A European Society of Cardiology (ESC) elaborou novas diretrizes sobre cardiologia esportiva e exercícios em pacientes com doença cardiovascular (DCV), abrangendo diversas condições cardiovasculares.
Fatores de risco cardiovascular: A principal causa de mortalidade associada ao exercício em atletas é a morte súbita cardíaca (MSC), geralmente atribuída à doença coronariana (DAC). É sabido que indivíduos saudáveis e com DCV devem se exercitar em média 150 minutos/dia em intensidade moderada, e a realização de teste de esforço máximo (de preferência teste de esforço cardiopulmonar [TECP]) facilita as recomendações de exercícios.
Síndrome Coronariana Crônica e Aguda: Atletas adultos devem realizar triagem cardiovascular, incluindo avaliação dos fatores de risco cardiovascular e teste ergométrico. Não se recomenda a prática de esportes competitivos para indivíduos com DAC e alto risco de eventos adversos induzidos por exercício ou com isquemia residual.
Insuficiência Cardíaca Crônica: Após a otimização da terapia medicamentosa, a realização de exercícios melhora a qualidade de vida, sendo importante o TECP para avaliação basal da capacidade funcional, resposta hemodinâmica e indutibilidade de arritmia com exercício.
Valvopatia: O prolapso da válvula mitral (sem características de alto risco) é uma condição relativamente benigna, desse modo, indivíduos assintomáticos com valvopatia leve ou com doença valvar moderada, boa capacidade funcional e nenhuma evidência de isquemia miocárdica, arritmias complexas ou comprometimento hemodinâmico podem participar de esportes competitivos.
Aortopatia: A realização de esportes por atletas com aortopatia diminui o risco de eventos cardiovasculares e mortalidade. Aqueles com raiz aórtica <40 mm possuem menor risco.
Cardiomiopatias, miocardite e pericardite: Em casos de cardiomiopatia hipertrófica e miocardite ou pericardite resolvidas é aconselhada a realização de uma avaliação cardiovascular abrangente a fim de decidir de forma individualizada a participação em esportes. Enquanto houver inflamação ativa na miocardite aguda, o paciente deve evitar a prática de esportes. Em pacientes com cardiomiopatia arritmogênica os exercícios físicos de alta intensidade não são recomendados, pois influenciam na progressão da doença.
Arritmias e canalopatias: Há três princípios que guiam o tratamento: gerenciar os sintomas, prevenir as arritmias com risco de vida durante a prática esportiva e prevenir a progressão da arritmia induzida por exercícios. Exercícios moderados são recomendados para prevenir a fibrilação atrial (FA). É recomendado que atletas profissionais com pré-excitação assintomática realizem estudo eletrofisiológico a fim de descartar a possibilidade de características de alto risco. No caso de pacientes com marca-passos devem ser incentivados a se exercitar, mas com atenção às condições subjacentes. A prática de exercícios por pacientes com cadioversor desfibrilador implantável pode gerar choques e possíveis consequências de síncope, desse modo, a tomada de decisão com relação a prática esportiva deve ser compartilhada.
Cardiopatia congênita: Em pacientes com cardiopatia congênita é importante avaliar função ventricular, pressão da artéria pulmonar, tamanho da aorta, arritmia e saturação do oxigênio e, a depender dos resultados, devem ser encorajados a praticar atividade física.
Imagem: Chander R. por Unsplash