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/ Published on January 26, 2025

Diretrizes médicas

Medicamentos para fertilidade e câncer

Novas diretrizes abordam as implicações do tratamento de fertilidade para a saúde reprodutiva e oncológica.

Author: American Society for Reproductive Medicine,

Fuente: Fertility drugs and cancer: a guideline (2024) Fertil Steril® 2024;122:406–20

A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) publicou recentemente suas diretrizes de 2024 sobre o risco de câncer e medicamentos para fertilidade, resumindo as pesquisas mais recentes sobre este tema crítico. O documento analisa se o uso desses fármacos associado a um aumento no risco de tumores, como o de mama, ovário ou endométrio, oferecendo conclusões baseadas em evidências para abordar as preocupações dos pacientes.

As preocupações sobre medicamentos para fertilidade e câncer estão relacionadas à capacidade desses de modificar os níveis hormonais. O estrogênio pode promover o desenvolvimento de tumores porque estimula a proliferação celular e reduz a apoptose, especialmente em tecidos com alta concentração de receptores de estrogênio, como o trato reprodutivo feminino, mama e cólon.

A ASRM revisou 52 estudos publicados desde 2015 para elaborar as diretrizes de 2024 sobre medicamentos para fertilidade e câncer.

Câncer de ovário

evidências fracas/moderadas de que o tratamento de fertilidade esteja associado ao câncer de ovário. Dada a significativa heterogeneidade entre os estudos, é difícil estimar o tamanho do efeito; no entanto, o risco geral provavelmente é pequeno (aproximadamente 3 casos a mais por 100.000 anos-pessoa). Além disso, as evidências sugeriram que ao menos parte desse risco esteja relacionado à endometriose subjacente, infertilidade feminina ou nuliparidade, condições que já foram associadas a um aumento do risco de câncer de ovário.

Tumores ovarianos borderline

Há evidências fracas de que o tratamento de fertilidade, especificamente a fertilização in vitro (ART), aumente o risco de tumores ovarianos borderline (TOBs). Acredita-se que parte desse seja devido à infertilidade subjacente ou nuliparidade.

Câncer de mama

Os dados foram divergentes em relação ao câncer de mama. No total, quatro estudos de alta/intermediária qualidade não mostraram relação entre o tratamento da fertilidade com aumento do risco de câncer de mama. No entanto, um estudo de qualidade intermediária indicou um aumento do risco de câncer de mama em pacientes que se submeteram a tratamentos ART. Ademais, uma meta-análise relatou um aumento no risco de câncer de mama associado ao uso prolongado (>10 ciclos) de clomifeno.

Câncer endometrial

A infertilidade subjacente aumenta o risco de câncer uterino. Quando mulheres com subfertilidade são usadas como controles, o uso de medicamentos para fertilidade não está associado a um aumento do risco de câncer endometrial.

Evidências de baixa qualidade sugeriram que a exposição ao clomifeno (CC) como medicamento estimulante dos ovários em mulheres com subfertilidade foi associada a um aumento do risco de câncer endometrial, especialmente em doses cumulativas de >2.000 mg e >7 ciclos. Isso pode ser em grande parte devido aos fatores de risco subjacentes nas mulheres que necessitam do tratamento com CC, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), em vez da exposição ao medicamento em si.

Câncer de tireoide

A evidência sobre a associação entre medicamentos para fertilidade e câncer de tireoide é mista. Em alguns estudos, o uso de clomifeno foi associado a um aumento significativo do risco, com um risco maior entre mulheres nulíparas ou com infertilidade.

Câncer de cólon

Alguns estudos de qualidade intermediária avaliaram especificamente o risco de câncer de cólon em pacientes submetidas a tratamento de fertilidade. Todos os concluíram que não há aumento no risco desse tumor associado ao fármaco, mesmo após 15 anos de acompanhamento.

Linfoma não Hodgkin

Não há dados suficientes para determinar se os medicamentos para fertilidade estão associados a um aumento no risco de linfoma não Hodgkin.

Câncer cervical

A maioria dos estudos não mostrou aumento no risco de câncer cervical após o uso de medicamentos para fertilidade; quatro estudos indicaram uma redução no risco.

Melanoma maligno

Estudos que avaliam o risco de melanoma após ART não foram conclusivos, com alguns não mostrando aumento no risco, outros sugerindo um aumento não significativo e outros encontrando um aumento significativamente maior. Resultados inconsistentes podem ser atribuídos ao pequeno número de casos, acompanhamento de curto prazo, grupos de controle inadequados e fatores de confusão, como a idade.

Conclusão

As limitações metodológicas no estudo da associação entre o uso de medicamentos para fertilidade e o câncer incluem o risco inerente aumentado de câncer em mulheres nuligestas, o risco aumentado de câncer devido a fatores como: endometriose e estrogênio sem contraposição a progesterona, associados à infertilidade, a baixa incidência da maioria desses cânceres e o fato de que o diagnóstico de câncer geralmente ocorre vários anos após o uso de medicamentos para fertilidade. Com base nos dados disponíveis, não parece haver uma associação entre medicamentos para fertilidade e câncer de mama, cólon ou colo do útero. Não há evidências conclusivas de que os medicamentos para fertilidade aumentem o risco de câncer uterino, embora mulheres com infertilidade tenham um risco maior de câncer uterino. Não há dados suficientes para comentar sobre o risco de melanoma e linfoma não-Hodgkin associados ao uso de medicamentos para fertilidade. As mulheres devem ser informadas de que pode haver um risco aumentado de cânceres ovarianos invasivos e limítrofes e câncer de tireoide associados ao tratamento de fertilidade. É difícil determinar se esse risco está relacionado à endometriose subjacente, infertilidade feminina ou nuliparidade.