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Published on March 26, 2026

Saúde

Metade dos pacientes com síndrome respiratória grave sofre lesão aguda nos rins

Estudo brasileiro revelou que a SDRA desencadeia rapidamente complicações renais, aumentando mortalidade e exigindo protocolos integrados de cuidado.

Fuente: Jornal da USP

Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e do Hospital das Clínicas (HC‑FMUSP) identificou que 49,9% dos pacientes com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) desenvolvem Injúria Renal Aguda (IRA) durante a internação em UTI. Os resultados, publicados no Journal of Critical Care, reforçaram a relevância clínica do eixo pulmão‑rim em cenários de doença crítica e destacam a IRA como um marcador independente de risco aumentado de mortalidade.

Interação pulmão‑rim intensifica gravidade clínica

A pesquisa evidenciou que o comprometimento pulmonar e renal ocorre de forma integrada, por meio de um mecanismo conhecido como crosstalk pulmão‑rim. A inflamação intensa, associada ao uso de ventilação mecânica, pode desencadear disfunção renal em poucos dias, amplificando o risco clínico.

A análise também mostrou que pacientes submetidos à ventilação mecânica apresentam até 11 vezes mais chance de desenvolver IRA em comparação a pacientes sem suporte ventilatório invasivo.

O tempo médio para o surgimento da disfunção renal foi de dois dias após o diagnóstico da SDRA. Entre os estudos avaliados, cinco identificaram a IRA como fator independente associado ao óbito hospitalar.

Impacto da Covid‑19 nas complicações renais

Entre pacientes com SDRA associada à Covid‑19, a incidência de IRA foi ainda maior, atingindo 52,6%. Durante a pandemia, a falência renal destacou‑se como uma das complicações extrapulmonares mais frequentes e letais observadas no HC‑FMUSP.

Apesar da gravidade e da alta prevalência, os autores apontam que há escassez de dados sobre desfechos tardios. Apenas três estudos incluídos avaliaram a recuperação funcional renal, e nenhum investigou progressão para doença renal crônica (DRC) após a alta hospitalar.

Os pesquisadores ressaltaram que o entendimento do crosstalk pulmão‑rim ainda é limitado. Para Francisco Z. Mattedi, é essencial avançar na caracterização dos mecanismos fisiopatológicos e dos desfechos em longo prazo:

“Estudos adicionais são necessários para definir com precisão o impacto da SDRA no desenvolvimento subsequente de IRA, no risco de progressão para doença renal crônica e na necessidade de terapia dialítica”.