A menopausa é definida como um ano completo após a última menstruação e ela ocorre, em média, aos 50 anos nas mulheres dos Estados Unidos. Enquanto isso, a menopausa precoce e a prematura ocorre entre os 40 e 45 anos e antes dos 40 anos, respectivamente. No entanto, as causas para que ocorram antes ainda não são totalmente compreendidas e provavelmente envolvem diversos fatores, como aspectos biológicos, genéticos e ambientais.
As alterações hormonais da menopausa podem afetar a saúde cardiovascular. À medida que o estrogênio natural diminui, independentemente da idade em que isso acontece, o colesterol e a pressão arterial aumentam, a distribuição da gordura corporal se desloca para o abdômen, a massa muscular diminui, a glicemia pode ficar desregulada e as artérias se tornam mais rígidas. Em conjunto, essas mudanças em um curto período de tempo aumentam o risco de doença cardíaca.
A doença arterial coronariana (DAC) é uma condição desenvolvida pelo acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) nas artérias que irrigam o coração, reduzindo o fluxo sanguíneo e oxigênio. Ao reduzir esse fluxo, essas placas podem levar a eventos súbitos (ataques cardíacos) ou a danos graduais (enfraquecimento do músculo cardíaco).
Sendo assim, sabe-se que o início prematuro da menopausa está associado a um aumento do risco de curto prazo de DAC, entretanto o risco de DAC a longo prazo associado a essa condição ainda não é conhecido. Por isso, Freaney e colaboradores (2026) realizaram um estudo com o objetivo de calcular estimativas de risco ao longo da vida para a incidência de DAC e estimar os anos de vida vividos sem e com a doença coronariana de acordo com o status de menopausa prematura, estratificados pela raça autodeclarada.
Para o estudo, os pesquisadores analisaram dados de 10.036 mulheres negras e brancas na pós-menopausa que participaram de seis estudos norte-americanos de longa duração, incluindo o Framingham Heart Study, o Atherosclerosis Risk in Communities Study e a Women’s Health Initiative.
As mulheres foram acompanhadas entre 1964 e 2018. Durante esse período, foram identificados mais de 1.000 casos de eventos de DAC nos dados, incluindo infartos fatais e não fatais. Além disso, os pesquisadores constataram que a menopausa precoce foi três vezes mais comum entre mulheres negras do que entre as brancas (15,5% versus 4,8%).
As mulheres que entram na menopausa natural antes dos 40 anos enfrentaram um risco ao longo da vida cerca de 40% maior de desenvolver DAC em comparação com aquelas que vivenciam a menopausa mais tarde. Mesmo após considerar fatores de risco cardiovascular como tabagismo, obesidade, hipertensão e diabetes, a menopausa precoce foi associada a um risco 41% e 39 % maior de DAC em mulheres negras e brancas, respectivamente.
Epidemiologistas da GlobalData projetam que haverá um aumento considerável nos casos incidentes diagnosticados de insuficiência cardíaca congestiva, que surge predominantemente como consequência da DAC, entre mulheres nos Estados Unidos, passando de aproximadamente 924.000 casos em 2026 para 1,05 milhão de casos até 2032. Diante disso, esses achados fornecem uma pista importante para a compreensão de fatores de risco modificáveis específicos do sexo feminino na DAC e apontam o período perimenopausal como uma janela única de oportunidade para intervenções que reduzam o risco da doença coronariana em mulheres.
Embora a etiologia da menopausa prematura ainda não seja totalmente compreendida, ela provavelmente é influenciada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais, como a idade de início do ciclo menstrual, obesidade e comportamentos relacionados à saúde. Embora sejam necessários mais estudos para validar esses achados, estabelecer a menopausa prematura como um fator contribuinte para o risco de DAC destacaria uma janela crítica para estratégias de prevenção direcionadas.