| Introdução |
O microbioma intestinal é composto por 500 a 1.000 diferentes espécies de microrganismos que, coletivamente, expressam pelo menos 100 vezes mais genes do que os presentes no genoma humano. Há uma crescente evidência de que distúrbios na microbiota contribuem para uma ampla gama de doenças inflamatórias e metabólicas. Nos últimos anos, houve um interesse crescente no papel da disbiose na patogênese de doenças ósseas e articulares. Por exemplo, um estudo de Schott et al., (2018) mostrou que a alteração da microbiota relacionada à obesidade levou à osteoartrite (OA).
Para avaliar ainda mais o papel dos microrganismos na patogênese da OA, Sophocleous e colaboradores (2022) investigaram os efeitos da ablação da microbiota induzida por antibióticos seguida de reconstituição e administração de probióticos em um modelo de camundongo em que a OA foi induzida cirurgicamente pela desestabilização do menisco medial (DMM).
| Métodos |
A microbiota intestinal foi esgotada por antibióticos de amplo espectro a partir de 1 semana antes do nascimento até 6 semanas de idade, quando os camundongos foram submetidos à reconstituição desta com transplante fecal microbiano (FMT), seguido pela administração de uma mistura de cepas probióticas Lacticaseibacillus paracasei 8700: 2, Lactiplantibacillus plantarum HEAL9 e L. plantarum HEAL19 ou veículo. Todos os camundongos foram submetidos a DMM às 8 semanas de idade. A gravidade da osteoartrite foi avaliada por análise histológica e os efeitos sobre o osso subcondral foram investigados por análises de microCT.
| Resultados |
A combinação de FMT e probióticos inibiu significativamente os danos na cartilagem no côndilo femoral medial, de modo que o escore da Osteoarthritis Research Society International (OARSI) foi de 4,64 ± 0,32 no grupo FMT e probióticos, em comparação com 6,48 ± 0,53 no controle (FMT e veículo).
A análise por microCT do osso epifisário do côndilo femoral mostrou que o grupo probiótico apresentava maior volume ósseo trabecular (BV/TV), aumento da espessura trabecular (Tb.Th) e placas ósseas subcondrais moderadamente mais espessas que o grupo controle. Em relação ao osso subcondral tibial os resultados foram similares.
Não houve diferença entre os grupos na inflamação articular ou nas concentrações séricas de citocinas e quimiocinas inflamatórias.
| Conclusão |
O tratamento com probióticos após FMT em camundongos cuja microbiota foi esgotada inibiu os danos na cartilagem induzidos por DMM e impactou na estrutura do osso subcondral, especialmente no côndilo femoral. Embora sejam necessários mais estudos para elucidar o mecanismo de ação, a pesquisa sugeriu que esses probióticos podem representar uma intervenção inovadora para o tratamento da osteoartrite.