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/ Publicado el 10 de octubre de 2025

Redes sociais

O que você publica em sua rede social impacta o seu paciente?

Sua presença online está ajudando ou prejudicando seus pacientes? Entenda o impacto das redes sociais na relação médico-paciente e nos resultados de saúde.

Autor/a: Qian Sun, Guiyao Tang, Wenxiao Xu, Shaoli Zhang

Fuente: Sec. Digital Public Health, v. 12, 2024 Social media stethoscope: unraveling how doctors’ social media behavior affects patient adherence and treatment outcome

As mídias sociais representam uma oportunidade valiosa para a interação entre médicos e pacientes. Um número crescente de profissionais de saúde está utilizando as mídias sociais para coletar e disseminar informações sobre tratamento, colaborar com colegas e interagir diretamente com pacientes visando aprimorar o cuidado clínico. A exposição ao conteúdo postado pelos médicos tem o potencial de influenciar a forma como os pacientes os julgam. Estudos anteriores mostraram que a natureza do conteúdo compartilhado afeta o nível de confiança do paciente. No entanto, ainda não está claro se o comportamento dos médicos nas mídias sociais tem o potencial de afetar os resultados de saúde dos pacientes, e quais fatores específicos podem mediar ou moderar essa influência.

Por isso, Sun e colaboradores (2024) exploraram a complexa dinâmica do comportamento dos médicos nas mídias sociais e seu impacto nos resultados do paciente, oferecendo orientação sobre como os profissionais podem usar eficazmente as redes sociais para apoiar a gestão da saúde e melhorar a experiência e satisfação do paciente.

No total, 35 médicos forneceram informações demográficas e completaram um questionário de autoavaliação sobre seu comportamento de mídia social (incluindo o tipo de conteúdo que criam e compartilham, a frequência e o envolvimento com seguidores) e seu humor. Em seguida, na clínica ambulatorial, 322 pacientes foram convidados a seguir um dos canais de mídia social do médico e a preencher um questionário em papel com dados demográficos e informações específica. Por fim, os médicos avaliaram individualmente a aderência do paciente e o resultado do tratamento após a conclusão total ou parcial do manejo.

Os médicos participantes tinham uma idade média de 37,65 anos, sendo 62,9% do sexo feminino, com alto nível de escolaridade (a maioria com Mestrado ou Doutorado). Os pacientes tinham uma idade média de 32,86 anos (58,1% mulheres) e a maioria (70%) havia visitado seus médicos duas vezes ou mais.

O comportamento nas redes sociais foi categorizado em duas dimensões:

·       Utilização profissional: publicação de conhecimentos médicos, avanços científicos, recomendações terapêuticas ou conteúdo educativo.

·       Utilização pessoal: compartilhar aspectos da vida privada, como fotos de família, férias ou opiniões não relacionadas com a profissão.

A utilização profissional foi positivamente correlacionada com a adesão do paciente e com o resultado do tratamento. Em contraste, pacientes expostos a publicações não profissionais tenderam a seguir menos as orientações médicas, resultando em piores resultados terapêuticos.

Diversos mecanismos que influenciam esses resultados foram relatados pelos pacientes:

·       Confiança e percepção de profissionalismo: Quando os médicos publicam conteúdos profissionais, os pacientes percebem maior competência e confiança, o que reforça sua disposição a seguir as recomendações.

·       Erosão da imagem profissional: O conteúdo pessoal, especialmente se for inadequado (fotos em situações informais, comentários controversos), pode gerar dúvidas sobre a seriedade e objetividade do médico, afetando negativamente a relação terapêutica.

·       Gênero do médico: O estudo descobriu que os médicos do sexo masculino se beneficiaram mais do conteúdo profissional em termos de adesão do paciente, enquanto as médicas enfrentaram maior escrutínio e vieses quando compartilhavam tanto conteúdo profissional quanto pessoal.

·       Uso do humor: Embora o humor possa humanizar a interação, seu uso excessivo ou inadequado em redes sociais reduziu a adesão, especialmente quando combinado com conteúdo pessoal. Os pacientes tenderam a questionar a competência de médicos que misturavam humor com aspectos não profissionais.

Sendo assim os autores recomendaram priorizar os conteúdos profissionais, estabelecer limites claros (evitar compartilhar conteúdo pessoal que possa ser interpretado como pouco profissional ou que gere conflitos de interesse) e considerar o contexto cultural e de gênero.

Em conclusão, Sun e colaboradores (2024) forneceram evidências empíricas sobre como o comportamento de médicos em mídias sociais influenciou a adesão do paciente e os resultados do tratamento. Os insights obtidos neste estudo oferecem orientações valiosas para médicos sobre como otimizar suas práticas de mídia social e estratégias de comunicação, visando, em última análise, melhorar a adesão do paciente e a eficácia do tratamento.