A medicina psicossomática investiga e oferece caminhos para prática na promoção de saúde mais voltada para o paciente. É um campo científico cujo conceito central é que a mente e o corpo são aspectos integrais de todos os aspectos da função humana. Não se trata apenas da doença, mas também da saúde.1
Em um artigo de revisão, Fava et al., definiu a medicina psicossomática como uma estrutura abrangente e interdisciplinar para a avaliação de fatores psicossociais afetando a vulnerabilidade individual e o curso de desfecho de qualquer doença; uma consideração holística do cuidado do paciente e integração de terapias psicológicas na prevenção, tratamento e reabilitação de doenças.2 Como a definição explicita, trata-se de um campo multidisciplinar da medicina. Isso quer dizer que todos os profissionais de saúde precisam ter uma visão de fatores extrínsecos na saúde e na doença dos indivíduos.1
O fisioterapeuta é o profissional que constrói o diagnóstico e prognóstico cinético-funcional, e assim, analisa a qualidade do movimento, amplitude, sua precisão, graus de repercussão funcional e sistêmica e as estruturas anatômicas envolvidas para estabelecer procedimentos. 3 Sendo assim, o fisioterapeuta é o profissional da área de saúde que mantém e restaura o máximo de movimento e das habilidades funcionais das pessoas quando elas são afetas por idade, lesão, fatores ambientais e doenças de origem ortopédica, oncológica, neurológica, ginecológica, cirúrgica e cardiopulmonar.
No entanto, o licenciado em fisioterapia não se limita apenas ao cuidado do paciente, mas também a atividades estratégicas de saúde pública, docência, investigação, gestão e implementação de políticas de saúde. O vasto espectro dessas atividades torna a participação de vários profissionais necessária e imprescindível como médicos, enfermeiros, psicólogos, dentistas, farmacêuticos, entre outros, já que o reconhecimento e a colaboração entre os diversos profissionais de saúde é uma estratégia para a promoção global de saúde, preparar os profissionais para atuar em um momento de crise e fornecer maior segurança aos pacientes.
No entanto, o conhecimento médico sobre as atividades e competências do fisioterapeuta é precário, como exposto por Santon e colaboradores em uma pesquisa com 345 médicos através de um questionário. A proporção de respostas corretas sobre perguntas relacionadas a atividade do fisioterapeuta não superou 70%, demonstrando a urgência de criar programas de educação médica continuada na qual informa as diferentes modalidades das atividades fisioterapêuticas.4
Conhecer as atividades desempenhadas pelo fisioterapeuta favorece a realização de objetivos comuns da reabilitação, o crescimento da fisioterapia como disciplina e a aquisição de aptidões e competências com o trabalho interdisciplinar entre os diferentes profissionais de saúde. No entanto, estudos nos Estados Unidos encontraram dificuldades no trabalho interdisciplinar como comunicação, gestão de hierarquias ou resultados inconclusivos da interação interprofissional.
Outro estudo realizado por Abichan Dani et al., com 180 médicos, encontrou que até 97,2% limitam seus conhecimentos ao encaminhamento de pacientes com problemas musculoesqueléticos ou quando apresentam lesões esportivas (93,8%). No entanto, eles reconhecem a falta de conhecimento médico em relação à participação do fisioterapeuta nas áreas cirúrgicas, cardíacas, ginecológicas, entre outras.5
O estudo de Gomez et al. corroborou com a falta de conhecimento médico sobre as diferentes atividades desempenhadas pelos fisioterapeutas, considerando a prática clínica quase de maneira exclusiva. Além disso, o estudo demonstrou que a maioria dos médicos consideram o paciente com patologia neurológica como a mais importante a ser tratada pelo fisioterapeuta.
Alguns enfatizaram a importância da colaboração do fisioterapeuta com os objetivos médicos como: recuperação da força muscular em pacientes de terceira idade, menor incidência de queda, maior satisfação de qualidade do cuidado médico, menor depressão e menor tempo de hospitalização com a melhora na qualidade de vida.
Outras atividades realizadas pelos fisioterapeutas são as de pesquisa, ensino e gestão, que foram consideradas apenas por alguns dos residentes. Atividades de pesquisa e ensino é frequentemente reconhecida não só nos fisioterapeutas, mas em diferentes profissões da área da saúde, não necessariamente médica. A gestão, por outro lado, como parte das atividades é menos conhecida. Saavedra destacou a gestão desenvolvida por fisioterapeutas relacionada com a identificação de empresas que empregam pessoas com deficiência, como amputação de qualquer membro, a fim de conseguir sua inserção laboral, no entanto, eles descrevem pouco impacto desse trabalho do fisioterapeuta, uma vez que poucas empresas têm programas de reintegração laboral e raramente são empregadas. Essa atividade de gestão pelo fisioterapeuta não é de conhecimento comum entre a comunidade médica, o que provavelmente levou a uma taxa de resposta muito baixa dos residentes.6
Por outro lado, Vincent-Onabajo et al. relataram que 66,6% dos estudantes de medicina consideram que a função do fisioterapeuta é de auxiliar o médico e até 75% considerou a falta de autonomia do fisioterapeuta na gestão dos pacientes.7 Em contraste com estes autores, Gomez et al. relataram que os médicos residentes atribuíram maior autonomia do fisioterapeuta na realização de diagnósticos funcionais, que podem estar relacionado ao fato de os residentes serem capacitados em um terceiro nível de atenção à saúde. Porém os pesquisadores chamaram atenção que mais da metade dos médicos não reconhecem sua autonomia no estabelecimento de tratamentos.
