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Publicado el 8 de julio de 2026

Manejo da dor crônica

Osteoartrite

Explore os avanços na patogênese molecular da osteoartrite, abordando desde a disfunção de organelas e cascatas inflamatórias até novas estratégias analgésicas e terapias regenerativas com vesículas extracelulares.

Autor/a: Zhang, Y., Han, Y., Sun, Y. et al.

Fuente: Sig Transduct Target Ther V. 11, N.81, 2026. Osteoarthritis: molecular pathogenesis and potential therapeutic options

Introdução

A osteoartrite (OA) consolidou-se como uma desordem articular crônica e debilitante, cujas características principais envolvem alterações morfológicas extensas, processos inflamatórios e hiperalgesia clinicamente intolerável. Atualmente, as abordagens terapêuticas são classificadas em fisioterápicas, farmacológicas e cirúrgicas, porém permanecem majoritariamente paliativas devido à complexidade da patogênese da doença. Embora as estratégias não farmacológicas, como o controle de peso e a fisioterapia, melhorem a mobilidade e reduzam a dor em certa medida, elas são predominantemente sintomáticas e falham em interromper a progressão estrutural da doença.

No âmbito farmacológico, as diretrizes internacionais recomendaram o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) orais, injeções intra-articulares de ácido hialurônico e a administração de opioides. No entanto, essas opções frequentemente não oferecem alívio sustentado para pacientes com OA moderada a avançada. Quando os tratamentos conservadores falham, a substituição total da articulação surge como a opção final. Apesar de apresentar resultados positivos, a cirurgia impõe desafios significativos, incluindo a vida útil limitada das próteses, o risco de revisões cirúrgicas e a dor durante a reabilitação pós-operatória.

A patologia da OA é multifacetada e envolve uma tríade crítica: inflamação, hiperalgesia e degradação da cartilagem. A dor continua sendo mal gerenciada pelos analgésicos existentes, o que sublinha a necessidade de uma compreensão profunda dos mecanismos nociceptivos. Pesquisas recentes indicaram que a progressão da doença é impulsionada por alterações na matriz extracelular, disfunção nos condrócitos e desequilíbrios na homeostase entre osteoblastos e osteoclastos. Nesse contexto, a inflamação mediada por citocinas e a disfunção de organelas específicas, como mitocôndrias, lisossomos e o estresse do retículo endoplasmático, foram identificadas como fatores determinantes. Portanto, a emergência de novas estratégias farmacológicas que visem restaurar a homeostase das organelas e atenuar a sinalização inflamatória representa a nova fronteira para tratamentos que possam não apenas aliviar sintomas, mas potencialmente reverter a degeneração tecidual.

Epidemiologia da osteoartrite

Em 2020, a OA afetou aproximadamente 7,6% da população mundial em 2020, equivalendo à cerca de 595 milhões de indivíduos. A prevalência da doença é influenciada por fatores geográficos, status econômico e variáveis sociodemográficas. Observa-se que populações em áreas socioeconomicamente desfavorecidas apresentam taxas mais elevadas de OA em mãos, quadris e joelhos, enquanto países com índice sociodemográfico (SDI) médio e alto reportam um aumento na incidência da patologia.

Em termos demográficos, a OA apresenta disparidades de gênero significativas, com uma prevalência global padronizada por idade consideravelmente superior em mulheres em comparação aos homens. A idade é outro fator determinante, com a prevalência aumentando drasticamente nas populações idosas e atingindo seu pico entre os 55 e 64 anos. Além disso, disparidades étnicas influenciam a gravidade clínica. Pesquisas indicaram que pacientes afro-americanos e asiático-americanos relataram níveis de dor e incapacidade mais severos do que os brancos.

No que diz respeito aos fatores de risco biomecânicos e de estilo de vida, a obesidade destaca-se como um dos principais fatores modificáveis, sendo o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado responsável por aproximadamente 20% dos casos incidentes de OA de joelho. O trauma articular prévio é outro preditor crítico, aumentando substancialmente o risco. Por exemplo, lesões isoladas do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco elevam a probabilidade de OA em 4,2 e 6,3 vezes, respectivamente. Adicionalmente, a atividade física exibe uma associação bifásica com a doença: tanto o sedentarismo quanto o exercício frequente de alta intensidade estão ligados a sua maior incidência, enquanto a atividade moderada parece ser protetora. Por fim, o estresse mecânico crônico em ocupações fisicamente exigentes contribui para que esses profissionais sejam desproporcionalmente afetados pela doença.

Prevenção da osteoartrite

As estratégias de prevenção da OA podem ser classificadas em primárias, que visam reduzir comportamentos ou exposições para evitar o surgimento da doença, e secundárias, focadas em interromper a progressão da patologia em indivíduos expostos a fatores de risco, como obesidade, lesões prévias no joelho e a carga musculoesquelética excessiva.

