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/ Published on July 23, 2025

Crononutrição

O tipo de refeição, e não a sequência, afeta a duração e o comportamento alimentar

Descubra como a seleção de alimentos "in natura" e a ordem de consumo podem ser ferramentas eficazes no controle do peso e na prevenção de doenças metabólicas.

A obesidade é uma condição que contribui para o risco cardiovascular e o de doenças malignas. O princípio básico da terapia para a doença é limitar a ingestão excessiva de alimentos, mantendo uma ingestão equilibrada de nutrientes. Estratégias comuns para reduzir a ingestão de energia envolvem evitar dietas ricas em carboidratos e gorduras, aumentando o consumo de fibras.

Acredita-se também que comer devagar reduz a ingestão de alimentos e previne a obesidade. Além disso, as sequências de refeições também são relacionadas como uma medida de controla a doença. Quando os carboidratos vêm por último, há uma redução do aumento dos níveis de glicose no sangue, acarretando um aumento do tempo das refeições e uma diminuição da variabilidade glicêmica. Acredita-se que a secreção de incretina esteja envolvida nesse efeito. Os vegetais, quando consumidos primeiro, levam a uma diminuição dos níveis de glicose pós-prandial. Assim, a sequência de refeições é potencialmente útil na orientação nutricional para prevenir e tratar diabetes e obesidade; no entanto, seus efeitos na duração da refeição e no ritmo de mastigação permanecem obscuros.

Outros fatores que afetam os comportamentos e preferencias alimentares são o sexo e a idade. No primeiro, foi relatado que mulheres consomem mais peixe, enquanto homens mais carne. Ademais, a duração da refeição e o número de mastigações difere por sexo. Em relação a idade, acredita-se que a duração da refeição aumenta rapidamente após os 60 anos.

Para esclarecer os efeitos dos diferentes tipos e sequências de refeição na duração da alimentação entre indivíduos do sexo masculino e feminino com idades entre 20 e 65 anos, Deguchi e colaboradores (2025) realizaram um estudo com pizza versus hambúrguer, arroz e brócolis (vegetal primeiro vs. por último).

Este foi um ensaio de intervenção prospectivo no qual 41 participantes com idades entre 20 e 65 anos (homens: n = 18; mulheres: n = 23) foram recrutados. No total três grupos foram formados e comparados, pizza, bento (brócolis primeiro) e bento (brócolis por último), e os pesquisadores examinaram se a duração da refeição, o número e o tempo de mastigação e o número de mordidas foram afetados pelo tipo de refeição (pizza vs. bento) e pela sequência da refeição (vegetais primeiro ou por último).

O Brief-Type Self-Administered Diet History Questionnaire (BDHQ), uma ferramenta desenvolvida para avaliar os hábitos alimentares, foi administrado quatro horas após o café da manhã e o peso e a força de preensão manual dos participantes foram medidos. O peso corporal, a porcentagem de gordura corporal, o índice de massa muscular esquelética (SMI) e a massa muscular foram medidos.

Em relação aos 41 participantes, não houve diferença na idade entre os homens e mulheres. Os valores médios do IMC (kg/m2) foram de 23,9 ± 3,6 e 21,6 ± 2,1 para os grupos masculino e feminino, respectivamente. A porcentagem de gordura corporal (%), o índice de massa muscular esquelética (SMI) (kg/m2) e a força de preensão (kg) também foram maiores em homens do que em mulheres.

Os resultados do BDHQ revelaram que os níveis de energia alvo estimados para homens e mulheres foram de 2581,1 ± 98,1 kcal e 1974,6 ± 16,5 kcal (p < 0,001), respectivamente. A ingestão real de energia entre eles foi de 1761,1 ± 619,6 kcal e 1545,9 ± 304,8 kcal, respectivamente, e não diferiu entre os sexos.

Independentemente do sexo e da sequência da refeição, comer pizza foi associado a uma duração de refeição mais curta, uma frequência de mastigação menor e um tempo de mastigação menor do que o bento de bife de hambúrguer. A duração da refeição foi associada ao número de mastigações e de mordidas, idade, sexo e tipo de refeição, mas não ao tempo de mastigação. Estes resultados indicaram que, independentemente da sequência da refeição, comer alimentos servidos individualmente leva a aumentos na duração da refeição e no número de mastigações. Além de aumentar o número de mastigações e mordidas, a seleção adequada do tipo de refeição (bento em vez de fast foods) pode prolongar a duração da refeição.

No entanto, comer vegetais primeiro ou por último não teve efeito na duração da refeição. Sendo assim, servir alimentos individualmente e comer com hashis pode ser eficaz em fornecer orientação nutricional para indivíduos com obesidade. A orientação para selecionar bento em vez de fast food é importante devido ao seu valor nutricional superior, duração da refeição e número de mastigações. Pesquisas futuras também devem verificar as durações e conteúdos das refeições no ambiente cotidiano de indivíduos obesos. Além disso, aspectos psicológicos e melhorias ambientais, que não foram examinados neste estudo, também devem ser considerados.