No estudo realizado por Gomez el al., mais da metade dos médicos de todas as especialidades revelaram solicitar consultas ao serviço de fisioterapia, e poucos especialistas pediátricos relataram que não necessitam de suporte do fisioterapeuta. Isso poderia ser explicado pela falta de informação sobre o aumentando da colaboração do fisioterapeuta em outras áreas como ginecologia, oncologia, reabilitação cardiopulmonar, cirurgia plástica e estomatologia, como relataram Denvanshi et al.8, que também demonstraram conhecimento médico insuficiente sobre a participação do fisioterapeuta nessas áreas.
Uma solução alternativa para esta situação seria alcançar uma maior interação médico-fisioterapeuta através da consulta/visitação aos pacientes em conjunto ou através da inclusão desses profissionais em sessões de discussão de casos médicos. Os médicos que participaram do estudo de Gomez et al. relataram a necessidade de serem mais informados sobre as atividades realizadas pelos fisioterapeutas, o que pode ajudar a melhoria na comunicação e portanto no gerenciamento mais bem sucedido em pacientes com algum tipo deficiência, com aprendizagem interprofissional em um contexto do que a "vida real" representará na prática profissional. Leaviss9 também descreveu que realizar turnos médicos onde o fisioterapeuta participa ativamente da gestão dos pacientes foi favorável para o relacionamento de ambos os profissionais e seus pacientes. Da mesma maneira, Nowak et al.10 apoiam a entrega de um projeto educacional que inclui habilidades de comunicação, conhecimento e valorização do trabalho realizado por outros profissionais de saúde, com objetivo de facilitar a prática interprofissional.
> Fisioterapia na doença de Parkinson
A fisioterapia é amplamente utilizada no processo de reabilitação neurológica, tendo como objetivo minimizar os problemas motores decorrentes dos sintomas primários e secundários da doença. O tratamento pode ser realizado individualmente ou em grupo, utilizando exercícios ativos ou ativos assistidos, treinamento de força muscular, treino de marcha, equilíbrio e coordenação, entre outros recursos da fisioterapia.11
Levando em conta a sintomalogia da doença de Parkinson e suas particularidades, uma abordagem multidisciplinar é essencial para obter melhor eficácia terapêutica, por isso os programas integrados e multidisciplinares de cuidados em saúde estão sendo cada vez mais necessários.11
Rochester, Espay12 sugeriram que um programa de reabilitação multiprofissional poderia modificar o curso da doença, causando poucos efeitos adversos. O estudo propôs a análise de dois grupos, um grupo de tratamento com fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia voltado para o desempenho físico, moldadas no treinamento que visava melhoria e independência na realização das atividades diárias, e o outro grupo consistia apenas em fisioterapia como forma de tratamento. O resultado apresentou uma diferença importante entre os grupos analisados, sendo mais eficaz no grupo da reabilitação multiprofissional.
Frazzitta et al.,13 em seu estudo analisou um programa de exercícios físicos e multidisciplinares (fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional) beneficiaria a qualidade do sono nos indivíduos com DP, e percebeu que além de melhorar a qualidade geral do sono, o exercício físico diminui a gravidade dos sintomas noturnos que são típicos da patologia.
> Câncer de mama
A maioria dos casos de câncer de mama é diagnosticada em estágios avançados, diminuindo as chances de sobrevida e comprometendo os resultados do tratamento. Ele é o câncer mais temido entre as mulheres, provocando alterações psicológicos em relação a doença e ao tratamento, o que compromete os aspectos físicos, psicológicos e sociais. A intervenção fisioterapêutica é essencial na reabilitação global para a diminuição da dor e do edema e prevenindo outras complicações físicas.14
A fisioterapia é fundamental na reabilitação, prevenção e recuperação dos movimentos do membro superior no pós-operatório, contribuindo para a melhora da conscientização corporal e oferecendo orientações necessárias para as atividades diárias. Vários são os recursos fisioterapêuticos utilizados no pós-operatório de câncer de mama, entre eles a cinesioterapia, a terapia manual e o complexo descongestivo fisioterápico.14
Neste contexto, o tratamento do câncer de mama exige uma abordagem multidisciplinar, atuando conjuntamente os departamentos de mastologia, oncologia clínica, radioterapia, cirurgia reparadora, anatomia patológica, radiologia, fisioterapia e psicologia.14
> Hipertensão
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença de alta prevalência que atinge cerca de 5 a 20% da população adulta podendo chegar a 50% nas pessoas idosas. O tratamento da hipertensão arterial divide-se em duas categorias: o tratamento farmacológico e as modificações do estilo de vida, tais como: perda da massa corporal, adoção de uma rotina de exercícios físicos, diminuição no consumo de sal, além da diminuição ou abolição da ingestão de bebidas alcoólicas.15
No contexto da mudança no estilo de vida, a atuação da fisioterapia tem promovido benefícios na prescrição e orientação da prática de exercícios físicos regularmente, através de programas de exercícios com equipe interdisciplinar, com o objetivo de adequar os exercícios as diferentes condições clínicas do paciente e melhorar o controle dos níveis pressóricos e prevenir sequelas da HAS.15
O fisioterapeuta quando integrado à atenção básica pode contribuir com o monitoramento, controle da HAS através da realização de exercícios supervisionado. Fische et al.16 demonstrou a atuação da fisioterapia por meio de atividade física regular em pacientes idosas, alcançando resultados positivos no que diz respeito à redução na PAM de repouso, além de redução da frequência cardíaca de repouso, demonstrando a importância do exercício físico e da supervisão do mesmo realizada pelo profissional de fisioterapia.