Artículos

/ Publicado el 20 de mayo de 2024

Novos estudos

Novos agentes tópicos para dermatite atópica

Terapias tópicas em ascensão que objetivam uma variedade de mecanismos envolvidos na patogênese da dermatite atópica

Autor/a: Kleinman e colaboradores (2022)

Fuente: Springer Link https://link.springer.com/article/10.1007/s40257-022-00712-0

Introdução

A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória da pele que afeta aproximadamente 16,5 milhões de adultos e 9,6 milhões de crianças nos Estados Unidos (EUA). Sua patogênese é complexa, envolvendo um sistema imunológico desregulado e uma barreira cutânea comprometida, tendo como tratamento principal o uso de corticosteroides tópicos ou alternativas não esteroides, como os inibidores tópicos de calcineurina e inibidores de fosfodiesterase, com a pomada de crisaborole.

Ao longo dos anos, houve esforços bem-sucedidos para compreender melhor a patogênese da doença, resultando em um número crescente de alvos terapêuticos a serem investigados. Por esta razão, Kleinman e colaboradores (2022) selecionaram algumas terapias tópicas em ensaios clínicos nas fases inicial e tardia que visam uma variedade de mecanismos envolvidos na patogênese da DA.

Inibidores de JAK (janus kinase)

A via de sinalização do transdutor de sinal Janus quinase e ativador da transcrição (JAK-STAT) desempenha um papel influente na patogênese da DA. Diversas citocinas importantes, como interleucina (IL) 4, IL-5, IL-13, IL-31, IL-22 e linfopoietina estromal tímica (TSLP) ativam a via JAK-STAT para recrutar células imunológicas, queratinócitos e neurônios sensoriais periféricos envolvidos na propagação de inflamação e coceira.

> Creme tópico de ruxolitinibe

O creme tópico de ruxolitinibe (inibidor de JAK1 e JAK2), uma nova terapia promissora para DA, foi aprovado pelo FDA nos EUA em setembro de 2021 para o tratamento de curto prazo da doença leve a moderada em pacientes não imunocomprometidos com 12 anos ou mais. Os estudos clínicos incluíram 1.249 pacientes com DA leve a moderada, divididos em grupos que receberam 0,75% ou 1,5% de ruxolitinibe ou placebo por 8 semanas. Ambos os estudos demonstraram resultados positivos, com mais pacientes alcançando uma melhoria significativa na DA e na coceira em comparação com o placebo. O creme também foi bem tolerado, com o evento adverso mais comum sendo nasofaringite. As subanálises mostraram uma rápida redução na coceira com o uso de ruxolitinibe em comparação com o placebo, e sua eficácia e segurança foram confirmadas na população adolescente.

> Pomada tópica de delgocitinibe

A pomada de delgocitinibe (pan inibidor de JAK – JAK1, JAK2, JAK3, TYK2) está disponível no mercado japonês desde 2020 para o tratamento da DA em crianças e adultos. Um estudo inicial de fase III incluiu pacientes com a doença moderada a grave, que receberam delgocitinibe 0,5% ou veículo por 4 semanas. Os resultados mostraram uma melhoria significativa na dermatite, com 26,4% dos pacientes do grupo delgocitinibe atingindo mEASI-75 em comparação com 5,8% no grupo veículo. O estudo pediátrico de fase III também foi bem-sucedido, com resultados semelhantes aos da população adulta, e não surgiram preocupações adicionais de segurança.

Inibidores PDE4

Uma outra via inflamatória da dermatite atópica que está sendo alvo de novas terapias tópicas é a fosfodiesterase-4 (PDE4). É uma enzima intracelular presente principalmente em células imunológicas, epiteliais e cerebrais, que regula a inflamação e a integridade epitelial ao degradar o monofosfato de adenosina cíclico. A sua inibição modula as citocinas inflamatórias e tem sido utilizada em várias condições, incluindo doenças respiratórias, psoríase, artrite psoriática e DA.

