| Introdução |
Os avanços tecnológicos no campo da realidade virtual (RV) oferecem novas oportunidades em muitas áreas da vida, incluindo a educação médica. Essa tecnologia é definida como uma simulação gerada por computador de um ambiente tridimensional e realista com o qual uma pessoa pode interagir de maneira aparentemente real ou física.
Na educação de estudantes de medicina, as aplicações de RV podem oferecer muitas vantagens. Ela viabiliza gerar virtualmente situações médicas práticas que, de outra forma, seriam difíceis de realizar. Além disso, é possível repetir tais cenários quantas vezes forem necessários e realizá-los quase independentemente de restrições de tempo ou espaço. Por fim, é possível alterá-los individualmente e adaptá-los aos requisitos específicos ou ao nível educacional dos alunos.
Convencida das vantagens, a Universidade de Münster começou a criar cenários de RV para a educação de estudantes. O primeiro foi desenvolvido para o diagnóstico de morte cerebral. Devido ao feedback positivo dos participantes, outra situação de RV dermatológico foi elaborada, no qual os alunos realizaram uma triagem completa de câncer de pele em um paciente virtual. Com isso, Junga e colaboradores (2024) apresentaram esse cenário e suas implicações na educação dos estudantes.
| Métodos |
Dentro de 30 minutos de simulação de RV, os estudantes foram conduzidos a realizar uma triagem de câncer de pele que incluísse:
- Um histórico médico completo.
- Um exame completo do corpo.
- Avaliação de lesões pigmentadas na pele.
- Classificação das lesões examinadas em suspeitas e não suspeitas.
Todos examinaram o mesmo paciente virtual, que possuía de 29 a 30 lesões pré-geradas (28 nevos melanocíticos e um ou dois melanomas atribuídos aleatoriamente). Foram gerados cinco casos diferentes para o curso e confirmados por especialistas.
Várias avaliações foram conduzidas para monitorar o curso. O objetivo era investigar a experiência dos estudantes com a simulação de RV em termos de implementação técnica, incluindo parâmetros objetivos, bem como o aprendizado e a percepção do conceito de ensino.
Para avaliar a própria simulação de RV, foram analisados itens únicos (cinetose e realismo das lesões cutâneas) ou questionários validados (usabilidade: SUS, carga de tarefa: SIM-TLX e imersão: RJPQ). Para analisar a experiência de aprendizado, questionários validados e modificados (TEI e LEQ) foram utilizados.
| Resultados |
Dos 140 alunos, 95 completaram a avaliação. Cerca de 70% dos participantes eram do sexo feminino e a idade média era de 25 anos e 4 meses.
De acordo com as lesões identificadas, o caso mais fácil foi o com melanoma na virilha e costas. Cerca de 89,5% dos participantes identificaram corretamente ambos, e os alunos restantes encontraram pelo menos um. Quando o melanoma estava localizado nos glúteos e axilas, os estudantes tiveram mais dificuldades, especialmente no segundo. No geral, 74,7% identificaram corretamente pelo menos um melanoma, e 65,9% documentaram todas as anormalidades específicas de malignidade.
A usabilidade da VR foi avaliada usando o SUS com uma média de 70,92 ± 15,53 (mín. 0, máx. 100), equivalendo a um resultado médio-bom. Para avaliar a carga cognitiva, foi utilizado o SIM-TLX. Os estudantes relataram um valor médio de 27,71 ± 13,43 (0–100), o que corresponde a uma carga de trabalho média.
Os participantes também foram questionados sobre a ocorrência e intensidade dos sintomas de cinetose em uma escala de 1 a 7. A pontuação média foi de 2,0 ± 1,3, o que equivale a ‘sensações muito leves’.
Para avaliar o realismo e a imersão do software, foi utilizado o RJPQ (0-10). Os participantes responderam às perguntas referentes ao julgamento da realidade com uma pontuação média de 4,82 ± 2,01 e perguntas referentes à atenção/absorção com 5,76 ± 1,95. Por fim, avaliaram o realismo das anormalidades da pele com uma média de 6,48 ± 2,26.
Os estudantes avaliaram (todos escalonados de 1 a 5) a RV como um formato de ensino predominantemente adequado (4,0 ± 0,89). Os conteúdos aprendidos foram percebidos como predominantemente úteis para o futuro (3,91 ± 0,83). Os alunos também indicaram que se divertiram aprendendo neste formato (4,36 ± 0,8) e que o tempo investido estava sendo considerado válido (4,07 ± 0,97). Além disso, foi perguntado se o que aprenderam por meio da simulação poderia ser lembrado a longo prazo (3,89 ± 0,77), se a RV lhes deu a oportunidade de praticar habilidades importantes (4,08 ± 0,8), se o curso foi desafiador de forma estimulante (3,72 ± 0,93) e se ajuda foi fornecida quando necessário (4,45 ± 0,78), o que foi respondido predominantemente de forma positiva. No geral, os estudantes avaliaram o formato do curso de forma positiva.
No geral, a aplicação foi adequadamente desafiadora para os estudantes e eles avaliaram bem a usabilidade. Em relação à cinetose, que é frequentemente descrita como um problema comum das aplicações de RV, os alunos afirmaram que sofreram apenas de sintomas muito leves.
| Conclusão |
Sendo assim, a RV já pode ser um complemento útil para a educação em dermatologia, embora os custos ainda sejam altos. Como disciplina visual, a dermatologia oferece oportunidades especiais para criar cenários que nem sempre estão disponíveis ou são confortáveis para os pacientes na realidade. Além disso, os cenários de RV garantem as mesmas condições para todos os estudantes, o que é essencial para uma educação de alta qualidade.