A obesidade é considerada um dos pilares preventivos mais críticos, sendo que a manutenção de um IMC abaixo de 25 kg/m² pode reduzir o risco atribuível à população para OA entre 27% e 53%. Estratégias isoladas de restrição dietética frequentemente falham a longo prazo, com cerca de 50% dos pacientes recuperando o peso em um ano. Por isso, recomenda-se uma abordagem combinada de reeducação alimentar e atividade física. Em casos de obesidade grave ou comorbidades associadas, intervenções como terapia cognitivo-comportamental e cirurgia bariátrica têm demonstrado os resultados mais eficazes e sustentados na redução de peso.

No que tange aos traumas articulares, a epidemiologia indicou que 50% dos adultos que sofrem lesões graves no joelho desenvolverão OA, com mais da metade das lesões de ligamento cruzado anterior (LCA) progredindo para a doença em até 10 anos. Embora a reparação cirúrgica não mitigue totalmente o risco da doença decorrente do trauma inicial, a implementação de treinamento neuromuscular e proprioceptivo (sessões de 15 a 20 minutos, duas a três vezes por semana) pode reduzir a incidência de lesões de LCA em até 50% em populações de alto risco, como atletas. No entanto, é importante ressaltar que os benefícios preventivos desses programas desaparecem caso o treinamento seja interrompido.

Além disso, modificações comportamentais em contextos ocupacionais são essenciais, especialmente para homens em profissões fisicamente exigentes. A evitação de atividades como agachamento prolongado e levantamento de cargas pesadas pode reduzir o risco de OA entre 15% e 30%. Atualmente, as diretrizes clínicas enfatizam que a prevenção de lesões secundárias e a adoção de regimes de exercícios de proteção articular constituem a base das estratégias terapêuticas fundamentais para conter a progressão estrutural da doença.

Diagnóstico da osteoartrite

O padrão clínico típico da fase inicial da OA envolve dor ou desconforto persistente por semanas ou meses, acompanhado por um agravamento progressivo dos sintomas, como rigidez e mobilidade limitada, com intervalos mínimos livres de dor. No exame físico, é comum observar dor à mobilização, sensibilidade na linha articular, crepitação ou derrame articular leve, achados que são frequentemente corroborados por fatores de risco como idade avançada, IMC elevado e histórico traumático ou familiar. Um ponto crítico é que, na OA sintomática, o derrame articular costuma ser mínimo e normotérmico, diferindo de artrites inflamatórias ou infecciosas, onde o joelho apresenta-se quente e com derrame facilmente palpável. Além disso, a presença de nódulos de Heberden e Bouchard indica uma doença poliarticular e está associada à progressão da OA de joelho.

No que tange aos exames de imagem, a radiografia convencional permanece como a modalidade mais utilizada e custo-efetiva, permitindo visualizar alterações ósseas estruturais como a formação de osteófitos, redução do espaço articular, esclerose subcondral e cistos subcondrais. Contudo, sua utilidade é limitada no diagnóstico precoce, pois não consegue detectar características patológicas antes que ocorram mudanças estruturais definitivas. A ressonância magnética (RM) oferece uma visualização mais abrangente e é capaz de identificar alterações estruturais iniciais, mas sua aplicação clínica é dificultada pelo longo tempo de aquisição e pela falta de agentes de contraste que diferenciem com clareza a cartilagem do fluido sinovial.

Outras ferramentas auxiliares incluem a tomografia computadorizada (TC), valiosa para avaliar a integridade do osso cortical e calcificações de tecidos moles, e a ultrassonografia, que ganhou espaço por sua portabilidade e baixo custo na detecção de derrames e osteófitos, embora sua precisão na avaliação do espaço articular seja inferior à da RM. Mais recentemente, a imagem fotoacústica (PAI) tem emergido como uma modalidade promissora, pois combina alta resolução espacial com uma profundidade de penetração superior às técnicas ópticas convencionais, oferecendo novas perspectivas para o diagnóstico estrutural da osteoartrite.

Patogênese da osteoartrite

A patogênese OA é atualmente compreendida como um fenômeno complexo de comunicação molecular disfuncional (crosstalk) entre a inflamação articular sustentada e a falha homeostática das organelas intracelulares. Evidências emergentes indicaram que citocinas pró-inflamatórias, como IL-1β, IL-6 e TNF-α, iniciam cascatas catabólicas que são amplificadas por distúrbios na bioenergética mitocondrial, estresse do retículo endoplasmático (RE) e instabilidade lisossomal nos condrócitos. Esse ciclo de retroalimentação promove a degradação da matriz extracelular (MEC), a senescência celular e, por fim, a destruição tecidual irreversível.