> Creme tópico de roflumilaste

Um estudo de fase II, com creme de roflumilaste, abrangeu um pequeno número de pacientes com DA e mostrou resultados encorajadores, embora não tenha alcançado significância estatística no objetivo primário. No entanto, outros objetivos, como a melhoria no Índice de Área e Gravidade do Eczema (EASI) e na Avaliação Global do Investigador - Dermatite Atópica (vIGA-AD), alcançaram significância estatística. O creme foi bem tolerado, com baixa taxa de reações no local de aplicação. Com base nesses resultados, o creme está sendo investigado em ensaios de fase III em pacientes com DA leve a moderada.

> Pomada tópica de difamilaste

A pomada de difamilaste completou os ensaios de fase III no Japão em populações adulta e pediátrica, recebendo aprovação para pacientes com 2 anos ou mais. No estudo com adultos, a difamilaste a 1% mostrou significativa melhora na DA em comparação com o veículo, com taxas de sucesso superiores na pontuação EASI. No estudo pediátrico, tanto a difamilaste a 0,3% quanto a 1% também apresentaram taxas significativamente maiores de sucesso em comparação com o veículo.

Creme de tapinarof

O tapinarof é um novo modulador terapêutico tópico do receptor de hidrocarboneto de arila (AHR) em ensaios clínicos finais para tratamento de psoríase e DA. Originado como uma pequena molécula de origem natural, a substância ativa o AHR, inibindo o transdutor de sinal mediado por IL-4/IL-13 e o STAT6 (ativador da transcrição 6), aumentando a expressão de proteínas associadas à barreira cutânea. Um estudo de fase II mostrou que o tapinarof é eficaz e bem tolerado em pacientes com DA, com taxas de sucesso significativas na pontuação IGA após 12 semanas de tratamento.

Intervenção Microbiana

Recentemente, a microbiota foi reconhecida em estudos como um fator chave na dermatite atópica, onde microrganismos atuam como moduladores do sistema imunológico. Pesquisas mostraram que a pele de pacientes com DA tem uma microbiota menos diversa, bem como maior colonização por Staphylococcus aureus e organismos comensais reduzidos, correlacionando-se com a gravidade da doença. Kleinman e colaboradores (2022) revisaram dados sobre terapias microbianas tópicas, incluindo o Forte B-401 e o Staphylococcus hominis A9 (ShA9).

O Forte B-401 é um agente tópico contendo três cepas terapêuticas da bactéria comensal Roseomonas mucosa, demonstrando em estudos pré-clínicos pela capacidade reparadora e anti-inflamatória, além de suprimir bactérias como S. aureus. Em um estudo de fase I/IIa, pacientes tratados com FB-401 apresentaram redução no SCOR-AD (Scoring of AD) em adultos e EASI-50/90 em crianças, melhora na perda de água transepidérmica, prurido e necessidade de esteroides, com mudanças na microbiota cutânea. Esses benefícios persistiram por até 8 meses, sem efeitos adversos. Outra terapia microbiana em estudo é o ShA9, que mostrou potencial em reduzir S. aureus e melhorar os escores EASI e SCORAD em pacientes com DA. Embora promissoras, as terapias baseadas em microbioma estão em estágios iniciais de pesquisa clínica.

Conclusão

O desenvolvimento de terapias direcionadas para a dermatite atópica visa controlar a inflamação e o prurido, melhorando a função da barreira cutânea e minimizando os efeitos colaterais dos corticosteroides tópicos e dos inibidores da calcineurina. As terapias tópicas não esteroides têm um impacto regional na condição com efeitos sistêmicos mínimos, oferecendo um controle eficaz da doença, assim como as intervenções microbianas e seu possível potencial ainda em estudos. Em conclusão, esses novos tratamentos ampliam as opções de alívio disponíveis para os pacientes que sofrem com dermatite atópica.