Arte & Cultura

/ Publicado el 4 de octubre de 2024

Calor extremo

Pensamento holístico em medicina respiratória

Impactos do calor extremo na respiração

Autor/a: https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(24)00303-5/fulltext

Fuente: The Lancet Extreme heat: holistic thinking in respiratory medicine

Em 2024, o calor extremo atingiu novos recordes, com dados de satélite registrando 22 de julho como o dia mais quente da história da Terra. Esse aumento das temperaturas pode ter consequências diretas e desencadear eventos ambientais relacionados, criando condições perigosamente insalubres para pessoas com problemas respiratórios. À medida que as temperaturas sobem, a umidade e a estagnação do ar elevam os níveis de alérgenos e poluentes, além de aumentar o risco de incêndios florestais.

Dada a complexidade desses elementos, é essencial adotar uma visão holística da saúde respiratória, levando em conta o risco de infecções, a disponibilidade de recursos de saúde e a exposição constante a poluentes. Os danos pulmonares causados pelo calor são a segunda maior causa de mortalidade e morbidade durante ondas de calor, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares. Acredita-se que a exposição à temperaturas extremas possa intensificar a broncoconstrição e a liberação de citocinas, além de provocar hiperventilação, especialmente em idosos e pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Ademais, pode agravar significativamente os sintomas da asma.

Incêndios florestais e seus impactos

Um dos aspectos mais preocupantes dos eventos de calor extremo são os incêndios florestais e seus impactos em amplas regiões geográficas. Uma revisão destacou que os efeitos imediatos incluem a exacerbação de condições como asma e DPOC, além de evidenciar algumas consequências de longo prazo alarmantes, como o aumento de infecções respiratórias e o risco elevado de câncer de pulmão.

Além disso, a exposição a incêndios florestais tem sido associada a complicações no desenvolvimento fetal, como a redução no peso ao nascer e o maior risco de partos prematuros. Essas condições impactam negativamente o desenvolvimento pulmonar e a saúde respiratória a longo prazo, perpetuando um ciclo de vulnerabilidade e danos pulmonares ao longo da vida. Dessa forma, os incêndios florestais não apenas causam danos imediatos, mas também têm um impacto duradouro na saúde respiratória das populações afetadas.

Recomendações

Recomendações para evitar surtos induzidos pelo calor podem parecer contraintuitivas quando se trata de prevenir infecções respiratórias como, por exemplo, a recomendação de permanecer em casa com as janelas fechadas durante dias de calor extremo. No entanto, o uso de filtros HEPA e ar-condicionado pode trazer benefícios significativos para pessoas com doenças respiratórias. Todavia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que populações de baixa renda estão mais vulneráveis ao superaquecimento devido às condições inadequadas de moradia e ao acesso limitado a sistemas de resfriamento.

Conforme apontado no Relatório Europa 2024 do Lancet Countdown sobre saúde e mudanças climáticas, os impactos à saúde decorrentes da crise climática são distribuídos de forma desigual. Diferenças em exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa afetam diretamente os países de baixa e média renda. Apesar de contribuírem menos para as emissões de gases de efeito estufa que impulsionam as mudanças climáticas, essas populações são as mais afetadas pelos efeitos devastadores das temperaturas extremas.


A comunidade médica respiratória desempenha um papel crucial na crise climática. As recomendações para proteção durante períodos de calor extremo devem ser baseadas em evidências, cuidadosamente pensadas e adaptadas às necessidades individuais. Existe uma demanda crescente por diretrizes personalizadas, em vez de recomendações generalizadas. Embora a urgência de ação seja clara, também é essencial garantir que respostas rápidas e generalistas não exponham certos grupos a maiores riscos.

Embora as diretrizes para pacientes durante a crise climática possam ser complexas, um objetivo permanece evidente: a promoção de medidas de ar limpo, a proteção dos ecossistemas naturais e a redução de emissões de gases de efeito estufa. Esses esforços não apenas beneficiarão os mais vulneráveis, mas também garantirão a estabilidade e a saúde do planeta a longo prazo.