Noticias médicas

/ Publicado el 10 de abril de 2022

Prática clínica

Os primeiros sinais da doença de Parkinson

A perda auditiva e a epilepsia são características precoces da doença

Pesquisadores da Queen Mary University of London financiados pela Bart's Charity publicaram no Jama Neurology o primeiro estudo a investigar manifestações pré-diagnósticas da doença de Parkinson (DP) em uma população urbana diversificada. Identificaram uma ampla gama de sintomas relatados até uma década antes do diagnóstico.

As características iniciais da doença de Parkinson foram descritas anteriormente por meio de estudos populacionais, mas esses grupos super-representavam pessoas brancas com nível socioeconômico elevado e podem não ser generalizáveis.

O estudo da Queen Mary University de caso-controle utilizou registro eletrônico de saúde de 1.055 pacientes com DP e mais de um milhão de controles da atenção primária do Leste de Londres ente 1990 e 2018 para explorar os sintomas pré-diagnósticos e fatores de risco para a doença. Os pacientes tinham em média 72,9 anos e mais da metade (59,9%) eram do sexo masculino.

Tremor (risco relativo [RR]), 145,96) e sintomas de memória (RR 8,60) foram relatados até 10 e 5 anos antes do diagnóstico, respectivamente, e foram fortemente associados ao diagnóstico da DP. Várias características pré-diagnósticas reconhecidas foram replicadas no estudo, mas novas associações temporais entre epilepsia (RR, 2,5) e perda auditiva (RR, 1,66) com a doença foram observadas.

Além disso, fatores de risco como hipertensão (RR, 1,36) e diabetes tipo 2 (RR, 1,39) também foram associados ao diagnóstico subsequente de DP, bem como sintomas não motores precoces, incluindo hipotensão (RR, 6,84), constipação (RR, 3,29) e depressão (RR, 4,69).

O leste de Londres tem uma das maiores proporções de grupos étnicos negros, sul-asiáticos e mistos/outros, que compreendem cerca de 45% dos residentes na área, em comparação com 14% no resto do Reino Unido. Ele também tem alguns dos mais altos níveis de privação socioeconômica no Reino Unido, e 80% dos pacientes incluídos no estudo eram de famílias de baixa renda.

A principal autora do estudo, Cristina Simonet, neurologista e estudante de doutorado no Queen Mary, comentou: “Este foi o primeiro estudo com foco na fase pré-diagnóstica da doença de Parkinson em uma população tão diversificada. Pessoas de grupos étnicos minoritários e de áreas carentes têm sido amplamente sub-representadas na pesquisa do Parkinson até agora, mas para termos uma visão completa da condição, precisamos garantir que a pesquisa seja inclusiva e represente todos os afetados.”

“Nossos resultados revelaram novos fatores de risco e sintomas iniciais - epilepsia e perda auditiva. Embora pesquisas anteriores tenham sugerido a maior prevalência deles em pacientes com DP, mais estudos são necessários para o entendimento completo da relação desses com a doença.Enquanto isso, é importante que os profissionais de cuidados primários estejam cientes desses vínculos e entendam o quão cedo os sintomas da DP possam aparecer, para que os pacientes obtenham um diagnóstico oportuno e os médicos consigam agir precocemente para ajudar a controlar a condição.”

Alastair Noyce, neurologista e neuroepidemiologista do Queen Mary, que também é autor da nova pesquisa, continuou: “As pessoas procuram seus médicos generalistas com sintomas, mas geralmente não recebem um diagnóstico correto até cinco a dez anos depois disso. O tremor, por exemplo, é um dos sintomas mais reconhecíveis do Parkinson – mas foi observado dez anos antes do eventual diagnóstico. Isso é muito tempo para os pacientes esperarem. Se conseguirmos diagnosticar a doença mais precocemente, teremos uma oportunidade real de intervir e oferecer tratamentos que possam melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

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