> O papel das citocinas pró-inflamatórias

Na OA, as citocinas pró-inflamatórias atuam como os principais motores de um ambiente inflamatório autossustentável no interior da articulação. Esse processo estabelece um ciclo vicioso onde a sinalização inflamatória intensifica a percepção da dor, desregula o balanço metabólico articular, aumenta a atividade osteoclástica e promove tanto a secreção de enzimas catabólicas quanto a apoptose dos condrócitos. Estudos clínicos corroboraram essa relevância ao identificar níveis elevados de IL-1β, IL-6 e TNF-α no fluido sinovial, na membrana sinovial, no osso subcondral e na cartilagem de pacientes com OA.

A Interleucina-1 (IL-1), particularmente a isoforma IL-1β, desempenha um papel central na etiologia da OA, sendo sintetizada inicialmente como um precursor inativo que requer a clivagem pela caspase-1 para se tornar biologicamente ativo. Ao ligar-se ao seu receptor de tipo I (IL-1RI), a IL-1β ativa a via do NF-κB, desencadeando a secreção de mediadores como IL-6, TNF-α, óxido nítrico e prostaglandina E2. Além disso, ela exacerba a degradação da matriz extracelular (MEC) ao aumentar a expressão de metaloproteinases (MMP-1, 3 e 13) e agrecanases (ADAMTS-4 e 5), enquanto simultaneamente inibe a síntese de colágeno tipo II e agrecan ao suprimir o fator de transcrição SOX-9. Esse cenário é agravado pela ativação de quimiocinas que recrutam macrófagos ativados para a sinóvia, perpetuando o ciclo catabólico.

O Fator de Necrose Tumoral alfa (TNF-α) atua de forma sinérgica com a IL-1β, sendo processado de sua forma transmembrana para a solúvel pela enzima TACE. O TNF-α exerce seus efeitos através de dois receptores: o TNFR-1, predominantemente pró-inflamatório e pró-apoptótico, e o TNFR-2, que possui funções de imunorregulação e sobrevivência celular. A sinalização via TNFR-1 recruta complexos proteicos que ativam as vias NF-κB e MAPK, resultando na degradação do agrecan e na secreção de MMPs. Em situações de estresse persistente, a falha na ativação da via de sobrevivência permite a formação do Complexo II, que ativa as caspases 8 e 3, conduzindo o condrócito à apoptose. Adicionalmente, o TNF-α estimula a angiogênese via fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), facilitando a invasão microvascular do osso subcondral para a cartilagem calcificada.

A Interleucina-6 (IL-6) é reconhecida por sua complexidade funcional, apresentando efeitos tanto protetores quanto deletérios dependendo da via de sinalização ativada. A via de sinalização clássica (através do receptor mIL-6R presente na membrana) está geralmente associada a efeitos anabólicos, como o aumento da síntese de proteoglicanos. Em contrapartida, a via de trans-sinalização (envolvendo o receptor solúvel sIL-6R) é a condutora predominante dos eventos catabólicos na OA. Através das vias JAK/STAT e ERK, a IL-6 promove a expressão de enzimas degradativas e estimula o ligante RANKL em fibroblastos sinoviais, o que acelera a remodelação óssea subcondral e o turnover ósseo. Por fim, a IL-6 atua em conjunto com o TNF-α para aumentar a permeabilidade vascular e o edema intersticial, contribuindo para o aumento da pressão tecidual e o dano celular progressivo.

> Papel das organelas dos condrócitos

A manutenção da integridade estrutural e funcional da cartilagem articular depende estritamente da homeostase dos condrócitos, sendo que a saúde de suas organelas é essencial para esse equilíbrio. Na patogênese da OA, a disfunção dessas organelas desencadeia processos de senescência, mudanças na diferenciação celular e apoptose, o que exacerba a degeneração tecidual.

As mitocôndrias desempenham um papel central no metabolismo celular ao produzirem a maior parte do trifosfato de adenosina (ATP) por meio da cadeia de transporte de elétrons (ETC) localizada na membrana mitocondrial interna. Na OA, observa-se um desequilíbrio entre a biogênese mitocondrial e a remoção de organelas danificadas, resultando em um acúmulo de mitocôndrias disfuncionais que geram quantidades excessivas de espécies reativas de oxigênio (ROS) e apresentam síntese deficiente de ATP. Sob condições patológicas, mediadores inflamatórios e danos ao DNA mitocondrial levam à despolarização do potencial de membrana mitocondrial. Esse evento impede a degradação normal da enzima PINK1, que se acumula na superfície da membrana externa e ativa a Parkin, desencadeando a mitofagia (autofagia seletiva de mitocôndrias). Embora a mitofagia adequada ajude a eliminar ROS, o processo excessivo ou disfuncional compromete o suprimento de energia e induz a apoptose do condrócito.

