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/ Publicado el 29 de agosto de 2025

Portais eletrônicos de saúde

Portais do paciente: como melhorar o engajamento e a compreensão dos resultados de exames no consultório

Saiba como o uso estratégico dos portais pode otimizar o acompanhamento, apoiar decisões compartilhadas e fortalecer a relação médico-paciente

A visualização dos prontuários médicos online e a capacidade de se comunicar eletronicamente com profissionais de saúde faz com que os pacientes se engajem mais com seus próprios cuidados. Os portais do paciente são uma das possíveis maneiras para satisfazer esse requisito, fornecendo acesso seguro a informações pessoais de saúde (por exemplo, resultados de exames laboratoriais, histórico de saúde, registros de vacinação, etc.) e apoiando o gerenciamento de medicamentos, agendamento de consultas e mensagens seguras com os prestadores de serviços.

Estudos mostraram que esses portais são essenciais para ajudar os pacientes a compreenderem melhor sobre sua saúde, preparar-se para consultas e formularem perguntas relacionadas aos seus sintomas ou resultados de exame. Ademais, facilitou a comunicação com os profissionais de saúde.

Quando os pacientes têm acesso à essas informações, estudos demonstraram que eles se sentem mais no controle de seus cuidados, participam mais na tomada de decisões compartilhadas, são mais propensos a aderir aos planos de tratamento e recebem um diagnóstico clínico mais preciso e oportuno.

Embora o acesso direto aos resultados de exames seja altamente valorizado pelos pacientes, persistem preocupações relacionadas às suas capacidades de acessá-los e interpretá-los com precisão. Muitos estudos relataram que os pacientes têm dificuldades em encontrar, visualizar e comparar os resultados de exames laboratoriais e outras informações de saúde.

Infelizmente, a maioria desses portais não foi projetada pensando nos usuários leigos. Os resultados dos exames não diferem significativamente dos relatórios clínicos, que geralmente são carregados de informação, tipicamente formatados como tabelas, e incluem muita terminologia médica e acrônimos que a maioria dos pacientes acha difícil de entender e interpretar. Além disso, pacientes com baixa alfabetização em saúde eletrônica (e-Health) e habilidades de cálculo (numeracy – grau que os individuais apresentam de capacidade de acessar, processar, interpretar, comunicar e agir sobre informações de saúde numéricas, quantitativas, gráficas, bioestatísticas e probabilísticas necessárias para tomar decisões de saúde eficazes) têm mais dificuldade em realizar tarefas e entender dados numéricos nesses portais.

Embora muitos estudos tenham se concentrado amplamente no uso do portal do paciente, poucos se aprofundaram nos desafios específicos que os pacientes enfrentam na compreensão dos resultados de exames apresentados nesses portais. Por isso, Lustria e colaboradores (2025) realizaram um estudo com objetivo de explorar as percepções dos pacientes sobre o uso desses portais para acessar os resultados de exames laboratoriais e determinar a sua compreensão sobre os resultados de exames e os fatores relacionados a isso.

Para isso, eles realizaram uma pesquisa online com 276 adultos de 18 anos ou mais. A regressão logística multivariada foi usada para determinar os fatores associados ao uso do portal do paciente para visualizar os resultados dos exames laboratoriais e a sua compreensão.

A amostra final foi predominantemente branca (72,5%), feminina ( 55,4%), com idade média de 50,7 ± 15,5 anos. A pontuação média das habilidades de cálculo foi de 10,79 ± 2,71 de uma escala com score máximo de 18. Além disso, em relação à habilidade de alfabetização em e-Health (eHEALS), a pontuação média de auto-relatada foi de 23,91 ± 5,29 de 40. Por fim, a pontuação média de compreensão do teste laboratorial para a amostra foi de 18 ± 2,39 de um score máximo possível de 21.

Dentre os participantes, 50%, 37,3% e 12,7% tinham uma, de duas a três ou três ou mais condições crônicas, respectivamente. As mais relatadas foram depressão, hipertensão e artrite. Quando questionados sobre quais exames laboratoriais foram solicitados nos últimos 12 meses, a maioria indicou ter recebido pedidos para hemograma completo (77,9%), painel lipídico (72,8%) e painel metabólico básico (69%). Ademais, a maioria relatou ter recebido resultados anormais para hemoglobina A1c (68,2%) e painel lipídico (61,2%).

