Pesquisadores da USP, em parceria com a Fundação Pró-Sangue, realizaram o sequenciamento genético de 3 mil pessoas com anemia falciforme. O estudo representa um avanço significativo no tratamento da condição. A professora Ester Sabino, do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical, explica que o projeto é de longa duração e tenta entender as causas e o que está associado ao desenvolvimento dessa doença no corpo.
A anemia falciforme é uma doença hereditária que modifica as hemoglobinas do corpo. A forma alterada da hemoglobina é denominada hemoglobina S – quando os glóbulos vermelhos contêm hemoglobina S, eles podem assumir o formato de foice e ser menos flexíveis, gerando uma série de consequências no paciente. “Oclusão das artérias, o que pode gerar muita dor, úlcera de perna, problemas ósseos, problemas de infecção. Um dos principais fatores, e é por isso que ela chama anemia, é que essas células são destruídas, então a pessoa fica anêmica. Por esse motivo, esses pacientes precisam receber transfusão de sangue de forma contínua”, conta a especialista.
Um dos principais benefícios do estudo é a genotipagem detalhada dos pacientes, que pode ajudar a reduzir complicações causadas por transfusões de sangue. Como a anemia falciforme demanda transfusões frequentes, o risco de reações adversas relacionadas à incompatibilidade sanguínea é elevado. “A pessoa que recebe uma transfusão só não precisa dessa preocupação, mas, se ela vai receber muitas transfusões, o organismo pode produzir anticorpos contra esses outros antígenos; então, no caso da anemia falciforme, você precisa se atentar a muitos outros antígenos da superfície desses glóbulos vermelhos”, detalha.
Ester Sabino explica que a tipagem sanguínea tradicional, baseada nos grupos ABO e fator Rh, não é suficiente para garantir total compatibilidade entre doadores e receptores. Isso porque existem outros antígenos nos glóbulos vermelhos que podem desencadear uma resposta imune adversa no paciente. Com a genotipagem é possível classificar esses subtipos sanguíneos com mais precisão, garantindo que os pacientes recebam sangue mais compatível e reduzindo os riscos de complicações. “Com essas informações, conseguimos fornecer aos pacientes um cartão com os detalhes do seu perfil sanguíneo, permitindo que médicos e Hemocentros tenham acesso imediato às especificações necessárias para transfusões mais seguras”, destaca.
Outro aspecto fundamental do estudo é a possibilidade de aprimorar o diagnóstico precoce da doença. No Brasil, a anemia falciforme já é identificada no teste do pezinho, realizado nos primeiros dias de vida do bebê. No entanto, a evolução da condição varia de paciente para paciente, tornando essencial um acompanhamento contínuo e personalizado.
Os pesquisadores esperam que ao compreender melhor os fatores genéticos que influenciam a gravidade da doença seja possível desenvolver tratamentos mais eficazes e individualizados. “A história natural da anemia falciforme ainda não é completamente compreendida. Com esse estudo, queremos identificar quais características genéticas estão associadas a complicações mais graves e, assim, intervir de maneira mais eficiente.”
Publicado el 24 de febrero de 2025
Anemia falciforme
Novo estudo genético promete melhorar qualidade de vida de pacientes com anemia falciforme
Ester Sabino comenta estudo que realizou o sequenciamento genético de 3 mil pacientes com anemia falciforme, o que permitiu maior precisão na tipagem sanguínea e no tratamento da doença
Autor/a: 2025
Fuente: Jornal da USP Novo estudo genético promete melhorar qualidade de vida de pacientes com anemia falciforme
Pesquisadores da USP, em parceria com a Fundação Pró-Sangue, realizaram o sequenciamento genético de 3 mil pessoas com anemia falciforme. O estudo representa um avanço significativo no tratamento da condição. A professora Ester Sabino, do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical, explica que o projeto é de longa duração e tenta entender as causas e o que está associado ao desenvolvimento dessa doença no corpo.
A anemia falciforme é uma doença hereditária que modifica as hemoglobinas do corpo. A forma alterada da hemoglobina é denominada hemoglobina S – quando os glóbulos vermelhos contêm hemoglobina S, eles podem assumir o formato de foice e ser menos flexíveis, gerando uma série de consequências no paciente. “Oclusão das artérias, o que pode gerar muita dor, úlcera de perna, problemas ósseos, problemas de infecção. Um dos principais fatores, e é por isso que ela chama anemia, é que essas células são destruídas, então a pessoa fica anêmica. Por esse motivo, esses pacientes precisam receber transfusão de sangue de forma contínua”, conta a especialista.
Um dos principais benefícios do estudo é a genotipagem detalhada dos pacientes, que pode ajudar a reduzir complicações causadas por transfusões de sangue. Como a anemia falciforme demanda transfusões frequentes, o risco de reações adversas relacionadas à incompatibilidade sanguínea é elevado. “A pessoa que recebe uma transfusão só não precisa dessa preocupação, mas, se ela vai receber muitas transfusões, o organismo pode produzir anticorpos contra esses outros antígenos; então, no caso da anemia falciforme, você precisa se atentar a muitos outros antígenos da superfície desses glóbulos vermelhos”, detalha.
Ester Sabino explica que a tipagem sanguínea tradicional, baseada nos grupos ABO e fator Rh, não é suficiente para garantir total compatibilidade entre doadores e receptores. Isso porque existem outros antígenos nos glóbulos vermelhos que podem desencadear uma resposta imune adversa no paciente. Com a genotipagem é possível classificar esses subtipos sanguíneos com mais precisão, garantindo que os pacientes recebam sangue mais compatível e reduzindo os riscos de complicações. “Com essas informações, conseguimos fornecer aos pacientes um cartão com os detalhes do seu perfil sanguíneo, permitindo que médicos e Hemocentros tenham acesso imediato às especificações necessárias para transfusões mais seguras”, destaca.
Outro aspecto fundamental do estudo é a possibilidade de aprimorar o diagnóstico precoce da doença. No Brasil, a anemia falciforme já é identificada no teste do pezinho, realizado nos primeiros dias de vida do bebê. No entanto, a evolução da condição varia de paciente para paciente, tornando essencial um acompanhamento contínuo e personalizado.
Os pesquisadores esperam que ao compreender melhor os fatores genéticos que influenciam a gravidade da doença seja possível desenvolver tratamentos mais eficazes e individualizados. “A história natural da anemia falciforme ainda não é completamente compreendida. Com esse estudo, queremos identificar quais características genéticas estão associadas a complicações mais graves e, assim, intervir de maneira mais eficiente.”