A psoríase é uma dermatose inflamatória crônica, frequentemente associada à síndrome metabólica (SM) e à doença hepática esteatótica (DHE), condições que aumentam o risco de fibrose hepática avançada (FA), cirrose e complicações cardiovasculares.
A terapia com metotrexato (MTX) e imunobiológicos (IB) é eficaz no controle da inflamação em pacientes com psoríase e, embora historicamente o MTX tenha sido considerado um fator de risco para FA, evidências mais recentes indicaram que sua ocorrência está mais frequentemente associada à SM e à DHE do que à dose cumulativa do medicamento.
A rigidez aórtica (RA) é um marcador de aterosclerose subclínica e também tem sido associado à fibrose hepática avançada, independentemente de fatores cardiometabólicos tradicionais. Em pacientes com diabetes tipo 2 e DHE, níveis elevados de RA foram preditores do desenvolvimento de FA.
Diante disso, considerando a associação potencial entre essa doença inflamatória, risco cardiovascular e DHE, Agoglia e colaboradores (2025) avaliaram a prevalência de aterosclerose subclínica nos pacientes com psoríase e sua relação com o uso de MTX e IB. Além disso, os autores também analisaram a fibrose hepática e a esteatose quanto à associação independente com risco cardiovascular.
O estudo transversal, realizado entre 2020 e 2022 em dois centros terciários no Rio de Janeiro, avaliou 80 pacientes com idade média de 56,2 anos, sendo 57,5% mulheres e IMC de 28,6 kg/m2. A RA foi medida pela velocidade da onda de pulso carotídeo-femoral (VOP-cf), sendo considerada aumentada quando ≥10 m/s. A FA foi avaliada por elastografia transitória (FibroScan®), com ponto de corte ≥10 kPa, e a esteatose foi definida por parâmetro de atenuação controlada (PAC) ≥275 dB/m. A dose cumulativa de metotrexato (MTX) ≥1.500 mg foi considerada de risco para fibrose hepática avançada.
Os resultados mostraram que 21,2% dos pacientes apresentaram rigidez aórtica aumentada. O uso de MTX em dose cumulativa ≥1.500 mg foi associado a efeito protetor cardiovascular, enquanto a idade foi o único fator independentemente associado à rigidez aórtica aumentada. Além disso, não houve associação significativa entre RA e síndrome metabólica, esteatose, fibrose hepática ou uso de imunobiológicos com aumento da VOP-cf.
Em resumo, o MTX exerceu efeito protetor contra aterosclerose subclínica em pacientes com psoríase, mesmo na presença de SM. Os dados sugeriram que essa inflamação crônica atua como fator independente de risco cardiovascular, destacando a importância do acompanhamento integrado desses pacientes. Entretanto, para maior robustez sobre o tema, estudos com amostras maiores são necessários para esclarecer a possível relação entre fibrose hepática e rigidez arterial nessa população.
Publicado el 20 de julio de 2025
Doença inflamatória da pele
Metotrexato e risco cardiovascular na psoríase
Estudo transversal revelou associação entre inflamação crônica, rigidez arterial e fibrose hepática, destacando o papel do MTX na proteção vascular.
Autor/a: Aglogia, L. et al.
Fuente: Psoríase e risco cardiovascular: fatores associados e protetores
A psoríase é uma dermatose inflamatória crônica, frequentemente associada à síndrome metabólica (SM) e à doença hepática esteatótica (DHE), condições que aumentam o risco de fibrose hepática avançada (FA), cirrose e complicações cardiovasculares.
A terapia com metotrexato (MTX) e imunobiológicos (IB) é eficaz no controle da inflamação em pacientes com psoríase e, embora historicamente o MTX tenha sido considerado um fator de risco para FA, evidências mais recentes indicaram que sua ocorrência está mais frequentemente associada à SM e à DHE do que à dose cumulativa do medicamento.
A rigidez aórtica (RA) é um marcador de aterosclerose subclínica e também tem sido associado à fibrose hepática avançada, independentemente de fatores cardiometabólicos tradicionais. Em pacientes com diabetes tipo 2 e DHE, níveis elevados de RA foram preditores do desenvolvimento de FA.
Diante disso, considerando a associação potencial entre essa doença inflamatória, risco cardiovascular e DHE, Agoglia e colaboradores (2025) avaliaram a prevalência de aterosclerose subclínica nos pacientes com psoríase e sua relação com o uso de MTX e IB. Além disso, os autores também analisaram a fibrose hepática e a esteatose quanto à associação independente com risco cardiovascular.
O estudo transversal, realizado entre 2020 e 2022 em dois centros terciários no Rio de Janeiro, avaliou 80 pacientes com idade média de 56,2 anos, sendo 57,5% mulheres e IMC de 28,6 kg/m2. A RA foi medida pela velocidade da onda de pulso carotídeo-femoral (VOP-cf), sendo considerada aumentada quando ≥10 m/s. A FA foi avaliada por elastografia transitória (FibroScan®), com ponto de corte ≥10 kPa, e a esteatose foi definida por parâmetro de atenuação controlada (PAC) ≥275 dB/m. A dose cumulativa de metotrexato (MTX) ≥1.500 mg foi considerada de risco para fibrose hepática avançada.
Os resultados mostraram que 21,2% dos pacientes apresentaram rigidez aórtica aumentada. O uso de MTX em dose cumulativa ≥1.500 mg foi associado a efeito protetor cardiovascular, enquanto a idade foi o único fator independentemente associado à rigidez aórtica aumentada. Além disso, não houve associação significativa entre RA e síndrome metabólica, esteatose, fibrose hepática ou uso de imunobiológicos com aumento da VOP-cf.
Em resumo, o MTX exerceu efeito protetor contra aterosclerose subclínica em pacientes com psoríase, mesmo na presença de SM. Os dados sugeriram que essa inflamação crônica atua como fator independente de risco cardiovascular, destacando a importância do acompanhamento integrado desses pacientes. Entretanto, para maior robustez sobre o tema, estudos com amostras maiores são necessários para esclarecer a possível relação entre fibrose hepática e rigidez arterial nessa população.