Os lisossomos também são críticos para a homeostase, sendo responsáveis pela degradação de resíduos celulares através de enzimas hidrolíticas em um lúmen ácido. Um mecanismo patogênico importante na OA envolve a internalização de cristais de hidroxiapatita pelos condrócitos. A tentativa de dissolução desses cristais compromete a acidez lisossomal, levando à permeabilização da membrana lisossomal (LMP). Esse processo resulta na liberação de catepsinas B e D no citosol, que clivam a proteína pró-apoptótica BID em sua forma ativa (t-BID). A t-BID insere-se na membrana mitocondrial externa, recrutando a proteína BAX para formar poros que permitem o vazamento de citocromo C para o citosol, ativando a caspase-3 e selando o destino da célula pela via apoptótica.

Por fim, o retículo endoplasmático (RE), principal local de síntese proteica e armazenamento de cálcio, é severamente afetado pelo estresse celular na OA. O acúmulo de proteínas mal dobradas no lúmen do RE, decorrente de insultos ambientais ou tentativas exacerbadas de reparo da cartilagem, ativa a Resposta a Proteínas Não Dobradas (UPR). Essa é mediada pelos sensores PERK, IRE1α e ATF6α, que inicialmente tentam restaurar a homeostase. No entanto, se o estresse do RE for persistente e não resolvido, a sinalização desvia-se para uma cascata pró-apoptótica, destacando-se a regulação positiva do fator CHOP. Além de induzir a morte celular, o estresse crônico ativa vias como NF-κB e MAPK, que promovem a produção de enzimas degradativas da matriz, como metaloproteinases (MMPs) e ADAMTSs, acelerando a destruição da cartilagem articular

> Disfunção das organelas e inflamação

A relação entre a disfunção de organelas e a inflamação na OA é um dos pilares mais inovadores da patogênese da doença, onde a falha celular interna atua como um gatilho direto para cascatas inflamatórias crônicas. Evidências emergentes demonstram que as organelas disfuncionais liberam padrões moleculares associados a danos (DAMPs), como mtDNA, cardiolipina, espécies reativas de oxigênio (ROS) e ATP, que são reconhecidos por receptores de reconhecimento de padrões (PRRs) expressos nos condrócitos. Esses receptores, que incluem os do tipo Toll (TLRs) e do tipo NOD (NLRs), ao serem ativados por esses ligantes endógenos, transformam um estresse metabólico interno em uma resposta inflamatória articular robusta.

No caso das mitocôndrias, insultos patológicos como citocinas pró-inflamatórias (IL-1, IL-6 e TNF-α) ou ROS induzem a permeabilização da membrana externa (MOMP) mediada pelas proteínas BAX/BAK. Esse processo culmina na ruptura da membrana mitocondrial interna e na liberação de mtDNA e ATP no citosol e no espaço extracelular, sendo que níveis elevados desses DAMPs são rotineiramente detectados no fluido sinovial de pacientes com OA. Uma vez no citosol, o mtDNA atua como um potente sinal pró-inflamatório ao ativar o inflamassoma NLRP3, que promove a maturação da IL-1β, além de engajar o receptor TLR9 e a via cGAS-STING, ambos responsáveis por exacerbar a sinalização de NF-κB e MAPK.

A instabilidade lisossomal também contribui criticamente para esse cenário através da deposição de cristais de hidroxiapatita e de um microambiente rico em ROS, que induzem a permeabilização da membrana lisossomal (LMP). O vazamento resultante de múltiplas catepsinas de cisteína (como as catepsinas B, L e S) para o citoplasma desempenha um papel fundamental na ativação do inflamassoma NLRP3. Embora os mecanismos exatos ainda estejam sob investigação, acredita-se que esse processo envolva o efluxo de K, estresse oxidativo e o influxo de Ca²/Na.

Por fim, o estresse do retículo endoplasmático (RE), disparado por citocinas, hipóxia e estresse oxidativo nos condrócitos, retroalimenta o estado inflamatório através da Resposta a Proteínas Não Dobradas (UPR). As três principais vias da UPR (PERK, IRE1α e ATF6α) convergem para a ativação do NF-κB; por exemplo, a ativação de PERK reduz a síntese de IκB, enquanto a via IRE1α desencadeia a degradação de IκB mediada por TRAF2. Além disso, o vazamento citoplasmático da proteína BiP (uma chaperona do RE) atua como um sinalizador direto para a ativação do NF-κB, orquestrando uma resposta inflamatória multifacetada que perpetua o dano tecidual na OA.

Manifestação clínica

A osteoartrite é caracterizada pela degeneração estrutural das articulações, incluindo a formação de osteófitos, defeitos na cartilagem, redução do espaço articular e remodelação do osso subcondral. Alterações morfológicas têm sido historicamente consideradas as principais fontes de dor. No entanto, estudos de imagem revelaram uma relação entre a gravidade radiográfica da OA e a intensidade da dor sentida, sugerindo que variações individuais na percepção da dor podem ser influenciadas por fatores genéticos, ambientais (por exemplo, obesidade), psicológicos e neurológicos.