A grande maioria dos participantes estava ciente de que seus provedores mantinham um portal do paciente (87,6%) e relatou que seus provedores lhes explicaram sobre o acesso esses registros (69,7%). Cerca de 71,7% dos participantes do estudo acessaram esses portais pelo menos uma vez no ano passado. Entre estes, os motivos mais mencionados para usá-los foram consultar os resultados dos exames (67,2%), marcar consultas (41,4%) e solicitar renovação de receitas (41,4%).

Os participantes foram questionados sobre como eles normalmente recebem os resultados dos seus exames laboratoriais. No geral, a maioria acessava esses documentos através de portais do paciente (60,4%) ou durante as consultas de acompanhamento com os seus médicos (57,8%). Os resultados mostraram diferenças por idade e número de condições crônicas. Para os adultos com mais de 65 anos de idade, a maioria (63,9%) acessou através de portais do paciente, em comparação com outros meios convencionais. Enquanto a maioria dos jovens adultos com 18-34 anos (64,1%) recebeu os resultados durante as consultas médicas de acompanhamento. Pacientes com múltiplas condições crônicas (2 ou mais) preferiram acessar através de portais do paciente, enquanto aqueles sem essas doenças geralmente faziam o acompanhamento com os seus médicos (58,4%).

Pacientes, independentemente da idade, classificaram os portais do paciente como um dos seus três principais modos preferidos para receber os resultados dos exames laboratoriais. Outros métodos citados foram diretamente através de seus prestadores de cuidados de saúde e por mensagem de texto.

A principal barreira percebida para visualizar os resultados dos exames laboratoriais online foi a preferência por receber explicações presenciais dos seus médicos (50,4%). As indicadas por idosos incluíram a preferência por ter o seu médico a explicar os resultados dos exames laboratoriais (45,5%), incerteza sobre onde encontrar os portais do paciente (27,3%) e dificuldade em interpretar os valores dos exames laboratoriais (25,9%). Por outro lado, os adultos mais jovens indicaram uma preferência por ter o seu médico a explicar os resultados dos seus exames laboratoriais (69,2%), com alguns a afirmarem que apenas estão interessados se os resultados forem anormais (25,6%).

Nos modelos bivariados, a idade do respondente, ter um diploma universitário, identificar-se racialmente como branco e pontuações mais elevadas no teste eHEALS foram mais associados à probabilidade de os respondentes relatarem o acesso aos resultados dos exames laboratoriais através de um portal do paciente.

Ademais, os pesquisadores avaliaram a compreensão geral dos participantes sobre os resultados dos exames laboratoriais. Na amostra total, as pontuações de compreensão variaram de 9 a 21, e a pontuação média foi de 18,0. A análise descritiva indicou que os idosos com 65 anos ou mais tiveram pontuações médias relativamente mais altas (18,56) em comparação com aqueles com 55-64 anos (18,3), 35-54 anos (17,84) e 18-34 anos (16,95). Por fim, os participantes com 1 ou nenhuma condição crônica tiveram pontuações médias de compreensão do ligeiramente superiores (18,11) do que aqueles com múltiplas condições (17,90).

Pacientes que relataram usar habitualmente portais do paciente para acessar os exames laboratoriais tiveram uma compreensão geral significativamente maior de seus resultados quando comparados com aqueles que não relataram usar esses sites.

Em conclusão, é necessário que novas abordagens sejam implementadas para aumentar a compreensibilidade dos dados de exames laboratoriais em portais do paciente. Essas estratégias, no entanto, não devem se concentrar apenas em melhorar a sua visualização e a usabilidade, mas também em ajudar os pacientes com diferentes níveis de alfabetização, necessidades e desafios a entender e obter insights mais significativos das informações pessoais de saúde acessadas através desses sistemas. Para tanto, os avanços nas ciências computacionais apresentam oportunidades empolgantes para desenvolver estratégias inovadoras para melhorar esse processo.