Artículos

/ Publicado el 12 de mayo de 2024

Situação atual e perspectivas futuras

O papel potencial dos probióticos no tratamento da dor da osteoartrite

Esta revisão explorou o potencial benefício dos probióticos na doença

Autor/a: Rahman, S. et al. (2023)

Fuente: Springer Link https://link.springer.com/article/10.1007/s11926-023-01108-7

Introdução

A osteoartrite (OA) é uma doença articular crônica caracterizada pela deterioração progressiva de toda a articulação sinovial, incluindo a cartilagem articular, a sinovial e o osso subcondral. Os sintomas, como dor crônica e limitações físicas, podem ter um impacto significativo na qualidade de vida do paciente. Embora tradicionalmente considerada uma doença mecânica, pesquisas recentes destacaram o papel crucial da inflamação na degeneração da cartilagem e nas respostas de reparo comprometidas associadas à OA.

A microbiota intestinal desempenha um papel fundamental na saúde metabólica, imunológica, estrutural e neurológica. A disbiose, que tem sido associada a doenças crônicas e disfunções metabólicas, pode induzir a produção de citocinas pró-inflamatórias e metabólitos bacterianos, como lipopolissacarídeos, que são reconhecidos pelo sistema imunológico inato por meio de receptores de reconhecimento de padrões (PRRs) e padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs). A disbiose intestinal pode modular a resposta imune, aumentando a sensibilidade dos nociceptores e diminuindo o limiar de dor. O uso de probióticos para modular a microbiota intestinal tem sido considerado uma nova estratégia terapêutica para o tratamento da dor crônica associada à OA, como sugerido por Rahman e colaboradores (2023) através desta revisão. 

Inflamação crônica de baixo grau: principal mediador da progressão da OA

Avanços na biologia molecular destacaram o papel da inflamação na osteoartrite, com a descoberta de citocinas em sua patogênese. Estudos de imagem e visualizações artroscópicas mostraram a presença de inflamação sinovial tanto na OA inicial quanto na avançada, contribuindo para o desenvolvimento e progressão da doença. A sinovite, inflamação da membrana sinovial, é um marcador precoce da OA e está associada à infiltração de células inflamatórias e à expressão aumentada de mediadores inflamatórios. Essa desempenha um papel crítico na degradação da cartilagem e no envolvimento dos condrócitos, contribuindo para a inflamação crônica de baixo grau característica da OA.

Microbioma gastrointestinal e a inflamação de baixo grau na OA

O termo "eixo articular intestinal" foi introduzido para descrever uma conexão entre o microbioma gastrointestinal, as respostas imunes e a fisiopatologia articular. A disbiose tem sido associada à gravidade da OA, indicando implicações sistêmicas pela interrupção da permeabilidade intestinal.

Estudos mostraram que a obesidade e dietas ricas em açúcar e gordura podem modular a composição do microbioma, resultando em aumento da proporção de Firmicutes/Bacteroidetes e maior permeabilidade intestinal, contribuindo para um estado pró-inflamatório. Pesquisas indicaram que produtos bacterianos podem vazar do intestino para a circulação sistêmica, causando inflamação, especialmente em condições comórbidas.

Associação entre o microbioma intestinal e a dor relacionada à OA

Estudos sugeriram que a microbiota intestinal desempenha um papel na dor inflamatória. Em modelos animais, a ausência de germes reduziu a dor, enquanto a transferência de fezes de animais convencionais para animais livres de germes aumentou a sensibilidade. A microbiota intestinal parece afetar a percepção da dor por meio da regulação da expressão de interleucina 10 (IL-10) e pode estar envolvida na inflamação aguda e na dor relacionada à gota.

No entanto, são necessários estudos clínicos de alta qualidade para investigar o papel do microbioma intestinal na dor associada à osteoartrite.  Algumas pesquisas sugeriram uma relação entre certos táxons ou produtos microbianos, como lipopolissacarídeos (LPS), e a gravidade dos sintomas de OA, incluindo dor no joelho. A presença de certos táxons microbianos, como Clostridium e Streptococcus, está associada a uma maior dor no joelho. Além disso, a presença de LPS na cartilagem de pacientes com OA sugere uma possível ligação entre microbioma intestinal disbiótico, inflamação e dor relacionada à OA.

Papel dos probióticos na dor da OA

Probióticos são microrganismos vivos benéficos encontrados em alimentos e suplementos dietéticos, que oferecem benefícios à saúde quando consumidos em quantidade adequada. São importantes para manter o equilíbrio intestinal e podem sobreviver ao sistema digestivo, fixando-se no intestino e exercendo efeitos benéficos por meio de vários mecanismos, como competição com bactérias patogênicas, fortalecimento da barreira intestinal e produção de substâncias antimicrobianas.

Estudos anteriores destacaram o papel dos probióticos em distúrbios musculoesqueléticos relacionados à idade, possivelmente restaurando a função da barreira intestinal e inibindo fatores pró-inflamatórios. Além disso, pesquisas clínicas mostraram que os probióticos podem melhorar condições como artrite inflamatória. Estudos também sugeriram que os probióticos podem ser eficazes no tratamento de diferentes tipos de dor, como dor dentária, lombar, menstrual e de cabeça/enxaqueca. Essas descobertas indicaram que os probióticos podem desempenhar um papel importante em estratégias de manejo multidisciplinares e multimodais para tratar a dor associada à osteoartrite.

Conclusão e perspectivas futuras

A ligação entre o desequilíbrio da microbiota intestinal e seu papel no desenvolvimento e progressão da osteoartrite e na dor associada está cada vez mais evidente. Estudos experimentais em modelos animais e tendências em estudos clínicos sugeriram que os probióticos podem beneficiar pacientes com dor causada pela OA, modulando positivamente a microbiota intestinal e reduzindo a inflamação de baixo grau por várias vias. O avanço do conhecimento nessa área pode levar ao desenvolvimento de cepas probióticas específicas para melhorar os resultados do tratamento da OA, reduzindo seu impacto nos sistemas de saúde globalmente.