Puntos de vista

Publicado el 27 de enero de 2021

Comum, cara, e controlável.

Melhora no atendimento de pacientes hipertensos

Um compromisso nacional dos EUA

Autor/a: Jerome M. Adams, MD, MPH & Janet S. Wright, MD

Fuente: A National Commitment to Improve the Care of Patients With Hypertension in the US

Cerca de metade dos adultos nos EUA tem hipertensão e, entre eles, a taxa estimada de casos controlados seria de apenas 43,7% em 2017-2018, representando um declínio de 53,8% em comparação a 2013-2014. Quando não controlada, pode levar a eventos amplamente evitáveis, como infarto do miocárdio, AVC e mortalidade materna, bem como condições debilitantes e dispendiosas, como doença renal, insuficiência cardíaca e declínio cognitivo. Na gravidez, os distúrbios hipertensivos contribuem para resultados adversos de saúde materno-infantil e podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares. As disparidades no controle da pressão arterial e, consequentemente, nesses desfechos de saúde, persistem por raça e etnia, idade e localização geográfica. No entanto, o controle amplo e equitativo da hipertensão é possível, e algumas práticas e sistemas de saúde alcançaram taxas de 80% ou mais em um amplo espectro de locais e populações atendidas.

Neste cenário, destaca-se o relatório da Convocação do Diretor Geral da Saúde para a Ação de Controle da Hipertensão, publicado em um momento muito necessário para a saúde pública da população mundial que vem também enfrentando o desafio da síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2) se tornou a prioridade de saúde mais urgente nos EUA. 

Os efeitos da pandemia e as dolorosas lições que estão sendo aprendidas somam-se a uma urgência ainda maior para melhorar as taxas de controle da hipertensão para todos os adultos dos EUA.

 A pandemia da doença do coronavírus 2019 (COVID-19) revelou diferenças substanciais na exposição ao vírus SARS-CoV-2 e resultados graves de COVID-19. As maiores taxas complicações e morte entre pessoas de cor, são frequentemente decorrentes de fatores sociais da saúde como moradia, transporte, educação, acesso a cuidados de saúde, disponibilidade de opções de alimentação saudável, uma renda segura e liberdade de barreiras estruturais e institucionais relacionadas a raça e preconceito. 

O controle da hipertensão requer estratégias e ações dos pacientes, dos profissionais de saúde e da comunidade.  Desse modo, a Convocação para Ação do Diretor Geral da Saúde apresentou um roteiro nacional para promover a mudança a partir de 3 objetivos baseados em evidências e que são adaptáveis ​​para corresponder aos recursos disponíveis e às populações atendidas:  

  • Controle da hipertensão uma prioridade nacional 

Para que se atinja o objetivo de controlar a hipertensão, uma rede de contribuintes está envolvida, englobando os pagadores e empregadores, que, ao priorizarem o controle da pressão arterial em contratos de valor e programas de incentivo, podem viabilizar práticas de investimento em equipes e processos comprovadamente atingem alto desempenho ao longo do tempo. Os pagadores e empregadores podem contribuir eliminando a divisão de custos para monitores de pressão arterial e medicamentos. Definir o controle da pressão arterial como uma prioridade de saúde da população também chama a atenção para as profundas disparidades associadas à hipertensão, com grupos de minorias raciais e étnicas experimentando taxas mais altas de hipertensão, níveis mais baixos de controle da pressão arterial e maior risco de complicações diretas ou indiretas (p.ex., relacionadas ao COVID-19). A razão para estabelecer essa meta não é apenas descrever essas desigualdades em saúde, mas fazê-lo como um passo catalisador em direção à sua eliminação.

  • Garantir que as comunidades apoiem o controle da hipertensão  

As comunidades são o nível primário em que operam os determinantes sociais da saúde, portanto, deem ser incentivadas e devem receber apoio para tal. Embora fundamentais em seu papel como causa raiz das disparidades de saúde, esses determinantes podem ser alterados para melhor. Por exemplo, as comunidades podem investir em locais seguros e acessíveis para praticar atividades físicas, melhorando a capacidade de caminhar e promovendo o uso de bicicletas. Garantir o acesso a opções de alimentos nutritivos, acessíveis e de alta qualidade para todos os residentes deve ser uma prioridade para as comunidades. Como membros e líderes de suas comunidades, os profissionais de saúde podem apoiar e defender programas comunitários que facilitem estilos de vida saudáveis. Fazer fortes recomendações e encaminhamentos sistemáticos de pacientes a esses recursos-chave da comunidade pode auxiliar os profissionais de saúde a reforçar as mensagens-chave e equipar os pacientes nas recomendações acerca do controle de sua pressão arterial. 

  • Otimizar o atendimento ao paciente para o controle da hipertensão 

Baseado no alcance do tratamento clínico ideal para pacientes com hipertensão, atingindo taxas de controle da hipertensão de 70% ou mais através de uma equipe; uma abordagem ou protocolo de tratamento padronizado; um sistema de dados que forneça percepções precisas e oportunas sobre o desempenho; e um conjunto de estratégias para apoiar os pacientes no automonitoramento de sua pressão arterial e na adesão aos medicamentos e recomendações de estilo de vida.

American Heart Association e da American Medical Association, assim como as diretrizes de prática clínica atuais, recomenda monitoramento da pressão arterial fora do consultório ou automedida (SMBP), juntamente com o apoio da equipe clínica para ajudar os indivíduos a alcançar e manter o controle, e evitar as armadilhas da hipertensão do “avental branco” ou “mascarada”. A necessária expansão da telessaúde durante a pandemia contribuiu para a implementação de programas de SMBP por práticas e sistemas de saúde em todo o país. O acesso aos dispositivos e configuração dos sistemas que suportem e analisem os dados gerados pelo paciente são etapas que podem gerar retornos rápidos no envolvimento do paciente e, posteriormente, no controle da hipertensão, portanto, é necessário que sejam bem avaliados e aprimorados. 

fundamental que se estabeleça uma rede (...) a fim de abordar os fatores que contribuem para a hipertensão e as lacunas no controle da PA 

A taxa de controle da pressão arterial a um nível que proteja e preserve a saúde exigirá compromissos de setores não tradicionais, como negócios, educação e instituições religiosas. É necessário a implementação da prática de hábitos saudáveis, a busca por melhoras na comunidade e apoio clínico conforme necessário. É fundamental que se estabeleça uma rede que envolva formuladores de políticas, pagadores e empregadores, profissionais de saúde e de saúde pública, pesquisadores e líderes comunitários a fim de abordar os fatores que contribuem para a hipertensão e as lacunas no controle da pressão arterial e para perceber as oportunidades de melhorar a saúde, resiliência e prosperidade da nação.  

Imagem: Freepik.com