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Publicado el 3 de octubre de 2025

mHealth

Menopausa, hipertensão e saúde digital: o poder do mHealth no combate às doenças cardiovasculares

Morgan e colaboradores (2025) revelaram que intervenções via mHealth podem reduzir mais a pressão arterial em mulheres do que em homens, apontando novos caminhos para a prática clínica.

As doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morte entre mulheres, especialmente após a menopausa, quando o risco quase triplica devido à queda dos esteroides sexuais. Além disso, fatores como o manejo menos agressivo das DCV em comparação aos homens reforçam a necessidade de abordagens personalizadas para esse público.

A ampla posse de smartphones abriu oportunidades promissoras para intervenções de saúde digital, especialmente programas de saúde móvel (mHealth). Esses podem melhorar o autogerenciamento de fatores de risco cardiovascular, como pressão arterial (PA), colesterol, diabetes e peso e contribuem para redução de eventos cardiovasculares e hospitalizações. Além disso, aplicativos que fornecem educação personalizada e baseada em evidências, promovem estilos de vida saudáveis por meio de coaching digital e facilitam a comunicação com profissionais de saúde podem ser adaptados para atender grupos específicos, como mulheres na menopausa.

Apesar do potencial, ainda são escassos os estudos sobre a eficácia clínica do mHealth nesse contexto. Por isso, Morgan et al,. (2025) avaliaram um programa voltado ao controle da pressão arterial em mulheres durante e após a menopausa.

Para isso, os autores realizaram um estudo observacional de coorte retrospectivo com participantes do programa mHealth da Hello Heart, entre julho de 2015 e setembro de 2023. O programa incluiu um aplicativo móvel e um monitor de pressão arterial com Bluetooth, permitindo o rastreamento de métricas como PA, frequência cardíaca, colesterol e peso, além de oferecer lembretes de medicação, coaching digital com inteligência artificial e conteúdo educativo adaptado, incluindo materiais específicos para mulheres na menopausa.

Foram incluídos participantes com 18 anos ou mais com diagnóstico prévio de hipertensão e pelo menos duas medições de PA registradas no aplicativo. Três coortes foram analisadas:

·       Comparação entre sexos: homens e mulheres.

·       Foco na menopausa: mulheres ≥45 anos que se identificaram como pré, peri ou pós-menopáusicas, comparadas a homens pareados por idade.

·       Respondentes ao tratamento: participantes que reduziram a PA sistólica.

As variáveis incluíram dados demográficos e clínicos auto-relatados (idade, sexo, diabetes, uso de anti-hipertensivos). O desfecho primário foi a PA mensal, calculada pela mediana das leituras sistólica e diastólica. O desfecho secundário foi a ocorrência de crises hipertensivas (duas leituras consecutivas >180/120 mmHg).

A análise incluiu um total de 48.121 participantes com hipertensão, com uma idade média de aproximadamente 52 anos, sendo a maioria (55,1%) mulheres. A pressão arterial sistólica (PAS) média na linha de base foi de 135,5 mmHg, e a diastólica (PAD) foi de 85,2 mmHg. No início do estudo, os homens apresentavam uma PAS ligeiramente mais alta do que as mulheres (137,2 mmHg contra 134,1 mmHg).

A análise principal revelou reduções clinicamente significativas na pressão arterial ao longo do tempo para todos os participantes. De forma crucial, foi encontrada uma interação estatisticamente significativa entre tempo e sexo, indicando que as mulheres tiveram uma redução maior tanto na PAS quanto na PAD em comparação com os homens ao longo de 12 meses. Além disso, o risco de ocorrência de crises hipertensivas diminuiu significativamente para todos os participantes ao longo do tempo, embora não tenha havido uma diferença significativa entre homens e mulheres neste desfecho específico.

Ao analisar a sub-coorte focada na menopausa, que incluiu 5.196 mulheres na pré-menopausa, 1.886 na perimenopausa e 1.062 na pós-menopausa, os resultados mostraram que o segundo e o terceiro grupo tinham uma PAS de base significativamente mais alta em comparação com o primeiro e homens de idade correspondente. Este achado reforça que o risco cardiovascular é mais elevado para as mulheres nessas fases da vida. Apesar dessa diferença inicial, o estudo não encontrou uma interação significativa entre o tempo e o status da menopausa na redução da pressão arterial. Sugerindo que a intervenção mHealth foi igualmente eficaz em reduzir a pressão arterial em todos os grupos de menopausa (pré, peri e pós-menopausa), demonstrando que o programa pode ser benéfico para mulheres em diferentes estágios de risco cardiovascular.

Em conclusão, ao demonstrar reduções clinicamente significativas na pressão arterial em uma grande população de participantes de um programa de autogestão de risco cardiovascular via mHealth, Morgan et al., (2025) contribuíram com dados empíricos valiosos que apoiaram a eficácia de intervenções mHealth para o controle da hipertensão. As descobertas também indicaram que as mulheres apresentaram maiores reduções na pressão arterial do que os homens, sugerindo que o sexo pode influenciar a capacidade de resposta a intervenções personalizadas e baseadas no estilo de vida. Além disso, a pressão arterial basal mais alta observada em mulheres na peri e pós-menopausa em comparação com as pré-menopausa reforçou o risco cardiovascular estabelecido que as mulheres enfrentam durante períodos específicos de suas vidas, e destacou necessidade de estratégias direcionadas e específicas para cada sexo para abordar esses desafios de saúde.