A gênese da dor da OA de joelho é um processo complexo que transcende as alterações morfológicas visíveis em exames de imagem. A dor é transmitida predominantemente por uma rede densa de neurônios aferentes sensoriais, classificados em fibras mielinizadas de médio diâmetro () e fibras amielinizadas de pequeno diâmetro (C), ambas atuando como nociceptores. Enquanto as fibras conduzem sinais rapidamente e são responsáveis pela percepção de dor aguda e bem localizada, as fibras C transmitem uma dor mais difusa e com característica de queimação. Os corpos celulares desses nociceptores estão agrupados no gânglio da raiz dorsal (DRG), de onde se estendem axônios tanto para a periferia quanto para o corno dorsal da medula espinhal.

Na periferia da articulação, a transdução do estímulo nocivo em sinal elétrico ocorre através de canais de potencial receptor transitório (TRP), como TRPV1, TRPA1, TRPM3 e TRPM8. A ativação desses canais por citocinas pró-inflamatórias (especialmente IL-1 e TNF- α) e por espécies reativas de oxigênio (ROS) inicia o influxo de cálcio (Ca2+), transformando o estímulo químico em sinal elétrico. Esse sinal é subsequentemente amplificado por canais de sódio dependentes de voltagem (Nav), como Nav1.7 e Nav1.8, que promovem o influxo de até que o limiar para a geração do potencial de ação seja atingido.

Um componente crítico nesse cenário é o fator de crescimento nervoso (NGF), cujos níveis elevados no fluido articular de pacientes com OA estimulam a secreção de mediadores por macrófagos, mastócitos e sinoviócitos. O NGF exerce seus efeitos através do receptor de alta afinidade TrkA e do receptor de baixa afinidade p75NTR, localizados nos nociceptores periféricos. A sinalização mediada pelo NGF não apenas promove o brotamento de neurônios sensoriais em tecidos que antes eram aneurais, como a cartilagem degenerada, mas também regula positivamente a expressão de proteínas ligadas à dor, incluindo os canais TRPV1 e Nav1.8, além dos neuropeptídeos Substância P (SP) e proteína relacionada ao gene da calcitonina (CGRP).

A transmissão sináptica da nocicepção ocorre no corno dorsal da medula espinhal, onde as fibras e C fazem sinapse com neurônios de segunda ordem. Após a despolarização neuronal, os terminais pré-sinápticos liberam neurotransmissores como glutamato, SP e CGRP na fenda sináptica. O glutamato liga-se a receptores ionotrópicos e metabotrópicos nos neurônios de segunda ordem, enquanto a SP e o CGRP ligam-se aos seus respectivos receptores (NK1R e o complexo CLR/RAMP1/RCP) para perpetuar o sinal nocivo. Por fim, esses sinais são transmitidos ascendentemente ao encéfalo através dos tratos espinotalâmico (responsável pela discriminação da dor) e espinorreticular (que media os componentes afetivos e motivacionais da dor), culminando na percepção consciente do fenômeno doloroso.

A relação entre a disfunção de organelas e a dor representa um mecanismo crítico de sensibilização nociceptiva, onde sinais derivados de organelas estressadas agem diretamente sobre canais iônicos periféricos. A falha na homeostase de mitocôndrias, lisossomos e do RE libera padrões moleculares associados a DAMPs que sensibilizam os canais das famílias TRP (Potencial de Receptor Transitório) e Nav, amplificando a transmissão dos sinais de dor para o sistema nervoso central.

O canal TRPV1 é o mediador mais estudado nesse processo, estando presente tanto na membrana plasmática quanto em organelas intracelulares de condrócitos e nociceptores periféricos. Em articulações artríticas, a hiperativação do TRPV1 induz um influxo patológico de Ca2+, resultando em uma sobrecarga de cálcio mitocondrial. Esse excesso de íons reduz o potencial de membrana mitocondrial, desencadeando a despolarização da organela e criando um ciclo de autoamplificação: a disfunção mitocondrial gera mais ROS e mediadores inflamatórios, que por sua vez sensibilizam ainda mais os canais TRP, potencializando a sinalização dolorosa. Adicionalmente, o cálcio mobilizado nas mitocôndrias dos nociceptores no gânglio da raiz dorsal (DRG) promove uma liberação exacerbada de neurotransmissores na fenda sináptica, intensificando a percepção da dor.

O retículo endoplasmático também desempenha um papel fundamental na modulação da dor através da regulação do cálcio. A ativação do TRPV1 provoca o efluxo de Ca2+ do RE para o citosol, onde é captado pelas mitocôndrias, agravando a disfunção mitocondrial e disparando o estresse do RE. Esse, por sua vez, ativa a via da Resposta a Proteínas Não Dobradas (UPR) tanto em condrócitos quanto em nociceptores, o que retroalimenta as cascatas inflamatórias e amplifica a dor. Outros canais, como o TRPA1 e o TRPM3, também contribuem para esse cenário. O primeiro facilita a liberação de cálcio lisossomal, aumentando a exocitose de neurotransmissores, enquanto o segundo direciona cerca de 40% do seu influxo de cálcio para as mitocôndrias, exacerbando a falha energética e a nocicepção.

