Noticias médicas

/ Publicado el 8 de mayo de 2024

Saiba como fazer o manejo da prevenção

Mosquitos preferem mulheres grávidas

As gestantes são duas vezes mais atraentes para os mosquitos transmissores da malária do que as não grávidas,

Autor/a: Roger Dobson Abergavenny

Fuente: BMJ 2000; 320 doi: https://doi.org/10.1136/bmj.320.7249.1558/a (Published 10 June 2000) Mosquitoes prefer pregnant women

Indice
1. Página 1
2. Referências bibliográficas

Gestantes são duas vezes mais atraentes para os mosquitos transmissores da malária do que as não grávidas, conforme evidenciado por um novo estudo. Este fenômeno pode ser atribuído a alterações fisiológicas e comportamentais, colocando as gestantes em maior vulnerabilidade à doença, a qual é uma causa significativa de natimortos, baixo peso ao nascer e mortalidade infantil precoce.

Para a condução da pesquisa, foram analisadas 36 gestantes e 36 mulheres não grávidas na Gâmbia. Durante cada noite do estudo, três participantes de cada grupo repousavam individualmente sob redes mosquiteiros em seis cabanas idênticas. Posteriormente, na manhã seguinte, o número de mosquitos presentes em cada cabana foi contabilizado para mensurar a atratividade relativa de cada mulher, revelando que o dobro de mosquitos foi atraído pelas mulheres grávidas.

Os pesquisadores sugeriram que essa maior atratividade está possivelmente relacionada a pelo menos dois fatores fisiológicos. Primeiramente, observou-se que mulheres em estágios avançados de gestação exalavam 21% a mais de volume em comparação com mulheres não grávidas, sendo os mosquitos atraídos pela umidade e dióxido de carbono da respiração. Em segundo lugar, constatou-se que os abdomens das mulheres grávidas apresentavam uma temperatura 0,7°C mais elevada, indicando uma possível liberação de substâncias voláteis da superfície da pele, facilitando a detecção pelos mosquitos. Além disso, a frequência de saídas das mulheres grávidas das cabanas durante a noite, presumivelmente para urinar, foi duas vezes maior em comparação com o grupo controle, o que também pode influenciar na atratividade aos mosquitos.

Portanto, é crucial a implementação de medidas de proteção específicas para mulheres grávidas. Medidas simples, como o uso de redes mosquiteiros tratadas com inseticida e a aplicação de repelentes, podem ser eficazes na redução do risco de exposição à malária durante a gestação.

Quais repelentes podem ser utilizados por gestantes?

Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda os repelentes à base de N, N-Dietilmeta-toluamida (DEET), icaridin ou picaridin e IR 3535 ou etil butilacetilaminoprionato (EBAAP) durante a gravidez.

Avaliações de segurança e toxicidade de repelentes a base de DEET concluíram que esse tem baixa toxicidade aguda, não apresentando preocupações significativas para a saúde e, portanto, recomendados às mulheres grávidas ou lactantes. Esses repelentes foram considerados mais efetivos contra mosquitos responsáveis pela Zika, dengue, malária e febre amarela pois forneceram proteção mais longa contra picadas de mosquito.

Ainda que tenha uma duração de proteção menor que DEET, os repelentes contendo IR3535 ou EBAAP foram considerados uma opção segura. No entanto, podem ser irritantes para os olhos e dissolver ou danificar plásticos, mas apresenta poucos riscos à segurança da saúde.

Outra opção de repelente seguro na gravidez é picaridin ou icarardin. Uma preparação a 20% forneceu proteção contra mosquitos em torno de 5 horas. A grande vantagem é a sua maior tolerabilidade em relação aos repelentes de DEET: irritam menos a pele e olhos, mancham menos a pele, não degradam plásticos, não apresentam odor e não conferem sensação de oleosidade.

Os repelentes à base de citronela, andiroba, óleo de capim-limão, óleo de cedro, óleo de gerânio, óleo de hortelã-pimenta e óleo de cravo não possuem comprovação de eficácia nem a aprovação pela Anvisa até o momento. A duração desses produtos é mais curta do que à base de DEET e picaridin.