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/ Publicado el 7 de julio de 2024

Importância na prática clínica

O potencial dos probióticos como terapia para a osteoporose

O potencial da microbiota intestinal em transformar a saúde óssea

Autor/a: Collins et al., 2018

Fuente: ASM Journals The Potential of Probiotics as a Therapy for Osteoporosis

A osteoporose é caracterizada pela baixa massa óssea e pela deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, resultando em um risco aumentado de fraturas. Essa condição pode ser classificada em duas formas: primária, que ocorre como parte do processo natural de envelhecimento, e secundária, que surge como consequência de uma patologia.

Há muito tempo sabe-se que o sistema gastrointestinal desempenha um papel crucial na manutenção da saúde óssea, regulando a absorção de cálcio. No entanto, estudos recentes destacaram a importância da microbiota intestinal nessa função. Portanto, a sua modificação por meio da ingestão de probióticos pode ser uma estratégia terapêutica viável para a osteoporose. Nesse contexto, Collins e seus colaboradores (2018) fizeram uma revisão dessa relação para descobrir as implicações.

Papel da Microbiota Intestinal na Influência do Osso

Apesar dos tratamentos farmacológicos e intervenções no estilo de vida para a osteoporose, suas limitações, como efeitos colaterais, evidenciam a necessidade de novas terapias. Estudos indicaram que o trato gastrointestinal pode influenciar a saúde óssea. Isso ocorre pela regulação da absorção de minerais essenciais para ossos saudáveis, como cálcio, fósforo e magnésio. Além disso, fatores endócrinos e os derivados do intestino, como incretinas e serotonina, também podem influenciar a remodelação óssea.

Pesquisas com animais livres de germes e probióticos demonstraram a influência do microbioma intestinal na modulação da fisiologia óssea.  Estudos observaram que a massa óssea era maior nos camundongos livres de germes em comparação com os convencionais. Além disso, também apresentaram um número reduzido de osteoclastos por superfície óssea e menor frequência de células T CD4+ e precursores de osteoclastos na medula óssea. Esses resultados foram normalizados após a colonização do intestino com microbiota convencional.

Probióticos

Os probióticos são suplementos dietéticos que contêm microrganismos vivos não patogênicos, benéficos para o auxílio do tratamento e prevenção de diversas condições patológicas. Gêneros de bactérias como Lactobacillus, Bacillus, Escherichia e Bifidobacterium são comuns devido aos seus efeitos positivos. Embora o exato mecanismo de ação não seja totalmente compreendido, sabe-se que eles podem influenciar o intestino regulando o pH luminal, secretando peptídeos antimicrobianos, melhorando a função de barreira ao aumentar a produção de muco, modulando o sistema imunológico e alterando a microflora intestinal.

> Probióticos e ossos em modelos animais não patológicos

O uso de modelos animais saudáveis tem sido empregado para avaliar a segurança, eficácia e mecanismos da suplementação probiótica. Em um estudo com Lactobacillus reuteri ATCC 6475, a sua administração em camundongos machos saudáveis resultou em um aumento significativo na densidade óssea trabecular femoral e vertebral, número e espessura trabecular, conteúdo e densidade mineral óssea. Embora o mecanismo exato não tenha sido completamente identificado, a suplementação com L. reuteri 6475 reduziu a expressão da citocina inflamatória TNFα no jejuno e no íleo.

Estudos paralelos mostraram que o tratamento de ratos com iogurte contendo L. casei, L. reuteri e L. gasseri aumentou a absorção de cálcio, resultando em maior conteúdo mineral ósseo (CMO) em comparação com o controle. Da mesma forma, a suplementação com Lactobacillus rhamnosus (HN001) melhorou a retenção de magnésio e cálcio.

> Probióticos e saúde óssea em modelos animais de osteoporose

Osteoporose Primária

Em um estudo, a bactéria L. reuteri ATCC 6475 foi utilizada em um modelo de menopausa primária em camundongos com osteoporose induzida por ovariectomia (OVX). Camundongos receberam a bactéria três vezes por semana e continuamente na água potável (1,5×108 cfu/ml) durante quatro semanas após a cirurgia de OVX. A análise dos ossos femorais e vertebrais por μCT revelou que esses camundongos estavam completamente protegidos da perda óssea, apresentando um volume ósseo/trabecular (BV/TV) comparável ao dos controle. Além disso, houve aumentos significativos na densidade e no conteúdo mineral ósseo (DMO e CMO).

Osteoporose Secundária: O Diabetes Tipo 1 (DT1) é uma doença metabólica causada pela deficiência na secreção de insulina, resultando em hiperglicemia e outras deficiências metabólicas que afetam diversos órgãos, incluindo o esqueleto. Diferente da osteoporose primária, a induzida por DT1 é caracterizada por desregulação no número e atividade dos osteoblastos e aumento da adiposidade na medula óssea, mas sem grande impacto na atividade dos osteoclastos.

Em um estudo, a administração de L. reuteri mostrou-se eficaz na prevenção da perda óssea em camundongos machos C57BL/6 com diabetes induzido por estreptozotocina (STZ). Após quatro semanas, eles apresentaram uma redução de 35% na fração de volume ósseo, efeito que foi inibido pelo tratamento com L. reuteri. O tratamento também evitou a diminuição no número trabecular e o aumento no espaçamento trabecular causados pelo DT1. A perda óssea foi associada à redução da atividade osteoblástica, evidenciada pela diminuição dos níveis séricos de osteocalcina e da taxa de aposição mineral. O tratamento com L. reuteri 6475 melhorou os níveis de osteocalcina e a taxa de aposição mineral, indicando um efeito anabólico na formação óssea.

Considerações finais

A osteoporose é uma complicação grave que afeta o esqueleto e tem um impacto significativo na qualidade de vida. É essencial desenvolver estratégias novas, seguras e eficazes para prevenir ou tratar a osteoporose associada a diferentes condições. Como potencial, o efeito dos probióticos em modelos animais sugeriu que a sua suplementação pode ser uma alternativa segura e eficaz para prevenir a perda óssea em várias condições.