Por fim, a cronicidade da dor na OA pode causar danos estruturais nos neurônios de segunda ordem na medula espinhal. O bombardeio persistente de sinais nociceptivos resulta em uma liberação excessiva de glutamato, que superestimula os receptores NMDA e AMPA, levando a uma sobrecarga de cálcio nesses neurônios centrais. Esse processo induz despolarização mitocondrial e estresse do RE, podendo resultar na morte de neurônios de segunda ordem. Essa neurodegeneração secundária à dor crônica pode explicar por que pacientes com osteoartrite apresentam uma probabilidade 25% maior de desenvolver doenças como Parkinson e Alzheimer, evidenciando o impacto sistêmico da disfunção de organelas iniciada na articulação.

Tratamento da OA

> Analgésicos

Atualmente, o tratamento padrão inclui o uso de AINEs, opioides e infiltrações intra-articulares com ácido hialurônico, corticosteroides ou plasma rico em plaquetas (PRP). Contudo, essas abordagens enfrentam limitações críticas. Por exemplo, os primeiros oferecem apenas alívio parcial e trazem riscos renais e gastrointestinais. Os segundos possuem eficácia modesta na dor crônica e risco de dependência. Por fim, o último exige administrações frequentes devido ao metabolismo rápido dos agentes no ambiente articular. Em estágios terminais, a cirurgia de substituição total da articulação torna-se a opção final, mas carrega desafios como infecções periprotéticas e a vida útil limitada dos implantes.

Diante dessas falhas terapêuticas, a pesquisa científica tem focado em interromper a transmissão do sinal doloroso antes que ele seja processado pelo encéfalo, visando alvos específicos como os canais iônicos periféricos e mediadores de sensibilização. Os canais de potencial receptor transitório (TRP) destacam-se como transdutores fundamentais de estímulos nocivos. O TRPV1 é o mais estudado, e embora antagonistas sistêmicos de primeira geração tenham causado hipertermia, novos antagonistas de segunda geração (como o NEO6860) e agonistas potentes como a resiniferatoxina (RTX) representam caminhos promissores para um alívio sustentado da dor. Adicionalmente, o bloqueio dos canais TRPA1 e TRPM3 surge como estratégia para reverter a alodinia mecânica e térmica sem interferir na termorregulação central.

Outro avanço significativo envolve o desenvolvimento de bloqueadores seletivos para os canais de sódio dependentes de voltagem (Nav), especificamente as isoformas Nav1.7 e Nav1.8, que estão superexpressas em nociceptores que inervam a articulação com OA. Diferente de bloqueadores não seletivos (como a lidocaína), inibidores específicos para esses subtipos (como o PF-04856264 e A-803467 para Nav1.7 e Nav1.8, respectivamente) têm demonstrado em modelos pré-clínicos a capacidade de mitigar a dor sem os efeitos colaterais neurológicos ou cardíacos graves. Paralelamente, a inibição da via do fator de crescimento nervoso (NGF) consolidou-se como um alvo de alta eficácia. Anticorpos monoclonais anti-NGF, como o tanezumab, demonstraram analgesia superior aos AINEs em ensaios de fase III, embora sua aplicação exija vigilância devido ao risco de progressão acelerada da OA em subgrupos de pacientes. Para aumentar a segurança, inibidores seletivos do receptor de alta afinidade TrkA (como o AR786) estão sendo desenvolvidos para ação restrita à periferia, minimizando a toxicidade no sistema nervoso central.

Por fim, a modulação da transmissão sináptica por neurotransmissores constitui uma fronteira terapêutica adicional. Embora antagonistas da Substância P tenham falhado em ensaios humanos, o bloqueio dos receptores de CGRP e a inibição de receptores de glutamato mostraram potencial robusto. No caso do glutamato, o foco recai sobre antagonistas seletivos dos receptores NMDA que contêm a subunidade NR2B (como o ifenprodil), que podem oferecer alívio da dor neuropática e inflamatória sem induzir a neurotoxicidade ou os efeitos psicotomiméticos dos antagonistas não seletivos. Além disso, a ativação de receptores metabotrópicos de glutamato (mGluRs) dos grupos II e III pode suprimir a hiperexcitabilidade dos nociceptores, oferecendo uma estratégia multimodal para o controle da dor crônica na osteoartrite.

> Anti-inflamatórios

As estratégias voltadas aos efeitos anti-inflamatórios no tratamento da OA fundamentam-se no bloqueio farmacológico das citocinas IL-1, IL-6 e TNF-α, que são as principais condutoras da sinovite, do edema e da dor inflamatória. Dado que esses mediadores promovem eventos catabólicos que retroalimentam a degradação tecidual, a modulação de suas vias é considerada essencial para não apenas aliviar sintomas, mas potencialmente modificar o curso da doença.

