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/ Publicado el 8 de octubre de 2024

Sistema endócrino

Obesidade infantil e doenças autoimunes da pele

A relação da obesidade com o desenvolvimento de doenças cutâneas inflamatórias crônicas, como psoríase, hidradenite supurativa, dermatite atópica e malignidades cutâneas, tem sido investigada

Autor/a: Kim, Seong Rae et al.

Fuente: Journal of Investigative Dermatology, Volume 144, Issue 9, 1975 - 1984.e10 Childhood Obesity, Weight Change, and Pediatric Immune-Mediated Skin Diseases

As doenças autoimunes da pele (DAPs), como alopecia areata (AA), dermatite atópica (DA) e psoríase, tornaram-se recentemente uma grande preocupação de saúde pública, especialmente entre as crianças. Essas têm efeitos prejudiciais na qualidade de vida (QV), incluindo o bem-estar emocional, físico, social e funcional, tanto nas crianças quanto em suas famílias. Além disso, as opções limitadas de tratamento e a falta de ensaios clínicos para terapias sistêmicas apresentam desafios consideráveis no tratamento das crianças.

As taxas de obesidade infantil aumentaram significativamente nos últimos anos. Crianças com excesso de peso têm maior risco de desenvolver obesidade na fase adulta, além de doenças não transmissíveis, como diabetes e doenças cardiovasculares. Particularmente, a relação da obesidade com o desenvolvimento de doenças cutâneas inflamatórias crônicas, como psoríase, hidradenite supurativa, DA e malignidades cutâneas, tem sido investigada. Os mecanismos dessa conexão ainda são incertos; no entanto, o excesso de tecido adiposo tem sido hipotetizado como um gatilho de mecanismos pró-inflamatórios que influenciam o desenvolvimento de doenças de pele.

Por isso, Kim e colaboradores (2024) realizaram um grande estudo longitudinal com o objetivo de examinar a associação entre o índice de massa corporal (IMC) ou sua mudança e o desenvolvimento de três principais DAPs — AA, DA e psoríase — em crianças.

Para o estudo, os autores utilizaram o banco e dados nacional de bebês e crianças do Serviço Nacional de Seguro de Saúde da Coreia (NHIS). Da população total de crianças na Coreia do Sul, 2.161.900 crianças que passaram pelas triagens de saúde entre 2009 e 2020 foram incluídas no estudo. Foram excluídos bebês nascidos prematuramente e os que ficaram na unidade de terapia intensiva neonatal por pelo menos 5 dias. Além disso, também foram excluídos indivíduos que faleceram, aqueles com histórico de AA, DA ou psoríase, e aqueles com valores de covariáveis ausentes antes da data de referência, que foi definida como 4 anos após a data de nascimento (último ponto possível para a quinta triagem de saúde).

O IMC foi avaliado durante cada triagem. As medições da quinta triagem de saúde foram usadas para analisar a associação entre sobrepeso/obesidade e doenças autoimunes da pele. A mudança no IMC foi calculada estimando a diferença entre os valores medidos durante a quinta e a quarta triagem de saúde. Com base na mudança resultante, os indivíduos foram categorizados como normais (IMC < 85º percentil), com sobrepeso (IMC = 85º–94º percentil) ou obesos (IMC ≥ 95º percentil).

Do total de 2.161.900 crianças na Coreia do Sul que participaram da quarta (30–36 meses) e quinta (42–48 meses) triagens de saúde entre 2009 e 2020, as coortes para AA, DA e psoríase incluíram, respectivamente, 2.012.465, 1.426.241 e 2.012.067 crianças sem histórico de DAPs antes dos 48 meses de idade. Durante o período de observação, foram identificados 4.878 casos de AA, 41.386 de DA e 2.191 de psoríase.

Um percentil mais alto de IMC mostrou uma associação significativa com riscos aumentados de AA, DA e psoríase em crianças, enquanto percentis mais baixos foram associados a um risco reduzido. Comparadas às crianças com peso normal, aquelas com sobrepeso tiveram um risco aumentado de DA, e as obesas apresentaram risco para todas as DAPs avaliadas. Esses resultados permaneceram consistentes mesmo após a estratificação da população com base em sexo, status de amamentação, renda familiar e peso ao nascer.

Um aumento do IMC durante a quarta e quinta avaliação foi associado a um maior risco de DA enquanto a diminuição reduziu o risco. Sendo assim, comparadas às crianças com sobrepeso que mantiveram esse peso, aquelas que reduziram o peso para um nível normal apresentaram um risco reduzido de DA.

Em conclusão, a obesidade infantil foi associada a um aumento no risco de DAPs, incluindo AA, DA e psoríase. Além disso, o ganho de peso foi correlacionado a um aumento do risco de DA, enquanto a sua perda a redução. A implementação de intervenções direcionadas, incluindo estratégias nutricionais para reduzir o peso corporal, pode ajudar a diminuir o risco de desenvolvimento de DAPs em crianças.