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/ Published on May 13, 2025

Resistência antimicrobiana

Prescrição de antibióticos na atenção primária

Estudo revelou que a prescrição de antibióticos em pacientes de alto risco não acompanha o prognóstico, com a pandemia exacerbando o problema.

Author: Fahmi A, Yang Y-T, Zhong X, et al.

Fuente: Journal of the Royal Society of Medicine. 2025;118(4):126-137. doi:10.1177/01410768251328997 Antibiotics for common infections in primary care before, during and after the COVID-19 pandemic: cohort study of extent of prescribing based on risks of infection-related hospital admissions.

Os antibióticos têm sido revolucionários na história da assistência médica para o tratamento de infecções bacterianas. No entanto, a resistência antimicrobiana (RAM) tem sido reconhecida como uma das maiores ameaças à saúde pública global. Por causa disso, muitas políticas têm sido implementadas para melhorar a prescrição desses fármacos.

A atenção primária na Inglaterra foi responsável por 80,5% de todos os antibióticos prescritos em 2021 e testemunhou uma redução de 17,2% no seu uso entre 2017 e 2021. Nesse período, o National Institute for Health and Care Excellence da Inglaterra disseminou diretrizes para o gerenciamento de antimicrobianos, destacando a necessidade do fármaco frente ao risco de RAM.

Com isso, Fahmi e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar se os antibióticos para infecções comuns na atenção primária foram prescritos de acordo com o prognóstico de um paciente (ou seja, de maneira baseada no risco, com base nos riscos de complicações relacionadas à infecção). Além disso, eles avaliaram como a pandemia da COVID-19 impactou nessas prescrições.

Para isso, eles realizaram um estudo de coorte de infecções comuns e prescrição de antibióticos. Utilizaram registros de saúde de pacientes pseudonimizados da The Phoenix Partnership, com a aprovação do NHS England. Os participantes incluíram adultos registrados em clínicas gerais na Inglaterra com registro de infecção comum – infecção do trato respiratório inferior (ITRI), infecções do trato respiratório superior (ITRS) e infecção do trato urinário inferior (ITU) – de janeiro de 2019 a março de 2023.

O estudo revelou que a prescrição de antibióticos na atenção primária inglesa não foi relacionada ao prognóstico e ao risco de internação hospitalar relacionada à infecção para ITRI e ITU, e apenas fracamente baseada no risco para ITRS. Pacientes mais velhos e com o nível mais alto de comorbidade tiveram menos probabilidade de receber antibióticos, apesar de apresentarem maior risco de internação hospitalar. A pandemia da COVID-19 teve um impacto tanto em ITRI quanto em ITRS, reduzindo a probabilidade de prescrição de antibióticos, dado o risco de internação hospitalar relacionada à infecção.

Sendo assim, diante da ameaça do uso excessivo de antibióticos e seus impactos no desenvolvimento da RAM, muitas políticas têm sido implementadas para reduzir a prescrição geral de antibióticos na atenção primária. No entanto, isso não resultou em uma maior probabilidade de antibióticos serem prescritos para pacientes com maiores riscos de internações hospitalares relacionadas a infecções, apesar das diferenças substanciais nos riscos entre aqueles nos decis de risco mais baixos e mais altos. A pandemia da COVID-19 exacerbou essa situação, uma vez que a prescrição de antibióticos para infecções comuns se tornou ainda menos baseada no risco. Dada a possibilidade de desenvolvimento de RAM em pacientes e efeitos colaterais com antibióticos, há necessidade de direcionar melhor os antibióticos na atenção primária para pacientes com pior prognóstico.