No que se refere à IL-1, as abordagens terapêuticas dividem-se em antagonistas do receptor IL-1RI, agentes neutralizantes da citocina circulante e inibidores de sua maturação. O anakinra (um IL-1Ra recombinante) é o antagonista mais conhecido, embora sua eficácia na OA seja limitada pela meia-vida curta, exigindo novas estratégias de bioengenharia para garantir uma expressão sustentada no espaço articular. Agentes neutralizantes como o canakinumabe (seletivo para IL-1β) e o rilonacepte também são estudados, enquanto inibidores da caspase-1, como o VX-765, buscam impedir a maturação da IL-1β antes de sua secreção. Contudo, evidências sugerem que a inibição isolada da IL-1β pode ser insuficiente, indicando a necessidade de terapias combinadas.

Quanto ao TNF-α, as terapias tradicionais incluem anticorpos monoclonais e proteínas de fusão como infliximabe, adalimumabe e etanercepte. Um avanço significativo nesse campo é o desenvolvimento do certolizumabe pegol, que, por carecer da região Fc, evita a citotoxicidade mediada por complemento, reduzindo danos potenciais aos condrócitos. A fronteira atual da pesquisa foca no antagonismo seletivo do receptor TNFR-1 (predominantemente pró-inflamatório), visando preservar a sinalização via TNFR-2, que exerce papéis cruciais na imunorregulação e na estabilidade das células T reguladoras (Treg). Agentes como o atrosimabe e inibidores não competitivos (como o zafirlukaste) têm demonstrado capacidade de atenuar a inflamação sem comprometer a defesa imunológica do hospedeiro.

Por fim, o manejo da via da IL-6 exige uma distinção crítica entre a sinalização clássica (geralmente protetora e ligada à defesa contra infecções) e a sinalização trans (responsável pelos efeitos catabólicos na cartilagem). Inibidores não seletivos como o tocilizumabe aumentam o risco de infecções bacterianas, o que tem impulsionado o interesse por antagonistas específicos da via trans, como o olamkicepte (sgp130Fc). Para casos de OA avançada, onde a sinalização extracelular está consolidada, o foco migra para inibidores intracelulares, especificamente os inibidores de JAK (como tofacitinibe e baricitinibe) e antagonistas de STAT3. Embora promissores em modelos pré-clínicos para reduzir a degradação óssea, esses agentes enfrentam desafios relacionados à permeabilidade da membrana celular e à manutenção da homeostase de outras citocinas que compartilham essas vias de sinalização.

> Farmacoterapia direcionada a organelas disfuncionais

A farmacoterapia direcionada às organelas disfuncionais representa uma das fronteiras mais promissoras para o tratamento da osteoartrite (OA), baseando-se na premissa de que os condrócitos operam como uma rede compartimentalizada e interdependente. Uma vez que as alterações patológicas nessas organelas estão intrinsecamente ligadas à diferenciação anômala, apoptose e degeneração da cartilagem, a restauração da homeostase celular através do reparo de mitocôndrias, lisossomos e do RE surge como uma estratégia para não apenas mitigar sintomas, mas potencialmente promover a integridade tecidual.

No campo da farmacoterapia mitocondrial, o foco recai sobre a correção do déficit bioenergético e a redução do estresse oxidativo. Observa-se que proteínas reguladoras da biogênese mitocondrial, como AMPK, SIRT1 e PGC-1α, estão significativamente diminuídas em condrócitos artríticos. Estratégias para restaurar essa biogênese incluem o uso de compostos como a quercetina, o fator de crescimento de fibroblastos 19 (FGF19) e a omentina-1, que ativam as vias de sinalização necessárias para a formação de novas organelas. Paralelamente, o aprimoramento da mitofagia é essencial para a remoção de mitocôndrias danificadas que acumulam mtDNA e geram ROS em excesso. Agentes como a urolitina A, a di-hidromiricetina e o α-cetoglutarato têm demonstrado capacidade de regular proteínas-chave, como PINK1 e Parkin, protegendo o condrócito da morte celular induzida por falha energética.

A estratégia lisossomal concentra-se em evitar a destabilização da membrana causada pela fagocitose de cristais de hidroxiapatita, processo que culmina na permeabilização da membrana lisossomal (LMP) e apoptose. Substâncias que mitigam a calcificação da cartilagem, como a astaxantina, a melatonina e inibidores de KLF10 ou Lef1, são estudadas por sua capacidade de manter o fenótipo do condrócito e reduzir a diferenciação hipertrófica. Além disso, a administração de Hsp70 recombinante ou de seus agonistas (como o arimoclomol) surge como uma via para estabilizar a morfologia lisossomal e regular o metabolismo lipídico da organela, enquanto inibidores específicos das catepsinas B e D (pepstatina A e CA-074) são investigados por sua capacidade de preservar a integridade da proteína BID e interromper a cascata apoptótica.

