescrição de antibióticos. Utilizaram registros de saúde de pacientes pseudonimizados da The Phoenix Partnership, com a aprovação do NHS England. Os participantes incluíram adultos registrados em clínicas gerais na Inglaterra com registro de infecção comum – infecção do trato respiratório inferior (ITRI), infecções do trato respiratório superior (ITRS) e infecção do trato urinário inferior (ITU) – de janeiro de 2019 a março de 2023.
O estudo revelou que a prescrição de antibióticos na atenção primária inglesa não foi relacionada ao prognóstico e ao risco de internação hospitalar relacionada à infecção para ITRI e ITU, e apenas fracamente baseada no risco para ITRS. Pacientes mais velhos e com o nível mais alto de comorbidade tiveram menos probabilidade de receber antibióticos, apesar de apresentarem maior risco de internação hospitalar. A pandemia da COVID-19 teve um impacto tanto em ITRI quanto em ITRS, reduzindo a probabilidade de prescrição de antibióticos, dado o risco de internação hospitalar relacionada à infecção.
Sendo assim, diante da ameaça do uso excessivo de antibióticos e seus impactos no desenvolvimento da RAM, muitas políticas têm sido implementadas para reduzir a prescrição geral de antibióticos na atenção primária. No entanto, isso não resultou em uma maior probabilidade de antibióticos serem prescritos para pacientes com maiores riscos de internações hospitalares relacionadas a infecções, apesar das diferenças substanciais nos riscos entre aqueles nos decis de risco mais baixos e mais altos. A pandemia da COVID-19 exacerbou essa situação, uma vez que a prescrição de antibióticos para infecções comuns se tornou ainda menos baseada no risco. Dada a possibilidade de desenvolvimento de RAM em pacientes e efeitos colaterais com antibióticos, há necessidade de direcionar melhor os antibióticos na atenção primária para pacientes com pior prognóstico.
Publicado el 13 de mayo de 2025
Resistência antimicrobiana
Prescrição de antibióticos na atenção primária
Estudo revelou que a prescrição de antibióticos em pacientes de alto risco não acompanha o prognóstico, com a pandemia exacerbando o problema.
Autor/a: Fahmi A, Yang Y-T, Zhong X, et al.
Fuente: Journal of the Royal Society of Medicine. 2025;118(4):126-137. doi:10.1177/01410768251328997 Antibiotics for common infections in primary care before, during and after the COVID-19 pandemic: cohort study of extent of prescribing based on risks of infection-related hospital admissions.
Os antibióticos têm sido revolucionários na história da assistência médica para o tratamento de infecções bacterianas. No entanto, a resistência antimicrobiana (RAM) tem sido reconhecida como uma das maiores ameaças à saúde pública global. Por causa disso, muitas políticas têm sido implementadas para melhorar a prescrição desses fármacos.
A atenção primária na Inglaterra foi responsável por 80,5% de todos os antibióticos prescritos em 2021 e testemunhou uma redução de 17,2% no seu uso entre 2017 e 2021. Nesse período, o National Institute for Health and Care Excellence da Inglaterra disseminou diretrizes para o gerenciamento de antimicrobianos, destacando a necessidade do fármaco frente ao risco de RAM.
Com isso, Fahmi e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar se os antibióticos para infecções comuns na atenção primária foram prescritos de acordo com o prognóstico de um paciente (ou seja, de maneira baseada no risco, com base nos riscos de complicações relacionadas à infecção). Além disso, eles avaliaram como a pandemia da COVID-19 impactou nessas prescrições.
Para isso, eles realizaram um estudo de coorte de infecções comuns e prescrição de antibióticos. Utilizaram registros de saúde de pacientes pseudonimizados da The Phoenix Partnership, com a aprovação do NHS England. Os participantes incluíram adultos registrados em clínicas gerais na Inglaterra com registro de infecção comum – infecção do trato respiratório inferior (ITRI), infecções do trato respiratório superior (ITRS) e infecção do trato urinário inferior (ITU) – de janeiro de 2019 a março de 2023.
O estudo revelou que a prescrição de antibióticos na atenção primária inglesa não foi relacionada ao prognóstico e ao risco de internação hospitalar relacionada à infecção para ITRI e ITU, e apenas fracamente baseada no risco para ITRS. Pacientes mais velhos e com o nível mais alto de comorbidade tiveram menos probabilidade de receber antibióticos, apesar de apresentarem maior risco de internação hospitalar. A pandemia da COVID-19 teve um impacto tanto em ITRI quanto em ITRS, reduzindo a probabilidade de prescrição de antibióticos, dado o risco de internação hospitalar relacionada à infecção.
Sendo assim, diante da ameaça do uso excessivo de antibióticos e seus impactos no desenvolvimento da RAM, muitas políticas têm sido implementadas para reduzir a prescrição geral de antibióticos na atenção primária. No entanto, isso não resultou em uma maior probabilidade de antibióticos serem prescritos para pacientes com maiores riscos de internações hospitalares relacionadas a infecções, apesar das diferenças substanciais nos riscos entre aqueles nos decis de risco mais baixos e mais altos. A pandemia da COVID-19 exacerbou essa situação, uma vez que a prescrição de antibióticos para infecções comuns se tornou ainda menos baseada no risco. Dada a possibilidade de desenvolvimento de RAM em pacientes e efeitos colaterais com antibióticos, há necessidade de direcionar melhor os antibióticos na atenção primária para pacientes com pior prognóstico.