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/ Publicado el 2 de enero de 2026

Obesidade Sarcopênica

Obesidade abdominal e perda de massa muscular aumentam o risco de morte em 83% após os 50 anos

Entenda como a combinação de obesidade abdominal e perda de massa muscular multiplica o risco de morte em idosos, superando os efeitos isolados de cada condição.

Autor/a: Valdete Regina Guandalini et al.

Fuente: Aging Clinical and Experimental Research. V. 6, N. 222, 2024. DOI: 10.1007/s40520-024-02866-9 Can simple measures from clinical practice serve as a proxy for sarcopenic obesity and identify mortality risk?,

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no Brasil, em parceria com o University College London (UCL) no Reino Unido, concluiu que a combinação de gordura abdominal e perda de massa muscular aumenta o risco de morte em 83%, em comparação com pessoas sem essas condições.

Essa combinação é tão perigosa que identifica um problema ainda maior: a obesidade sarcopênica. Essa condição é caracterizada pela perda de massa muscular enquanto se ganha gordura em todo o corpo. É uma condição difícil de diagnosticar, e está relacionada à perda de autonomia e à piora da qualidade de vida em idosos. Também é conhecida como síndrome da fragilidade e está associada a um risco aumentado de quedas e outras comorbidades.

"Além de avaliar o risco de morte associado à obesidade abdominal e à baixa massa muscular, conseguimos comprovar que métodos simples podem ser usados para detectar a obesidade sarcopênica. Isso é importante porque a falta de consenso sobre os critérios diagnósticos para essa doença dificulta a detecção e o tratamento", afirmou Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e um dos autores do estudo.

"Assim, nossos achados permitem que os idosos tenham maior acesso a intervenções precoces, como acompanhamento nutricional e exercício físico, garantindo uma melhora na qualidade de vida."

Os resultados, publicados na revista Aging Clinical and Experimental Research, foram obtidos a partir de 12 anos de acompanhamento de 5.440 participantes do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA) com 50 anos ou mais.

Sem necessidade de diagnóstico custoso

A obesidade sarcopênica é tipicamente diagnosticada usando testes complexos como ressonância magnética, tomografia computadorizada, bioimpedância elétrica ou densitometria. Esses identificam o excesso de gordura corporal e a redução da massa e função muscular. No entanto, apesar de sua alta precisão, são caros e só estão disponíveis em poucos serviços de saúde. Isso torna o diagnóstico da doença um grande desafio na prática clínica.

"Ao correlacionar dados dos participantes do estudo ELSA, descobrimos que medidas simples, como medir a circunferência abdominal e estimar a massa magra [usando uma equação consolidada que considera variáveis clínicas como idade, sexo, peso, raça e altura], mostraram pela primeira vez que é possível rastrear esses indivíduos precocemente", comemorou Alexandre.

A relação entre a perda de massa muscular e a obesidade abdominal tem um efeito amplificado no metabolismo. "O estudo revelou que indivíduos com ambas as condições tinham um risco de morte 83% maior em comparação com aqueles que não as tinham. Também descobrimos que essa percentagem foi reduzida em 40% entre aqueles com baixa massa muscular e sem obesidade abdominal, uma descoberta que reforça o perigo potencial da coexistência das condições."

"Curiosamente, indivíduos com obesidade abdominal, mas com massa muscular adequada, não foram associados a um risco aumentado de morte", explicou Valdete Regina Guandalini, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e pesquisadora do Departamento de Gerontologia da UFSCar. Ela também é a primeira autora do artigo.

Ela explicou que o excesso de gordura intensifica processos inflamatórios que desencadeiam alterações metabólicas e catabólicas, agravando ainda mais a perda muscular. "Além de uma condição interferir na outra, a gordura se infiltra no músculo e ocupa seu espaço. Essa inflamação sistêmica e progressiva afeta diretamente o tecido muscular, comprometendo suas capacidades metabólicas, endócrinas, imunológicas e funcionais", disse ela.

Como não há consenso entre pesquisadores em todo o mundo sobre a definição de obesidade sarcopênica, o estudo utilizou medidas mais simples para definir obesidade abdominal e perda de massa muscular. Assim, para prever o risco de obesidade sarcopênica, os pesquisadores identificaram a obesidade abdominal como tendo uma circunferência abdominal maior que 102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres. Ao mesmo tempo, baixa massa muscular foi definida como um índice de massa muscular esquelética inferior a 9,36 kg/m² para homens e inferior a 6,73 kg/m² para mulheres.