Noticias médicas

Publicado el 10 de enero de 2023

Detecção e tratamento

Novo antipsicótico para o tratamento da esquizofrenia refratária

Uma pesquisa sugeriu que o uso adjuvante da evenamida, um antipsicótico experimental, está associado à redução da gravidade dos sintomas da esquizofrenia resistente ao tratamento.

Uma pesquisa sugeriu que o uso adjuvante da evenamida, um antipsicótico experimental, está associado à redução da gravidade dos sintomas da esquizofrenia resistente ao tratamento.

Os principais resultados de um estudo exploratório, divulgados pela empresa que produz o medicamento Newron Pharmaceuticals, são "muito animadores", disse em um comunicado de imprensa o Dr. Stephen R. Marder, médico e professor de psiquiatria e ciências biocomportamentais da University of California, Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos.

"A magnitude da melhora que esses pacientes com esquizofrenia resistente (sem resposta ao antipsicótico em uso) apresentaram com a evenamida foi importante, aumentou com o tempo e é provável que tenha sido clinicamente significativa", disse o médico.

Os principais resultados foram baseados nos primeiros 100 pacientes inscritos no estudo 014 e randomizados para receber evenamida nas doses de 7,5 mg, 15 mg ou 30 mg duas vezes ao dia, bem como nos pacientes do braço de extensão (estudo 015), que completaram 30 semanas de acompanhamento.

Os principais achados divulgados pela farmacêutica demostraram melhora estatisticamente significativa (P < 0,001) nas pontuações da Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS) em 30 semanas versus no início do estudo, com melhoria contínua em relação à observada em seis semanas.

A proporção de pacientes com melhora clinicamente significativa da PANSS em 30 semanas mais que dobrou a partir do registro de 16,5% na sexta semana.

Além disso, os resultados mostraram melhora estatisticamente significativa (P < 0,001) na gravidade da doença – medida pela Clinical Global Impression of Severity (CGI-S) – em 30 semanas versus o início do estudo, com melhoria contínua em relação à observada em seis semanas.

A proporção de pacientes cuja doença melhorou em pelo menos um nível de gravidade foi de 60% na sexta semana e aumentou aproximadamente 20% na semana 30.

A proporção de pacientes para os quais foi considerada uma melhora clinicamente significativa, definida como uma classificação mínima na categoria "muito melhor" (ou em categorias superiores) na CGI-C, foi de 27% na sexta semana, e aumentou mais 10% na semana 30.

A evenamida também foi bem tolerada, com poucos eventos adversos relatados, e 85 dos 100 pacientes permaneceram no tratamento pelas 30 semanas.

Novas opções são ‘desesperadamente necessárias’

A Newron pretende apresentar os resultados completos do estudo 014 no European Congress of Psychiatry, agendado para 25 a 28 de março em Paris, na França.

O estudo de extensão 015 está em andamento e fornecerá, até o segundo trimestre de 2023, resultados sobre o tratamento com evenamida por até um ano.

A farmacêutica informou que espera lançar ainda este ano um estudo randomizado, controlado por placebo (estudo 003), do fármaco na esquizofrenia resistente ao tratamento.

Se os resultados em tela forem confirmados no estudo controlado e randomizado, "a evenamida será o primeiro medicamento que poderá ser adicionado a um antipsicótico para melhorar os sintomas da esquizofrenia refratária ao tratamento", disse o Dr. Stephen.

Novas opções terapêuticas neste cenário, que acomete aproximadamente um terço dos pacientes, são "desesperadamente necessárias", afirmou no comunicado o Dr. Ravi Anand, diretor médico da Newron.

Os dados relatados, comparando o efeito da evenamida em seis semanas versus seis meses, "sugerem que não apenas houve melhora sustentada nos principais parâmetros, mas a proporção de pacientes que alcançaram melhora clinicamente significativa aumentou ao longo do tempo", finalizou o Dr. Ravi.