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/ Publicado el 20 de mayo de 2025

Insuficiência cardíaca

O impacto do exercício aeróbico na insuficiência cardíaca

Como a idade biológica pode influenciar o risco de mortalidade e hospitalização

Autor/a: Huang et al.

Fuente: JACC: Advances, v. 4, n. 4, p. 101659, abr. 2025. Aerobic Exercise Training, Biological Age, and Mortality in Chronic Heart Failure With Reduced Ejection Fraction

Na última década, aproximadamente 64,3 milhões de pessoas foram afetadas pela insuficiência cardíaca (IC), principalmente idosos, sendo a IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) responsável por 50% dos casos. O envelhecimento é um fator de risco determinante para a doença, mas, enquanto a idade cronológica se refere apenas à passagem do tempo, a idade biológica (IB) é um indicador mais preciso da expectativa de vida, capturando melhor a heterogeneidade individual. Dentre diferentes métodos que medem esse parâmetro, o teste baseado em biomarcadores clínicos é uma opção mais acessível e eficaz na previsão do risco de mortalidade.

O treinamento aeróbico (TA) é uma abordagem não farmacológica recomendada no tratamento da ICFER. O estudo Heart Failure: A Controlled Trial Investigating Outcomes of Exercise Training (HF-ACTION), indicou que esse método melhorou significativamente os resultados relacionados à saúde e à mortalidade por todas as causas ou hospitalização, em comparação com os cuidados usuais. Além disso, outros estudos sugeriram que o exercício pode melhorar biomarcadores do envelhecimento, com benefícios ainda mais notáveis em indivíduos mais velhos ou que apresentam fragilidades.

No entanto, a relação entre IB baseada em biomarcadores e mortalidade, bem como o impacto do exercício aeróbico nessa associação, ainda não está totalmente esclarecida. Por isso, Huang e colaboradores (2025) utilizaram o método Klemera-Doubal (KDM) para calcular a IB, analisando sua associação com a mortalidade e o impacto do TA por meio de uma análise secundária post-hoc dos dados do HF-ACTION.

Para isso, a IB foi calculada utilizando o resíduo de um modelo linear entre esse indicador e a idade cronológica. Já as associações com a mortalidade por todas as causas, morte cardiovascular e hospitalização geral foram investigadas considerando a aceleração da idade biológica como uma variável contínua e dividida em quintis na coorte geral.

Esse cálculo foi derivado de biomarcadores como índice de massa corporal, pressão arterial, colesterol total, creatinina, nitrogênio uréico sanguíneo e hemoglobina glicada. A análise utilizou modelos estatísticos para avaliar a relação da IB com mortalidade geral, morte cardiovascular e hospitalização. Os resultados foram ajustados para diversas variáveis, como idade, sexo, fragilidade, comorbidades e medicações. Além disso, testes de interação e análise de sensibilidade foram conduzidos para verificar o impacto dos exercícios aeróbicos sobre a relação entre a idade biológica e mortalidade.

O estudo analisou 1.732 participantes, onde 861 foram tratados com treinamento aeróbico e 871 pertenciam ao grupo controle. A idade média foi de 58,8 anos, 27,3% eram mulheres e 33,4% eram negros. Aqueles com maior aceleração da IB apresentavam mais comorbidades, incluindo piores condições cardiometabólicas, físicas e renais.

Durante um acompanhamento mediano de 31,5 meses, 301 participantes faleceram. Um aumento na IB e na sua aceleração foi associado a um risco significativamente maior de mortalidade por todas as causas. Além disso, aqueles no quintil mais alto de aceleração tiveram risco aumentado de morte e hospitalização.

O impacto da aceleração da IB na mortalidade foi reduzido pelo treinamento aeróbico. Em pacientes com cuidados habituais, o aumento da IB elevou significativamente o risco de morte, mas essa associação não foi relevante no grupo de treinamento aeróbico, sugerindo um efeito protetor do exercício físico.

Por outro lado, os mecanismos específicos que explicam como o TA atenuam os efeitos do envelhecimento biológico nesses pacientes ainda precisam ser mais investigados. O estudo sugeriu que os benefícios do exercício podem estar relacionados à melhora do metabolismo, redução da sarcopenia e alívio do estresse oxidativo, fatores que impactam diretamente na fragilidade e no prognóstico desses indivíduos.

Em conclusão, o estudo de Huang e colaboradores (2025) reforçou o papel da IB baseada em biomarcadores como um forte preditor de mortalidade e hospitalização em indivíduos com ICFER, sendo mais eficaz do que a idade cronológica isolada. Além disso, evidenciou que o TA pode estar associado à redução da mortalidade por todas as causas, além modular os efeitos negativos do envelhecimento biológico, oferecendo uma abordagem terapêutica eficaz. Esses achados reforçaram a importância da atividade física na melhora do prognóstico e na redução da mortalidade desses pacientes, podendo influenciar futuras diretrizes clínicas.