Dados publicados em 2021 e 2022 destacaram o aumento de casos de surtos de herpes-zoster no Brasil durante a pandemia, com o curso da COVID-19. Os estudos avaliaram a frequência das manifestações clínicas da doença, em todas as macrorregiões brasileiras, comparando o período pré-pandêmico.
Os dados apontaram uma alta de 35% no número de diagnósticos da doença ao longo dos anos e o impacto significativo durante a pandemia, em todo o país.
De março a agosto de 2017, foram reportados 5.691 casos no sistema público, que cresceram para 7.021 no mesmo período em 2019. Nos primeiros meses da pandemia, de março a agosto de 2020, o número aumentou para 8.695 e, entre setembro e fevereiro de 2021, subiu para 9.654.
Além disso, foi verificado o incremento em todas as macrorregiões do país, variando de +23,6% no Nordeste a +77,2% na região Centro-Oeste.
Os cientistas destacaram o aumento de ocorrências no período da pandemia e afirmaram que ainda são necessárias mais pesquisas para compreender os motivos desta associação. Por outro lado, defenderam a necessidade de medidas para controlar melhor o herpes-zoster.
> Herpes-zoster
A infecção por Herpes-zoster resulta da reativação do vírus varicela-zoster, que permanece latente nos gânglios sensoriais espinhais e cranianos após infecção primária na infância. Dentre sua sintomatologia, o paciente manifesta erupções maculopapulares dolorosas e eritematosas, lesões que se tornam vesículas dispostas em trajeto linear, acometendo frequentemente o tronco, a face ou os membros de um dermátomo do gânglio nervoso acometido.
A reativação da infecção latente pelo vírus varicela zoster pode ser causada por idade avançada, imunossupressão, trauma mecânico e estresse psicológico recente.
> Vacinação para COVID-19 e o Herpes-zoster
A reativação do vírus varicela-zoster foi observada após a administração de diferentes vacinas COVID-19, embora a causalidade continue a ser uma questão de debate.
Triantafyllidis e colaboradores (2021) realizaram um estudo com objetivo de fornecer uma visão geral dos casos relatados de reativação do vírus varicela-zoster após a vacinação contra a COVID-19. No total, foram incluídos 91 participantes. Destes, a hipertensão foi a principal comorbidade presente, com um total de 18%. Além disso, 13% apresentaram uma condição autoimune como artrite reumatoide, sendo a mais comum e, 10% receberam imunossupressores.
Os sintomas desenvolveram-se, em média, 5 a 8 dias após a vacinação e a distribuição dermatomal das lesões cutâneas variou entre as pacientes, sendo a região mamária mais afetada.
É necessário que os médicos avisem aos seus pacientes que a Herpes-zoster pode ser uma condição resultante da vacinação contra a COVID-19. Embora a causalidade ainda não tenha sido estabelecida, maior conscientização e reconhecimento precoce do distúrbio seria crucial para o manejo ideal desses pacientes.