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Publicado el 25 de mayo de 2026

Biomarcadores gestacionais

O impacto da atividade física sobre o perfil imunometabólico da gestante

Programas de exercícios estruturados, especialmente o treino híbrido, promoveram reduções significativas em marcadores pró-inflamatórios como TNF-α e IL-6, além de elevar citocinas anti-inflamatórias como a IL-10. Essas alterações moleculares ocorreram não apenas no soro materno, mas também no sangue do cordão umbilical e na placenta.

Autor/a: Redondo-Delgado P, Santos-Lozano A, Maroto-Izquierdo S

Fuente: American Journal of Obstetrics & Gynecology, V. 234, N. 1, pg. 61-77, 2025 Impact of exercise training during pregnancy on maternal biomarkers: a systematic review

Introdução

A gestação é marcada por mudanças fisiológicas complexas que, embora naturais, podem predispor a complicações graves, como o diabetes gestacional, a pré-eclâmpsia, a anemia e diversos distúrbios musculoesqueléticos. Pesquisas indicaram que a prática regular de exercícios físicos durante esse período é capaz de mitigar sintomas físicos. Além disso, gestantes ativas apresentaram maior probabilidade de evoluir para partos vaginais, com menor necessidade de intervenções instrumentais ou cesarianas.

No aspecto metabólico, o exercício promove um melhor controle glicêmico e auxilia na prevenção do ganho de peso excessivo. Os benefícios também abrangem a saúde mental, com estudos demonstrando a redução de quadros de depressão tanto no pré-natal quanto no pós-parto e na ansiedade. Fisiologicamente, a atividade física induz adaptações favoráveis em diversos biomarcadores, como a melhora do metabolismo de glicose por aumentar a sensibilidade à insulina e do perfil lipídico pela redução da concentração dos triglicerídeos.

A atividade física também atua na modulação de citocinas, reduzindo marcadores inflamatórios como a interleucina 6 (IL-6), o que contribui para o aumento da sensibilidade à insulina e suporte à saúde metabólica. Adicionalmente, a irisina, um hormônio induzido pelo exercício, pode potencializar a homeostase da glicose e contrapor as alterações metabólicas típicas da gravidez. As citocinas estimuladas pelo esforço físico também melhoram o metabolismo oxidativo e a utilização de energia nos tecidos maternos e fetais, otimizando o suprimento de oxigênio e nutrientes para o feto.

Apesar do corpo de evidências sobre esses benefícios, nota-se uma lacuna na literatura científica, uma vez que nenhuma revisão sistemática havia investigado de forma abrangente quais biomarcadores específicos são alterados por diferentes modalidades de exercício na gestação. Diante do crescente interesse em otimizar os desfechos materno-fetais por meio de intervenções no estilo de vida, Redondo-Delgado e colaboradores (2026) realizaram uma revisão sistemática para sumarizar o conhecimento atual sobre as adaptações moleculares e bioquímicas induzidas pelo exercício físico durante o período gestacional.

Métodos

A revisão sistemática foi estruturada com base nas diretrizes do Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions (versão 6.0) e do protocolo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) 2020. A estratégia de busca envolveu um levantamento até março de 2025 nas bases de dados PubMed, Web of Science e EBSCO Host. Para refinar a busca, os autores aplicaram a estratégia de população, intervenção, comparação, desfecho e contexto (PICOC), definindo como população gestantes em qualquer condição de saúde e como intervenção programas de exercício supervisionados com duração igual ou superior a seis semanas e frequência mínima de dois dias por semana.

Os critérios de inclusão foram restritos a ensaios clínicos randomizados (ECRs) publicados em periódicos revisados por pares que comparassem intervenções de exercício com cuidados convencionais e que apresentassem análises de biomarcadores (glicose, lipídios, citocinas ou proteínas) em tecidos como soro materno, sangue do cordão umbilical, leite materno ou placenta.

Resultados

A análise sistemática incluiu onze ensaios clínicos randomizados. As intervenções de exercício avaliadas apresentaram, em sua maioria, duração igual ou superior a doze semanas, com frequência de duas a três sessões semanais e intensidade variando de moderada a vigorosa. Entre as modalidades estudadas, destacaram-se o treino híbrido (aeróbico e força na mesma sessão), o combinado (sessões separadas), o aeróbico isolado e o intervalado de alta intensidade (HIIT).

No soro materno, os resultados indicaram que a prática sistemática de exercícios promoveu uma modulação significativa de biomarcadores inflamatórios, com redução do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e da interleucina 6 (IL-6), além de um aumento nos níveis da citocina anti-inflamatória interleucina 10 (IL-10).

Quanto ao perfil metabólico, observou-se uma melhora expressiva no metabolismo lipídico das gestantes ativas, caracterizada pela redução do colesterol total (TC), dos triglicerídeos (TG) e do colesterol de baixa densidade (LDL), em conjunto com o aumento do colesterol de alta densidade (HDL). O controle glicêmico também foi otimizado, apresentando reduções nos níveis de glicose, insulina e no índice do Homeostatic Model Assessment of Insulin Resistance (HOMA-IR), sugerindo uma atenuação da resistência à insulina característica da gestação. Adicionalmente, as intervenções foram associadas a alterações neuroendócrinas favoráveis, incluindo uma redução de 40% nas concentrações de leptina e um incremento de 50% nos níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Outro achado foi o aumento da irisina, uma miosina induzida pelo exercício que apresentou correlação inversa com os níveis de LDL e colesterol total apenas no grupo que realizou atividade física.

Os benefícios da atividade física estenderam-se ao ambiente fetal e à composição biológica de outros tecidos. No sangue do cordão umbilical, verificou-se uma redução da IL-6 arterial e do TNF-α venoso, além de menores níveis de glicose no soro arterial umbilical, sugerindo um perfil imunometabólico mais equilibrado para o feto. Em relação ao leite humano, o colostro de mães que se exercitaram exibiu concentrações significativamente menores de IL-8 e TNF-α, enquanto o leite maduro apresentou um aumento de 30% na fractalquina e uma tendência de elevação da IL-10, o que pode favorecer o desenvolvimento imunológico do neonato. Na análise placentária, o treino físico híbrido resultou em um conteúdo significativamente maior de manganês (Mn), mineral essencial para as defesas antioxidantes e o transporte de nutrientes. Por fim, embora a heterogeneidade metodológica tenha sido observada, quase metade dos estudos incluídos demonstrou alta qualidade metodológica.

Em conclusão, Redondo-Delgado e colaboradores (2026) demonstraram que as intervenções de exercício físico durante a gestação, especialmente os protocolos de treino híbrido, promoveram benefícios significativos na modulação de biomarcadores fundamentais. A atividade física resultou em melhorias mensuráveis em diversos domínios fisiológicos, incluindo a regulação de marcadores inflamatórios, metabólicos e imunológicos.