Por fim, a farmacoterapia do RE visa aliviar o estresse gerado pelo acúmulo de proteínas mal dobradas. Uma das abordagens mais consolidadas envolve o uso de chaperonas químicas, como o ácido 4-fenilbutírico (4-PBA) e o ácido tauroursodesoxicólico (TUDCA), que facilitam o enovelamento proteico correto e reduzem a expressão de marcadores de estresse como BiP e CHOP. Outra vertente foca na modulação dos sensores da resposta a proteínas não dobradas (UPR), destacando-se inibidores de IRE1α (como a salicina) e de PERK, que podem reverter processos catabólicos na cartilagem. Compostos naturais como a vitexina, o safranal e a trehalose também têm demonstrado eficácia pré-clínica ao reduzir a apoptose induzida pelo estresse crônico do RE.

Além das abordagens farmacológicas convencionais, a fronteira do tratamento da OA expandiu-se para incluir estratégias biológicas inovadoras, centradas na imunoterapia celular e no uso de vesículas extracelulares (EVs). Essas terapias buscam não apenas o alívio sintomático, mas a modulação do microambiente imunológico e a regeneração do tecido articular.

No campo da imunoterapia baseada em células, as células-tronco mesenquimais (MSCs) consolidaram-se como a modalidade mais prevalente, atuando por meio de uma capacidade dual: a diferenciação em condrócitos para promover a condrogênese e uma robusta atividade imunomoduladora. Elas são capazes de reequilibrar a resposta imune ao promover a transição de macrófagos M1 (pró-inflamatórios) para o fenótipo M2 (anti-inflamatório), além de inibir a proliferação de células T e B e estimular o desenvolvimento de células T reguladoras (Treg). Ensaios clínicos demonstraram que a aplicação intra-articular de MSCs resulta em melhorias significativas no reparo da cartilagem.

Outra vertente promissora envolve o direcionamento específico de células imunes, como o uso de macrófagos geneticamente modificados para o fenótipo M2 e estratégias para induzir tolerância imunológica. Dado que autoanticorpos contra o colágeno tipo II são detectados em cerca de 50% dos pacientes com OA, o desenvolvimento de nanopartículas carregadas com antígenos e rapamicina surge como uma técnica para induzir células Treg antígeno-específicas, mitigando a progressão da doença e a dor em modelos experimentais.

As vesículas extracelulares (EVs) emergem como uma alternativa "cell-free" (livre de células) de alto potencial, apresentando vantagens críticas como menor risco de rejeição imunológica e ausência de preocupações éticas associadas às terapias celulares. Além de sua utilidade terapêutica, as EVs possuem um valor diagnóstico substancial, pois carregam microRNAs (como o miR-193b-3p) e RNAs não codificadores longos que servem como biomarcadores de gravidade e progressão da OA. EVs derivadas de MSCs (BMSCs, AMSCs, SMSCs e EMSCs) demonstraram capacidade de suprimir citocinas pró-inflamatórias e restaurar a síntese de colágeno tipo II e agrecan. Destacam-se as EVs derivadas de tecido adiposo (AMSC-EVs) pela sua facilidade de obtenção e eficácia em preservar a arquitetura do osso subcondral.

Para otimizar a eficácia dessas vesículas, a bioengenharia tem sido aplicada para aumentar sua precisão. A modificação de superfície com peptídeos de afinidade condrocitária (CAP) permite o direcionamento específico para os condrócitos, enquanto sistemas híbridos de EV-lipossomas superam as limitações de carga de drogas das vesículas naturais. Recentemente, o desenvolvimento de EVs com carga reversível permitiu que essas vesículas vencessem a barreira eletrostática da matriz cartilaginosa (que é negativamente carregada), possibilitando a penetração terapêutica até as zonas profundas da cartilagem, o que representa um avanço crucial para o tratamento estrutural da osteoartrite.

Conclusão

Em suma, as terapias atualmente disponíveis para a OA permanecem predominantemente paliativas, falando em interromper a progressão estrutural ou em fornecer um alívio satisfatório da dor. O futuro do tratamento reside na interrupção da sinalização dolorosa antes que esta atinja o encéfalo, focando em alvos periféricos como os canais iônicos (TRP e Nav) e o NGF.

Simultaneamente, a restauração da homeostase das organelas surge como a nova fronteira para conter o catabolismo articular e a apoptose dos condrócitos. Para viabilizar essas novas estratégias, é imperativo o desenvolvimento de sistemas avançados de entrega de fármacos, capazes de superar as barreiras de permeabilidade das membranas biológicas. Por fim, embora as bases teóricas e pré-clínicas sejam robustas, a transição para a prática clínica exige a validação de biomarcadores específicos e a realização de estudos rigorosos para garantir a segurança e a eficácia dessas intervenções modificadoras da doença.